sábado, novembro 14, 2009

Uma análise técnica da fatídica detenção do repórter Danilo Gentili

Recebemos via email uma análise da Equipe Gamil Föppel Advogados Associados sobre a prisão do Danilo Gentili em Assis SP. Ontem a Viviane Pereira postou um texto sobre o acontecido aqui no Blog mas o texto abaixo contém uma análise técnica completa sobre o ocorrido.

Segue o texto na íntegra:


Uma análise técnica da fatídica detenção do repórter Danilo Gentili

Por
Gamil Föppel
Renata Ferrari


Conhecidos por uma atuação, no mínimo, inusitada, os repórteres do programa CQC, que vai ao ar pela emissora Bandeirantes, às segundas-feiras, habitualmente insurgem-se em situações também inusitadas, norteadas por um humor e por uma ironia refinados.

Munido das características inerentes à atuação dos repórteres do referido programa, Danilo Gentilli visitou, no último dia 31 de outubro, a cidade de Assis, em São Paulo, para gravar um programa que iria ao ar em 09 de novembro, a respeito de uma nova política implantada naquela cidade, conhecida como “Política da Tolerância Zero”.

A polícia militar de Assis teria sido instruída a fazer cumprir a lei punindo os indivíduos enquadrados na situação prevista no artigo 59 da lei de Contravenções penais, que possui a seguinte redação:

Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses

Alguns esclarecimentos de ordem técnica acerca da mencionada contravenção penal devem ser feitos. Inicialmente: não se trata de um crime. O direito penal brasileiro prevê duas categorias distintas para classificar os ilícitos penais, que variam de acordo com a gravidade do fato tipificado. A conduta que levou Danilo Gentili à delegacia, portanto, é tratada no Direito pátrio como uma contravenção penal.

Mas a peculiaridade desta previsão legal não se esgota em sua classificação. Ressalte-se, oportunamente, ter sido, a Lei de Contravenções Penais, publicada em 1941, quando estava em vigor a famosa constituição de 1937, outorgada pelo então presidente Getúlio Vargas, inaugurando a chamada Ditadura do Estado Novo. Referido texto constitucional implantou uma realidade autoritária, surgida flagrantemente para beneficiar determinada parcela da população.

Um breve e necessário esclarecimento: a legislação de cada época da história de um país varia de acordo com a realidade que vigora naquele momento. A constituição, por sua vez, é a lei máxima de uma nação, devendo, todo o resto da legislação editada, voltar-se para o texto constitucional, do qual precisa extrair o seu fundamento de validade. A conclusão é lógica e bem simples: as leis editadas sob a égide da Constituição de 1937 deviam seguir o sistema implantado pelo texto constitucional, eminentemente autoritário. Não foi diferente o que aconteceu com a Lei das Contravenções Penais, em 1941.

Pois bem. Os anos passam, as constituições surgem – ao todo, já tivemos nove – , novos sistemas e realidades se instauram e algumas leis permanecem formalmente em vigor. E aí é que mora o problema. Hoje, quando o legislativo que nós elegemos edita uma nova lei, ela esbarra num procedimento previsto no texto da Constituição (a nossa atual, de 1988), no qual é prevista inclusive uma comissão somente para analisar a constitucionalidade da proposta, para que não seja publicada uma lei que viole o texto constitucional. Ressalte-se que não apenas esta comissão, mas todo o poder legislativo, na edição de uma lei, deve observar com cuidado se estão presentes ali os fundamentos previstos na Constituição. E as razões são simples.

Mesmo com um procedimento cuidadoso, muitas vezes é editado um diploma legal em desacordo com a constituição em vigor. Uma lei que surja em descompasso com o texto constitucional é desconsiderada, não devendo ser aplicada por qualquer juiz ou tribunal. Mesmo que ainda não tenha havido o procedimento formal de reconhecimento da inconstitucionalidade de uma lei (uma ação específica, chamada “Ação de Direta de Inconstitucionalidade”, processada no Supremo Tribunal Federal), aos juízes é autorizado, e deles se espera, a não aplicação desta lei.

A Lei das Contravenções Penais, que data de 1941, todavia, não pode ser chamada de inconstitucional. Isto porque, no momento em que surgiu, ela se coadunava com a realidade implementada pela constituição de 1937. Ocorre, no entanto, que no sistema jurídico proposto pela constituição de 1988, o crime de vadiagem já não possui mais espaço, não se coaduna com a nossa realidade constitucional atual. É um expediente conhecido no direito como “não recepção”. A lei, que era constitucional quando foi editada, não foi recepcionada por esta nova realidade, mormente a inaugurada pela nossa constituição de 1988, democrática a ponto de ser chamada de “Constituição Cidadã”.

Estamos, então, diante da seguinte situação: temos uma lei, em pleno vigor, já que nenhum procedimento formal retirou a eficácia do diploma legal, mas que, em razão de não ter sido recepcionada pelo texto da constituição, não merece aplicabilidade.

Mas agora vem a pergunta: e por quê a contravenção de vadiagem não se coaduna, não respeita, não está de acordo com o texto da Constituição de 1988? São tantas as razões...

A constituição de 1988 tem como um dos grandes pilares o princípio da isonomia, também conhecido como princípio da igualdade, que proíbe tratamentos diversos entre os indivíduos. Aquela máxima já conhecida de que todos são iguais perante a lei. Pois bem. Voltemos ao texto da contravenção de vadiagem.

Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses

Através de um exemplo bastante simples pode-se inferir a violação ao princípio da isonomia: se um sujeito rico entrega-se à ociosidade sendo válido para o trabalho, ele não é punido, já que não se enquadra no resto do dispositivo, que exige que o contraventor não possua renda que lhe assegure meios bastantes de subsistências. Ao revés, um cidadão efetivamente pobre, que se encontre na mesma exata situação narrada para o sujeito rico, será enquadrado na hipótese, já que ele não possui renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência. Quanto ao princípio da igualdade, já não é preciso falar mais nada. Trata-se de uma discriminação odiosa, que permite o ócio à parcela mais abalizada da população.

Além disso, saindo um pouco da análise constitucional e voltando os olhos para o direito penal, considerar crime o fato de uma pessoa “entregar-se habitualmente à ociosidade” fere os postulados mais básicos do direito criminal. Pois bem. Inicialmente, cumpre esclarecer que o direito penal, de acordo com o Estado Democrático em que vivemos, deve ser utilizado como ultima ratio. Tal utilização implica o reconhecimento de que, somente se recorre ao extremo de criminalizar (ou tornar contravenção) uma conduta, quando ela realmente justificar a incidência do direito penal.

Isto porque, por meio da aplicação deste ramo do direito, restringe-se o que há de mais valioso na vida do indivíduo: a sua liberdade. É por isso que, antes de recorrer ao direito penal, deve-se buscar, nos outros ramos do direito, uma forma de contornar e solucionar aqueles problemas. Não me parece ser necessária uma insurgência penal para o fato de o sujeito entregar-se ao ócio – talvez o Direito Administrativo, regulando uma atuação positiva do Estado, com uma política de geração de emprego – pegando carona no Direito do Trabalho, talvez. Mas criminalizar o ócio não pode ser o caminho mais acertado.

Junte-se a isso mais uma característica do direito penal: pune-se a conduta e não o sujeito. Isto é: o direito penal é do fato, não do autor. Ora, mas a contravenção trata da conduta de “entregar-se ao ócio”. Sim, de fato. Mas o texto legal não se esgota por aí, e restringe a aplicação da contravenção para aqueles que não possuem renda suficiente para subsistência: neste instante, passa-se a punir o sujeito pelo que ele é, e não pelo fato que cometeu.

Por todas estas razões, a contravenção penal de vadiagem não pode ser aplicada. Com isso, não mereciam ser encaminhados a delegacia todos os indivíduos de Assis que se enquadraram nos requisitos do artigo, bem como o repórter, Danilo Gentilli, que foi detido de acordo com uma lei que, em verdade, não deveria ser aplicada.

A despeito disso, a as autoridades públicas da cidade de Assis, em São Paulo, resolveram, não apenas determinar a aplicação da lei, mas instituiu um regime de “Tolerância Zero”. Ao contrário do que se possa imaginar, a escolha do termo que designou o regime de exceção implementado na cidade também possui referências jurídicas.

A política de “Tolerância Zero” surgiu nos Estados Unidos, em meados da década de noventa, sendo conseqüência de um estudo que culminou a criação da chamada broken windows theory (teoria das janelas quebradas). Essa teoria utiliza-se de uma metáfora bastante simples na busca de um meio de diminuir a criminalidade. Os fundadores da referida teoria sustentavam o seguinte: se uma janela de um edifício ou de um escritório fosse quebrada e não fosse imediatamente consertada, aos olhos daqueles que passassem nas redondezas do estabelecimento, este seria descuidado, que não havia autoridade para a manutenção da ordem naquele local. Em pouco tempo, os transeuntes também se insurgiriam contra as outras janelas – já que não notaram cuidado ou mesmo um meio que os inibisse de tal prática. Com o passar do tempo, com uma grande quantidade de janelas quebradas, iniciando a decadência daquele prédio, daquela rua, daquele bairro...

De fato, houve sucesso na implantação da política de tolerância zero na cidade de Nova Iorque. Isto porque, tratou-se de uma medida muito mais ampla, que se ocupava também de outras formas de proteção à criminalização, que, por óbvio, não se esgotava na punição de qualquer quebrador de janelas. Ao lado disso, as autoridades previam uma série de medidas outras, que contribuíram para a diminuição da criminalidade.

Obviamente, as autoridades públicas de Assis não importou a integralidade da política novaiorquina. Pegou emprestada apenas a idéia mais evidente da referida política e resolveu iniciar um sistema desenfreado de fiscalização e punição. É uma política de tolerância zero à brasileira, que busca responsabilizar supostos criminosos sem voltar-se para os problemas da origem da criminalidade. Tapar o sol com a peneira: aquela velha mania do brasileiro de contentar-se com medidas paleativas.

Voltemos à Assis.

A peculiaridade da situação ocorrida com Gentilli não se esgota aí. Para quem teve oportunidade de assistir à reportagem (e quem não teve, o faça), percebeu que ele foi constrangido a obedecer ordens dos policiais – que variavam entre determinações impossíveis (colocar as mãos na cabeça quando estavam imobilizadas), e excessos na atuação dos policiais, que, em tese, teriam abusado do poder que o Estado lhes deu. Além disso, sem que demonstrasse qualquer resistência a ser encaminhado para delegacia, o nosso repórter foi algemado. Mas vamos por partes.

Respondendo de formas simples às indagações dos policiais, o repórter é logo surpreendido com um, nada carinhoso “você está de gracinha” conjugado com um empurrão que começou a assustá-lo. A abordagem dos policiais machucou a mão do repórter, que insistia apenas estar trabalhando. Em seguida, o repórter solicita que os policiais não se excedam, aduzindo que machucá-lo não fazia parte do exercício da atividade policial. Neste instante, os policiais dão ordem de prisão a Gentilli, pelos delitos de desobediência e desacato.

Ilegal a ordem de prisão por desobediência. Primeiro que não houve, no caso, a prática de desobediência (que consiste no descumprimento de uma ordem legal de uma autoridade pública – embora houvesse autoridade pública, não houve qualquer descumprimento, porque não houve qualquer ordem e, ainda, em razão de toda a atuação dos policiais ter sido excessiva e ilegal).

Por desacato, porém, de fato poderiam ter realizado a prisão em flagrante do repórter, mesmo que razoavelmente não se verifique qualquer conduta do repórter que desacate a autoridade do policial. Ora, e como poderiam prendê-lo? Simples. O delito de desacato tem a sua redação simples e direta. É crime desacatar alguém. Quem está sendo desacatado irá fazer o juízo de valor e determinar o que pode configurar tal delito. É um expediente perigoso – mas não tão incomum – presente no direito penal, em que utilizam-se expressões vagas e imprecisas, violando os princípios da legalidade e taxatividade penal – que existem exatamente para não deixar dúvidas quando da verificação de um delito, exigindo clareza, objetividade e, sobretudo, suficiência na previsão legal.

Agora, às algemas.

Sempre foi um tema bastante debatido, embora a importância justifique o debate, a simplicidade que deveria caracterizar o instituto deveria dispensá-lo. Qualquer criança que for indagada acerca da função de imobilizar as duas mãos de uma pessoa, juntas e para trás, responderá que se trata de um expediente a fim de limitar a liberdade de locomoção do indivíduo. Pois bem. Da infantil resposta decorre a necessidade da utilização das algemas, que precisou que fosse editada um dispositivo da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, o de nº 11, que afirma somente ser permitida a utilização das algemas quando estritamente necessárias e mediante justificativa escrita.

Os policiais condutores, ao depararem-se com indivíduos que apresentem resistências em serem conduzidos à delegacia, podem – e devem – algemá-los e, ao chegar na delegacia, devem fundamentar por escrito a utilização de tal instrumento.

O nosso repórter não mostrou resistência à condução à delegacia, tampouco obstou o desempenho das atividades policiais e, mesmo assim, foi algemado quando da sua condução – a despeito de desnecessárias as algemas, não só segundo a conclusão infantil, mas conforme manifestação do Supremo Tribunal Federal.
Ao chegar na delegacia, identificou-se como repórter do programa CQC e conversou com o delegado, que prestou esclarecimentos sobre a importância da política de tolerância zero implantada pela na cidade de Assis.

Foi, enfim, liberado.

Esclarecimento necessário: não foi lavrado auto de prisão em flagrante, tampouco registrada qualquer ocorrência em desfavor do repórter.

Esclarecimento necessário, parte 2: não se está criticando a atuação ou atribuindo qualquer prática delitiva aos policiais envolvidos no incidente, cuja identidade é desconhecida.

Esclarecimento necessário, parte 3 – e a mais importante: o lamentável de tudo isso é imaginar que só tivemos acesso aos atos que agora comentamos em razão de o repórter ter se submetido à fantasiosa situação acima descrita – no exercício das suas funções jornalísticas. O problema, mesmo, está naquelas pessoas, para as quais aquela situação vivida por Gentili não tem nada de fantasiosa, para as quais a pobreza é cruelmente real, e que podem ter sido submetidas a constrangimentos ainda piores – sem que ninguém tenha voltado os olhos para elas.

“Vai trabalhar, vagabundo
Vai trabalhar, criatura
Deus permite a todo mundo
Uma loucura
Passa o domingo em familia
Segunda-feira beleza
Embarca com alegria
Na correnteza”
Chico Buarque – Vai trabalhar, vagabundo.


Posted By: CQC Blog

Uma análise técnica da fatídica detenção do repórter Danilo Gentili

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11 comentários:

  1. Adevogado é fogo, primeiro vêem um flash e já ficam serelepes, sem saber se é mídia ou mesmo um trovão, deviam saber o que é escalonamento da força, pois se houver uma ordem legal para que o indivíduo se posicione para busca pessoal, é o militar que dirá a posição e não o abordado, a não ser que haja um método de adivinhação de quem é criminoso ou mesmo um satélite futurista que localize arma, droga e marque o marginal, havendo resistência do abordado o mesmo será colocado na posição elevando-se o tom de voz, ou pela força. Agora o vídeo mostra que o repórter mostrou-se resistente a abordagem. Mas fazer o que, acham que polícia deve pedir a vossa mercê que diga se está contrariando as leis e que tome um chá com os mesmos...

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  2. Eu até ia ler, mas o texto é tão pequenininho...

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  3. PORQUE VCS, DO "CQC", NÃO PASSAM TODA A FILMAGEM SEM NEHUMA EDIÇÃO? OU VCS QUEREM FAZER SEU PROGRAMA CUSTE O QUE CUSTAR? COM UM NOME DESSE, NÃO É EM NADA CONFIAVEL ESSE PROGRAMA. MAS ESPERAR DISSO DE UM PROGRAMA HUMORISTICO É UMA COISA, AGORA DE UM ESCRITORIO DE ADVOGACIA? LEIA ESSE LINK, E ENTENDAM MELHOR: http://www.diariodeumpm.net/2009/11/16/os-dois-lados-de-uma-ocorrencia-a-detencao-de-danilo-gentili-reporter-do-cqc-em-assis-sp/

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  4. ROTAM,

    Partindo de sua premissa que "adevogado é fogo, primeiro vêem um flash e já ficam serelepes", não se pode discutir nada. Se conseguirmos superar este (difícil) impasse, convido o senhor a frequentar algumas aulas em qualquer Faculdade de Direito (não de qualquer uma; apenas dessas que merecem a grafia em maiúsculo) e aprender um pouco sobre princípios constitucionais ou garantias fundamentais.

    Não me consta que a Constituição (aquele livrinho, a convenção do nosso condomínio Brasil, lembra?) fale de "escalonamento de força". Melhor que isso: não me consta que o Supremo Tribunal Federal, tenha feito ressalvas em sua súmula vinculante n. 11, para uso de algemas em caso de "escalonamento de força".

    Paula,

    Gostei de sua comparação entre programa humorístico e a "Advogacia". Mas, temo que o caso não seja tão engraçado assim. O caso Gentili demonstra o infeliz despreparo da maioria das forças policiais no Brasil. Quando se alia despreparo da polícia com despreparo dos nobres políticos responsáveis pela "Lei de Tolerância Zero" de Assis, o resultado é exatamente este retratado no texto.

    Enfim, por este e outros aspectos o artigo é primoroso. Constituição e garantias dos cidadãos em face de arbitrariedades como a que vitimou Gentili são assuntos da ordem do dia. Os autores captaram bem isso.

    Dr. Gammil e Dra. Renata, meus parabéns.

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  5. Bom. Me sinto compelido a responder.

    Adevogado é fogo, é fogo mesmo, e digo, graças à Democracia contamos com o Recurso do Adêvogado. Devemos colocar fogo na fúria punitiva, infudada, ilícita e arbitrária que assola alguns componentes de determinadas instituições.

    ROTAM: Quando se manifesta que advogado é fogo demonstra sua busca inquisitorial pelas suas verdades escolhidas para legitimar o Juiz Hércules do Poder punitivo, o Leviatã dos quais tentamos nos defender quando optamos por um contrato social.

    Fazer o que, é a função de alguns...

    Atacar quem argumenta e não o argumento em si é uma falácia muito conhecida pelos sofistas. É mais fácil atacar aquele que profere o argumento do que desconstruir um argumento bem fundamentado.

    Falar mal da atuação dos advogados é algo que já foi inúmeras vezes registrado na história, já foi registrado na Inquisição, considerando os advogados como um obstáculo à rápida prestação da justiça (vide Malleus Maleficarum).

    Quando passamos a criminalizar a atuação do advogado a ignorância e arbitrariedade alcançou o ápice do absurdo. Pensar num fato delitivo, criminalizar o fato delitivo é uma coisa, depois que se passa a rotular como criminoso pessoas diversas, que é o QUE VOCÊ FAZ ROTAM, já sabemos que está imbuído da consecução de penas cruéis, tortura, entre outras coisas, para conseguir que o acusado colabore com a investigação.

    Por força disso, sabemos que não tem capacidade de desconstruir a inconstitucionalidade das Contravenções Penais, e dentro de um Estado Democrático de direito, temos a liberdade de fazer o que quiser com a nossa vida, isso inclui ser vagabundo. Se eu escolho ser vagabundo sem onerar o Estado é opção minha, agora, temos muitos trabalhando que escolheram ser vagabundos sendo pagos pelo Governo, com concursos públicos que se entrega uma estabilidade eterna para o cabide de emprego de alguns.

    Paula, seu argumento foi de uma profundidade ímpar, realmente o fato da escolha do nome do programa faz com que o que está na matéria seja inverdade. O fato do vídeo não ser passado integralmente não desconstitui o que aconteceu naquela situação. Me desculpe, mas parece que não leu a matéria de maneira INTEGRAL, lá foi informado que houve uma consulta por email, ou seja, os advogados foram procurados para se manifestar tecnicamente sobre aquela situação fática apresentada.

    A Contravenção Penal em comento foi por demais utilizada para permitir qualquer componente do aparato repressivo penal estatal pudesse obrigar qualquer um a ser encaminhado para a Delegacia.

    Foi assim com a pisão para averiguações, é assim com a prisão temporária, é assim com a prisão em flagrante, e será assim até que a Sociedade Brasileira compreenda como se faz um processo, como há a possibilidade de se fazer um processo penal sem rasgar a Constituição, sem jogar o respeito ao ser humano pelo mesmo esgoto que funda a mente perniciosa de elementos despreparados e que usam o poder de polícia do estado para legitimar a sua gana por deter poder sobre outrem.

    Não existe meio de se fundamentar abuso, não existe meio de se fundamentar a busca incessante pelo prazer no desrespeito às garantias alheias. Ressalte-se que, garantias são desnecessárias, enquanto não tiverem tentando salvar a minha cútis da fogueira da inquisição.

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  6. "Se o mistério da pobreza não for causado pelas leis da natureza, mas pelas nossas instituições, grande é o nosso delito." [ Charles Darwin ]

    Recorro a Charles Darwin para ratificar o texto dos nobres advogados.

    O QUE PRECISAMOS MESMO É REPENSAR NOSSAS INSTITUIÇÕES. CUSTE O QUE CUSTAR CQC.

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  7. Estes leriados aqui é para falar que uma pessoa caiu na ripa por aparentar ser pobre? Imagina só os mendigos de verdade a surra que levaram e ninguém viu, ou só humilharam o moço por ele ser da tv? Minha gente, o pior é quem defende esta violência.
    Manda para o mundo, quero cair fora. O rapaz é humilhado, tirada a roupa, algemado, colocado a mão para trás por parecer ser pobre e ainda tem gente que defende isso?
    Só para eu ir direto para o manicômio. É certo a policia fazer o que fez, só porque o rapaz parecia pobre?, Sr. Rotam e D. Paula, se for, deu para mim, não da mais.
    Doutores advogados, eu imploro, não permitam esta covardia. Pois o que foi feito contra o rapaz foi exatamente isso. Se fosse alguém arrumadinho, isso teria ocorrido?
    O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. (Mahatma Gandhi)

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  8. Estes leriados aqui é para falar que uma pessoa caiu na ripa por aparentar ser pobre? Imagina só os mendigos de verdade a surra que levaram e ninguém viu, ou só humilharam o moço por ele ser da tv? Minha gente, o pior é quem defende esta violência.
    Manda para o mundo, quero cair fora. O rapaz é humilhado, tirada a roupa, algemado, colocado a mão para trás por parecer ser pobre e ainda tem gente que defende isso?
    Só para eu ir direto para o manicômio. É certo a policia fazer o que fez, só porque o rapaz parecia pobre?, Sr. Rotam e D. Paula, se for, deu para mim, não da mais.
    Doutores advogados, eu imploro, não permitam esta covardia. Pois o que foi feito contra o rapaz foi exatamente isso. Se fosse alguém arrumadinho, isso teria ocorrido?
    O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. (Mahatma Gandhi)

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  9. Nossa que nobres palavras, tele dramaturgia pura... Mas, me tratar com esse sarcasmo só acentua a arrogância e a prepotência da "nobre" ratoeira ADEvoratos, Escalonamento da força é de uso LEGAL e instituído pelos direitos humanos, nota-se que legal não é por ser superbacana, supimpa ou mesmo divertido é por ter seu uso regido por leis. Agora o fato a ser discutido é que os "nobres" parafrasearam tantos sonetos que geraram uma verdadeira BULA para leigo, uma vez que se houver fundada suspeita eu DEVO abordar o suspeito e se ele se nega a ficar na posição de busca é crime de desobediência, não adianta vir com chorumelas, inclusive citando o "Martelo das Bruxas" ou mesmo comparando a polícia do fato com a da ditadura. Deixem o ego e a "carteirinha" de lado, desçam do salto ornamentado e passem a entender de ocorrências policiais, se vocês OPS, se os senhorios são tão "nobres" assim, porquê não deu nada aos PMs? (vai vir um chorume de chorumelas) A mas... É que... Tendo em vista... ipsis litteris...
    ALEMBREI...
    ([i]já sabemos que está imbuído da consecução de penas cruéis, tortura, entre outras coisas, para conseguir que o acusado colabore com a investigação.[/i]) ...de uma música: Eu vivo sempre no mundo da lua
    Porque sou um cientista homeopata
    futurista e lunático...
    Se uma pessoa não gosta de ADEvoratos ela é isso, então posso dizer que quem não gosta de polícia é (...) Xiita que gera perigo de dano a soberania nacional (fedeu aqui), e quem não gosta de médico ou de professor de física...
    eu TENHO o DIREITO de não gostar de algo... e não gosto de Adevoratos celebridades...
    Advogado analisa os fatos, o vídeo na íntegra e não sai dando aula de direito a respeito de um vídeo editado, é onde vemos o profissional e o oportunista, "kinem" ao povo que fica por trás do entrevistado (advogado), querendo aparecer(adevorato)... Dignos de pena...

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  10. se um cara for preso por não ter emprego e for um "vagabundo" e passar ums dias na prisão isso vai ajuda-ló á correr atrás de um emprego?!, á melhorar sua vida,eu acho que não... pois sabemos que a maioria das pessoas aqui no Brasil não são auto-sustentáveis e muitos dependem do governo para poder se manterem.

    Muitos não gostaram da maneira que á polícia agiu, mas o que vi na filmagem foi: a polícia nem quis saber, mesmo depois de Danilo ter falado que estava em trabalho...

    Uma vez fui abordado pela polícia militar e afirmaram com todas as forças que havia feito algo que não fiz(a polícia não parece que está junta do cidadão) pois esse é um trabalho que requer pelo menos ética...

    Depois perguntam "ah porque, odeiam a polícia se eles só estão fazendo seus trabalhos..." será porque?!, porque do jeito que torceram seu braço foi forte?!
    se um cara sair da linha, vocês teram que quebrar o dedo dele e não simplismente imobiliza-ló.
    Recorrem á agreções e não simplismente á neutralizações.

    Portanto que certos.... odeiam á mídia, muitos sabem que não podemos ter total segurança da fontes mas sejam uma maneira de imformar.

    e Dr.rotam, eu acho que vcs não odeiam a mídia tanto assim, pois muitas vezes foram apresentados como herois pela mídia... aí vcs gostam né?! nem todos vcs Quando criticam gostam... pois conheço algums políciaisde conciência humana.

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  11. Eu li tudo! oaskaoskaoskaosk

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