terça-feira, junho 15, 2010

Análise do CQC 100 - por Pedro Rech


Nesta segunda-feira, após três temporadas, o CQC atingiu o seu ápice: o histórico programa No. 100. Ainda uma semana antes, a campanha de marketing viral para esse momento tão especial começou a circular. Eram desde vídeos de celebridades dando parabéns ao CQC pela sua marca, até declarações enigmáticas e empolgantes dos repórteres e membros da produção pelo twitter. Mas, toda essa campanha, e as altas expectativas que elas introduziram aos fãs, compensaram? O programa No. 100 foi, como era esperado, o melhor programa de todos os tempos? A resposta é um certeiro sim.

Pontos Altos: 
De cara, antes mesmo da abertura, vemos uma espécie de emocionante retrospectiva do CQC, desde seu desacreditado começo até o vitorioso presente. Além dessa excelente idéia, o clima festivo em geral do programa merece todo o crédito, coisas simples que realmente passaram a sensação de um programa, de fato, especial: o número 100 atrás da bancada, os integrantes da bancada usando smoking bem como sua entrada teatral, a decoração de festa na platéia e todos os repórteres integrando a bancada temporariamente, coisa que só havia sido feita no penúltimo programa de 2009, na ocasião em que Tas havia “desaparecido” e os repórteres haviam sido chamados às pressas para substituí-lo.

Quanto às reportagens em si, o programa já começou de forma espetacular com a matéria de Rafael Cortez e Felipe Andreoli no jogo de abertura da Copa do Mundo, reportagem essa que estava, bem como todos os outros elementos do programa, extremamente enérgica. Vale ressaltar, novamente, que nessa matéria o duplo ponto de vista foi potencializado ao máximo, mostrando sem sombra de dúvidas que a idéia de mandar dois repórteres para cobrirem a Copa foi digna de um gênio. Após o sempre divertido link da África do Sul, mais uma matéria sensacional da Copa: as tentativas de Cortez e Andreoli sabotarem os rivais da seleção brasileira.
Mudando o clima de Copa do Mundo eis que, para o espanto de todos, temos o retorno do épico “Repórter Inexperiente”, que estava sensacional como as nostálgicas matérias daquele primeiro e incerto ano de 2008. Aliás, seria interessante ver o CQC investindo novamente nesse quadro. Se uma pessoa como Itamar Fraco ainda consegue cair nessa pegadinha, é certo que muitas outras pessoas também são suscetíveis a esse erro. E, é claro, vale também citar a participação ímpar de Danilo Gentili na bancada.

Logo em seguida, tivemos a que foi provavelmente a melhor matéria de Oscar Filho até hoje: a sua cruzada para sabotar os torcedores argentinos em sua própria nação. Pode parecer insensível de minha parte, mas é uma pena que não houveram agressões físicas ao pobre Oscar. Seria a única forma de tornar a matéria ainda mais épica.

E eis que surge um especial com uma excelente e precisa seleção dos melhores momentos do CQC até aquela centésima edição. Para essa matéria, repito apenas a conhecida frase: recordar é viver. E quando parecia que nada mais incrível poderia surgir nesse até então espetacular episódio, é exibida a matéria de Mônica Iozzi em Brasília. A respeito dessa matéria, que na humilde opinião desde crítico que vos fala, foi o verdadeiro ponto alto do programa, a única palavra que consigo encontrar para defini-la é: GENIAL, mesmo sem o ponto alto da matéria, que antes mesmo do programa ir ao ar já havia sido amplamente discutido pela mídia. Quando, após três temporadas de CQC onde Gentili já foi expulso do Congresso Nacional, onde o mesmo Gentili já foi agredido por seguranças do super-vilão José Sarney e onde novamente Gentili foi chamado de homossexual descaradamente pelo também super-vilão Sérgio Moraes, enfim, quando parecia que nada mais indignante e estúpido poderia acontecer na capital, eis que, contrariando todas as possibilidades, o ilustre deputado federal Nelson Trad (PMDB-MS) sem nem ao menos ter sido questionado por qualquer pergunta que fosse, simplesmente agride Mônica Iozzi e o câmera, ainda por cima com direito de gritar um sonoro “Foda-se” em sua saída. Ainda em meu leito de morte, dificilmente tal imagem sairá da minha cabeça. Isso sem contar no bom e velho deputado federal José Tático (PTB-GO), e sua incrível atuação de poderoso chefão. Aliás, vale citar uma ocorrência de grande ironia: logo após essa matéria, o CQC foi para o intervalo comercial. Dentro do comercial, há uma propaganda do Governo Federal, que anuncia aos quatro cantos que o “o povo brasileiro está vivendo um novo Brasil”. É, pode até ser um novo Brasil, mas com os mesmos velhos coronéis.

E, acreditem se quiserem, após todos esses momentos históricos, o programa ainda não tinha chegado ao fim. Após o comercial, houve mais uma excelente matéria de Rafael Cortez e Felipe Andreoli na Copa do Mundo, dessa vez cobrindo a estréia da seleção argentina no mundial. Depois, chega o “Top Five”, que figura aqui entre os pontos altos não pelo repertório em si, que foi bastante óbvio aliás, mas sim pela espetacular animação da bancada, que teve até direito à Tas cometendo um de seus, entre muitos outros, mais hilários erros: sua comemoração aos cem anos de CQC.

Mas ainda havia uma última matéria. E grito aterrorizado: é o fim dos tempos! Eu nunca pensei que viveria para ver isso: o “CQTeste” entre os pontos altos! Isso se deve, quase que inteiramente, pela inspiradíssima atuação de Marco Luque, em especial, na sua tiração de sarro com os trejeitos de Rafael Cortez. Aliás, cada vez mais eu percebo que Marco Luque poderia muito bem ser um repórter de rua tradicional. Ele merecia mais do que o, apesar de divertido, dispensável “Luque Responde”. Sua única atuação nesse sentido no CQC até hoje foi sua cobertura das eleições 2008, que foi, diga-se de passagem, brilhante.

Como cereja no topo deste inacreditável bolo, temos o discurso final de Tas com a ilustre presença de toda a equipe do CQC na bancada. Que venham os próximos cem programas.



Pontos Intermediários:
Infelizmente, não tem jeito: a matéria de Felipe Andreoli no treino da seleção brasileira, apesar de não ser propriamente ruim, não conseguiu sair do lugar-comum desse tipo de reportagem, ao contrário de todas as outras matérias da Copa até então.



Pontos Baixos: 
Nem o mais crítico dos críticos poderia encontrar um ponto baixo no programa desta segunda-feira. Mas, como eu preciso preencher esse espaço, apenas faço minha ressalva pessoal ao fato na inexistência de um “Proteste Já” nesse histórico programa. Foi uma pena a ausência do “Proteste Já” que é assumidamente um dos quadros mais queridos e importantes do CQC. Aliás, foi graças a ele que eu comecei a assistir ao programa.

Lembro-me até hoje. Era o dia 24 de março de 2008. Estava prestes a dormir, e, como eu fazia na época para ficar de fato com sono, ligava a TV e passava aleatoriamente pelos canais. E eis que me deparo com um repórter de terno e gravata a lá “Cães de Aluguel” expondo mil e um problemas de acessibilidade envolvendo o metrô de São Paulo. Eu conheço aquele homem. Era Rafinha Bastos, grande ícone dos vídeos na internet. Sua para mim até então inexplicável aparição em rede nacional prende minha atenção. Buscando soluções, Rafinha vai até o escritório central do metrô. Um assessor de imprensa lhe promete uma entrevista e, como garantia, Rafinha rapta uma cadeira do escritório central. A história se desenrola e, no final das contas, nada é feito. Na elegante bancada, ao vivo, Rafinha serra uma das pernas da cadeira e ameaça serrar uma perna por dia que ele não obter resposta da empresa. Fico fascinado.

Logo em seguida, um tal de Danilo Gentili, ao fazer uma matéria no zoológico de São Paulo, consegue a façanha de ser expulso do local. O programa termina. Era o início de uma bela amizade. Porque, afinal, os primeiros cem programas a gente nunca esquece. E nós todos também fazemos parte dessa história.


Nota: 10


Posted By: Viviane Pereira

Análise do CQC 100 - por Pedro Rech

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2 comentários:

  1. Concordo com tudo o que você disse. Menos o Oscar apanhar. Coitado!
    E a plateia estava otima também!

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  2. Ótima análise. Realmente, todo o programa foi muito bom, até o CQTeste, do qual não gosto na maioria das vezes. Quem diria... Pois é, esse é o CQC Brasil: nos faz rir, chorar, indignar, pensar. Vida longa ao programa da família brasileira!

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