terça-feira, outubro 06, 2009

Monica Iozzi - A nova graça do CQC

Em 04 de Outubro de 2009 - Na Folha de S. Paulo - Caderno Televisão -  Coluna da Mônica Bergamo 


A nova graça do ‘CQC’

"Eleita a primeira mulher do programa. Monica Iozzi leva cantadas dos entrevistados e aprende que não dá pra usar escarpim para caçar celebridades

Discussão ‘filosófica’ dia desses nos bastidores do programa ‘CQC’ tratava de tema polêmico: o uso ou não da palavra xoxota durante a atração. O apresentador Marcelo Tas disse a palavra ao vivo e, diante das risadas, um dos diretores do programa perguntava, atrás das câmeras: ‘Xoxota é palavrão? É palavrão ou não é?’ Explica-se: o programa foi comprado pela TV Bandeirantes da empresa Cuatro Cabezas, de Buenos Aires, e é dirigido por argentinos que, nos bastidores, podem interferir em seu conteúdo -mesmo sem entender direito os nossos palavrões.

Tas, que acha o termo ‘bonitinho’, foi voto vencido. A palavra foi abolida do ‘programa da família brasileira’ e ele teve que readaptar seu vocabulário. ‘Estou me achando o Chico Buarque, tendo que achar sinônimos para a palavra.’ Na última segunda, quando a coluna acompanhou os bastidores da gravação do programa que escolheria a oitava integrante do ‘CQC’, Tas decidiu substituir a dita cuja por ‘paçoquinha’.

A vencedora do concurso, que teve cerca de 23 mil inscritos, foi Monica Iozzi, 27, atriz de Ribeirão Preto, fã de Mussum e de Nair Bello.

Antes de saber que ganharia, Monica teve que aguentar muito suspense. Faltam poucos minutos para o programa entrar no ar e os três apresentadores, Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque, fazem um ‘aquecimento’ da plateia. ‘Vamos combinar uma coisa? Quando o Tas errar, as mulheres levantam a blusa e ‘pagam peitinho’. E os gordinhos também, que à distância é tudo igual’, brinca Luque. Os três então se revezam: ‘Cadê a torcida da Carol?’, ‘Cadê a da Monica?’, ‘E a torcida do Ivo Holanda?’. O público ri, devidamente esquentado.

Carol Zoccoli, 32, era a outra finalista para a vaga. No camarim, antes de saberem o resultado, falava sobre o nervosismo. ‘Nervosa? Tô drogada, né? Trinta quilos de Rivotril. Tô até cansada de ficar nervosa.’

Tas chega ao camarim pra retocar a maquiagem ‘high-tech’ da M.A.C -’é um gelzinho pra tirar o brilho’. ‘Vocês já sabem o resultado?’, brinca com as finalistas, que reclamam do tempo que ele demora pra divulgar os vencedores a cada etapa. ‘É que eu aprendi a prolongar o prazer. É uma técnica que você só descobre com o tempo.’

Longos minutos depois (para elas), Monica é consagrada vencedora. E Carol anuncia. ‘Vou comer bastante e entrar no reality show ‘Magros X Obesos’.’ Acha que vai levar ao menos um mês para descobrir ‘se valeu à pena ou se foi só um puta mico’ participar da disputa para entrar no programa da Band: ‘Daqui pra frente, é conta pra pagar e cartão de crédito atrasado. Como sempre foi’.

Já Monica, mais reservada que Carol, não teve que esperar nem um dia pra descobrir como sua vida mudou. No dia seguinte à escolha, cabeleireiros e maquiadoras a esperavam na Band para criar a imagem da primeira mulher do ‘CQC’. Um jornal popular tinha um pedido ousado: uma foto da moça de biquíni para estampar na capa. Pedido vetado.

Durante a sessão de maquiagem, Monica conta que só foi reconhecida duas vezes. Em uma delas, estava de moletom comprando Epocler numa farmácia, quando uma garota de 12 anos a interpelou. ‘Oi, eu te sigo no Twitter. O Marcelo Tas é careca mesmo?’

Monica fez artes cênicas na Unicamp, foi vendedora de livraria e garçonete. Solteira, diz que tem um ‘cacho’. E está aprendendo a lidar diante das câmeras com entrevistados que mexem com o fato de ela ser bonita. O governador José Serra e o jogador Cafu foram dois deles. ‘Com o Serra, eu tava tão nervosa que nem ouvi o que ele falou. Com o Cafu, eu disse que gostava das pernas dele e ele: ‘quer pegar?’ Fiquei desconcertada. Sou meio boba. Os entrevistados tiram sarro de mim.’

A atriz-repórter entra na sede da Cuatro Cabezas, a empresa argentina que produz o ‘CQC’ em vários países, com o pé esquerdo. O sapato escolhido na Band, um escarpim preto, é rejeitado na hora. ‘Não pode ser chique. Lá fora, é guerra. Eles correm o tempo todo atrás de político e celebridade’, diz a produtora Renata Varela.

O argentino Diego Barredo, 32, gerente da Cuatro Cabezas brasileira, chama Monica. Aconselha a ‘não se deslumbrar com as luzes’. ‘Uma experiência transcendental como a fama muda muito as pessoas.’ A Cuatro Cabezas tem contrato com a Band até 2011. Além do ‘CQC’, produz o programa ‘E24’, também exibido na Band, e o novo ‘A Liga’, que deve estrear em 2010. Diego está na produtora desde 1999, quando começou ‘servindo café pro Mario Pergolini, o Tas de lá’.

As celebridades e os políticos brasileiros e argentinos, diz, se comportam de maneira parecida. ‘No começo, eles não gostam [do ‘CQC’]. Acham as piadas chatas. De repente, as pessoas começam a gostar, e eles começam: ‘Adoro vocês’, ‘Marcelo [Tas], um beijo pra você’.’

Para Juan Buezas, 35, argentino que dirige o ‘CQC’, os brasileiros ainda penam no quesito informação. ‘Na Argentina, o cara que mora na rua lê jornal. Aqui, quando falamos com um senador pouco conhecido, temos que apresentar quem é. Muita gente não sabe quem é o presidente do Senado. Talvez saibam quem é Sarney, mas não o presidente do Senado.’

Monica discute sua pauta: o show de gravação do DVD de Gilberto Gil. Antes de ela chegar, o produtor Daniel Cronfli fez uma lista dos convidados VIPs com perguntas para cada um. ‘Pro Arnaldo Antunes, você pode perguntar: ‘Você prefere que o Carlinhos Brown suba ou que a Marisa monte?’ Cada repórter do ‘CQC’ tem um produtor para preparar as perguntas e soprá-las durante as entrevistas. O objetivo da noite é conquistar Gil. Para isso, Cronfli comprou uma Iemanjá de presente para o cantor.

Já no teatro, Monica estuda a pauta. Anda de um lado para o outro ensaiando. E logo começa a caça às celebridades. O publicitário Washington Olivetto a reconhece. ‘Agora, esse programa vai dar certo. Só tinha homem feio. Com uma mulher bonita, vai melhorar muito.’ O diretor Fernando Meirelles, não. ‘Eu não vejo TV.’ Mas vê a cola na mão da repórter. O que é isso? ‘É o nome de um orixá para puxar papo com o Gil.’

Surge Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes. ‘A gente entrevista ele ou não?’, vacila Monica. ‘Vai lá’, apoia o produtor. Monica ganha os parabéns de Saad e se sai bem com uma gracinha. ‘Obrigada! Sobre o salário a gente conversa depois, né?’

Depois do show, chega o teste final: entrevistar Gil. Monica cola nele. Pergunta se vai ser vice de Marina Silva na campanha presidencial e dá a Iemanjá de presente. Flora Gil, mulher do cantor, avista a cena. ‘CQC, não!’ Surge na frente da câmera, cochicha no ouvido do marido. Monica pede só mais uma pergunta. Em vão. Gil já engatara conversa com outros convidados. Preta Gil, filha do cantor, diz a Monica que ‘estava torcendo por você [na competição]. Daqui a pouco, você vai fazer ‘stand-up comedy’ e ganhar dinheiro como eles [os outros repórteres do ‘CQC’]’.

O show de Gil foi a última missão do dia. No fim de semana, Monica providenciaria a mudança de Ribeirão Preto para São Paulo, onde dividirá um apartamento com a irmã até engatar de vez na nova vida.

Reportagem ADRIANA KÜCHLER"
Posted By: Viviane Pereira

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Um comentário:

  1. Esse artigo saiu na Folha há 1 ano e o Observatório da Imprensa disponibilizou.

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