sexta-feira, março 27, 2009

“É amor e ódio”, diz Marcelo Tas, sobre o Twitter

Mas para cerca de 20 mil pessoas– e subindo - Tas é uma figura popular no Twitter, serviço de microblogs que, aos poucos, ganha notoriedade na web brasileira. O jornalista é o brasileiro mais seguido na ferramenta. Tão famoso por lá que foi convidado pela Telefônica para participar da campanha publicitária de seu produto de banda larga via fibra óptica, o Xtreme. O contrato de Tas com a empresa prevê um vídeo feito exclusivamente para a web e uma ação em sua conta no Twitter, em que o apresentador indicará vídeos – sem relação direta com a empresa – bons para quem quer testar a potência de sua conexão com a internet. A primeira notícia sobre a parceria de Tas com a Telefônica destacando o Twitter foi dada pelo Wall Street Journal na última quinta-feira (19). Foi o bastante para que a “twittosfera” brasileira (como a comunidade do Brasil na ferramenta é chamada) se dividisse entre aqueles que acham a ação um marco e aqueles que a consideram um absurdo. Sobre este e outros usos que dá ao Twitter, Marcelo Tas falou com o Abril.com pelo telefone. Confira a íntegra do papo:

Você é o brasileiro mais seguido no Twitter. O que te atrai na ferramenta?

São basicamente três coisas: a velocidade, a síntese e a interatividade. Ele tem essas três coisas de forma turbinada. Você dispara e recebe informação de maneira veloz, sintética e interativa, e imediatamente vê quem se interessou por aquilo, quem comentou aquilo, para onde foi aquilo.


Sendo o brasileiro mais seguido, você sente alguma responsabilidade por estar na posição máxima desse ranking?

Sinto a responsabilidade, claro, mas não visto esse título. É uma coroa a que eu não fico apegado.


Até mesmo porque esse é um título que pode mudar de mãos rapidamente...
E eu acho que vai mudar. Dia desses apareceu um cara que depois, parece, se comprovou uma farsa. Momentaneamente, ele ficou com mais seguidores do que eu. Confesso que fiquei até um pouco aliviado quando ele apareceu (
risos). Porque percebo que as pessoas ainda raciocinam muito com a cabeça de um mundo analógico e olham para o Twitter como quem olha para o Ibope da novela das oito. A audiência no Twitter, na Internet ou em um blog é algo que se consolida ao longo de muito tempo. É a diferença que existe entre o fogão a lenha e o microondas. Na internet, você aos poucos agrega confiança, consistência, e ao longo de muito tempo as pessoas voltam ao seu site ou blog e se interessam pelo que você fala. Na televisão, em uma enchente em São Paulo, por exemplo, um programa que a cobre pode virar primeiro lugar de audiência na hora.

Você assinou com a Telefônica um contrato publicitário que prevê ações na internet, inclusive no Twitter. O Wall Street Journal publicou uma reportagem a respeito e a repercussão dela aqui no Brasil, no Twitter, foi recheada de polêmica. Em sua opinião, por que isso aconteceu?
Foi evidente a diferença da repercussão que rolou aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Lá fora, isso foi dado como uma notícia. Os lugares que mais respeito, como alguns blogs que leio, do Vale do Silício, trataram o assunto como uma notícia do tipo “Uma empresa está atribuindo ao Twitter uma grande importância”. Essa é a notícia para mim. Enquanto que aqui no Brasil a gente entrou numas de discutir a publicidade, se eu me vendi à Telefônica... Uma conversa de cachorro magro, de complexo de inferioridade, de quem não convive com a possibilidade do sucesso. Achei muito sintomática a reação aqui no Brasil. Algo que eu nem comecei a fazer foi discutido com uma veemência, com uma paixão...! É uma situação totalmente surreal. Pelo que percebi, ninguém leu a matéria.


Mas essa precipitação não é uma conseqüência natural da velocidade da informação no Twitter?

A velocidade do Twitter não implica em sermos levianos. Você vai ser leviano porque agora vivemos em um mundo mais rápido? Não pode, é preciso conviver com a velocidade. É isso que pratico. E acredito que seja por isso que eu tenha tantos seguidores. Eu convivo com a velocidade, tenho uma ética e sou capaz de defender cada ponto em que fui atacado. Estou muito tranqüilo, não tenho o que esconder. O que me surpreende é que as pessoas espernearam antes mesmo de terminarem de ler a matéria. E antes de entenderem o que vou fazer no Twitter. É algo muito pequeno para tanto barulho. Vou apenas dar dicas de vídeo. Editorialmente, eu não só tenho liberdade absoluta para escolher os vídeos como eles não têm nada a ver com a Telefônica. Isso é algo que eu sempre fiz no Twitter. E está todo mundo falando do Twitter, mas o Twitter é a ponta do iceberg. O principal ponto do meu contrato é um vídeo para a internet que explica como funciona esse serviço de fibra óptica.


E para a ação no Twitter, você escolheu usar uma tag, para identificar o patrocínio.

A tag foi uma exigência minha. É a favor da transparência, e não de eu estar vendendo um produto. O cara que achar que o post tem alguma contaminação por ele ser patrocinado pela Telefônica pode não clicar no link. Ou não me seguir também. Não estou pedindo para ninguém me seguir. Até rolou um movimento para deixar de me seguir, que foi um fiasco. Só ontem (
quinta-feira, 19) ganhei quase mil seguidores.

Você se incomodou com essa reação?

Achei engraçado tudo isso. Fiquei um pouco com dó do Brasil, porque a gente tem uma presença importante na internet. A matéria do "Wall Street Journal" foi feita comigo porque o Brasil tem uma penetração atípica na internet, até desproporcional ao nosso nível educacional. E é claro que as empresas inteligentes investem nisso. Acho que essa matéria representa que estamos entrando em um outro nível do jogo. E a nossa reação foi a mais infantil possível. Uma reação quase cubana, eu diria. (
risos)

Você diria que as chateações estão superando as coisas boas do Twitter?

A relação que tenho com o Twitter é mais um menos a relação que tenho com as minhas outras ferramentas, indo da escova de dentes até o computador, passando pelo cortador de unha. É amor e ódio. Como toda ferramenta, tem suas coisas muito desagradáveis ou dificuldades de uso, ruídos... Você atribui poderes, ou virtudes, ou defeitos, à ferramenta. E ferramenta não tem isso; é só uma ferramenta. É o jeito que você usa que importa.


O Twitter trouxe algo de positivo à sua imagem como comunicador?

O Twitter para mim é uma ferramenta complementar. Ele não é uma coisa central. Ele dialoga muito com o
meu blog e mudou muito a relação que tenho com ele, porque serve como uma espécie de faísca para o blog, tanto para divulgá-lo como para capturar ou testar assuntos. É como se você estivesse fazendo a apuração de uma reportagem. Se você faz uma pergunta no Twitter, e a faz bem, pode obter respostas muito relevantes, de um público muito especializado. Sigo cerca de 300 pessoas, e entre elas há gente em posições-chave, de donos de agência a diretor de instituição e adolescente em Cuiabá, Rio de Janeiro...

Que outras utilizações você dá ao Twitter além dessa?

Eu tenho o Twitter ligado o dia inteiro, inclusive pelo celular (
Tas tem um Blackberry). Recentemente, eu estava em um almoço de casamento de um amigo jornalista, aqui em São Paulo, e estava rolando um jogo importante. Era domingo. Todo mundo lá estava desconectado, não tinha televisão. Aí ouvimos barulho de fogos. Muitos ali eram são-paulinos, estavam interessados em saber o que estava acontecendo. Eu perguntei se alguém usava o Twitter e a maioria deles disse que não. Fui no Twitter e escrevi: “De quem foi o gol?”. E disparei. Ficou todo mundo em volta do meu celular, como se fosse um oráculo (risos). Em 30 segundos, abri as respostas. Tinha de quem foi o gol, se foi impedimento, um torcedor sacaneando o outro. Se isso não é uma mudança, o que mais poderia ser? Para mim, é muito significativo, no sentido de você ter acesso ao que está acontecendo sem passar pelos veículos tradicionais.

Você acredita que a postura daqueles que criticaram seu contrato com a Telefonica possa, por exemplo, atrapalhar a popularização do Twitter por aqui?

Não (enfático). O grande público não está nem aí para essa conversa. No meu blog há muitos comentários e a extrema maioria já entendeu o que aconteceu e não está nem aí. Mas há dois ou três xiitas. Quem não entendeu isso, ou tem dificuldade de entender, é quem tem uma mente analógica. E falo principalmente de veículos de imprensa, jornalistas e publicitários. Antigamente a gente ficava sentado esperando o “Jornal Nacional” para ver o que aconteceu no Brasil e no mundo. Hoje ninguém precisa do “Jornal Nacional”. A situação é muito diferente. A audiência da “Globonews”, por exemplo, é pequena, não chega a 30 mil espectadores. O meu blog tem mais audiência que a “Globonews”. Não estou dizendo que meu blog seja mais importante que a “Globonews”, mas tem mais gente prestando atenção no que escrevo no blog do que na “Globonews” como um todo. É um mundo diferente. E isso um dia vai fazer sentido para os publicitários e para o anunciante.


Fonte: Site Abril
Posted By: Taiane

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