terça-feira, junho 29, 2010

Análise do CQC 102 - por Pedro Rech

O programa desta segunda-feira foi (piada infame em 3, 2, 1) legendário. O clima anárquico reinou supremo, como nos áureos tempos. Sem mais enrolação, vamos às considerações:



Pontos Altos: 
Começaremos pelo panteão de matérias da Copa do Mundo da África do Sul: o jogo Brasil x Portugal, o jogo Brasil x Chile (onde, para nossa sorte, a passionalidade de Andreoli foi novamente latente), a hilária matéria sobre o “Cala Boca Galvão”, a eliminação da Itália e toda a subseqüente ridicularização aos torcedores e equipe italiana, o jogo Argentina x México, e, por fim, a matéria que incluiu os jogos África do Sul x França e Uruguai x México, bem como ambas as entradas ao vivo. Surpreendentemente, desde o primeiro dia, as matérias da Copa têm contado com um elevado padrão de qualidade, tanto humorística quanto jornalística. Todos os méritos à Felipe Andreoli e Rafael Cortez.

Fora a Copa, podemos citar o “Controle de Qualidade”, que, apesar de excepcionalmente curto, não deixou de ser muito bom. Vale citar que Mônica Iozzi assumiu o posto de Danilo Gentili muito bem nesse quadro (se bem que, de fazer matérias regulares em Brasília como Mônica já andava fazendo para o “Controle de Qualidade” é uma distância pequena). E, vale citar também o meu conterrâneo e sempre genial deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que conta com uma longa história de amor e ódio ao CQC que todos já conhecemos muito bem, e que em um novo capítulo dessa relação, admitiu ontem que simplesmente “não lê jornais”.

E agora, impossível deixar de lado o verdadeiro ponto alto do programa dessa semana, o “Proteste Já” sobre o barranco prestes a desabar sobre uma escola em São Bernardo do Campo, e da já muito discutida agressão que Danilo Gentili e a equipe do CQC sofreram na ocasião, bem como a ridícula reação do prefeito, o ilustre Luiz Marinho (PT), acusando Gentili de ter forjado os hematomas e de afirmar que não houve agressão. É incrível pensar que mesmo depois de três temporadas, esse tipo de coisa ainda aconteça.
Quem acompanha o CQC desde 2008 sabe muito bem que em praticamente todo o “Proteste Já” daquela época ocorriam situações semelhantes, especialmente pelo fato de o programa ainda não ser tão conhecido, assim as pessoas não tinha noção da repercussão que seus atos teriam com a audiência. Não ponho em discussão o fato de ser um óbvio abuso de autoridade e um perigoso resquício da ditadura, mas é, mais que isso, asneira por parte dos políticos realizarem esse tipo de ação justamente em um ano eleitoral. É a prova definitiva do que foi brilhantemente dito na abertura do épico programa No. 100, “o poder não só corrompe, mas emburrece”. A nossa sorte é que Luiz Marinho já pode dar adeus à sua vida política, a exemplo do inesquecível prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB).


Cabe aqui também uma pequena análise das diferenças entre Rafinha Bastos e Danilo Gentili sob o manto do “Proteste Já”. Enquanto, por um lado, Rafinha fica realmente incomodado e indignado com os problemas apresentados, a impressão é que Gentili, como uma entidade superior, há muito já parou de se importar com esses problemas e quer apenas ver o circo pegar fogo, comparando grosseiramente, é quase como se Gentili fosse o Coringa. Nada de errado com isso, bem pelo contrário (afinal, é isso que torna Gentili um repórter político tão bom), mas dentro do “Proteste Já” essa aura fica destoante da seriedade do quadro, e é por isso que “Proteste Já” sem o Rafinha não é “Proteste Já”. Mas, por conflitos de agenda em razão do “A Liga”, é evidente que Rafinha necessita de um substituo eventual, e dentro da equipe do CQC, Gentili é o único que tem condições de agüentar o cargo.

Vale também citar o “A Semana Em Fotos”, que estava especialmente hilário, e o absoluto descontrole da bancada e da platéia, que deram uma dinâmica mais do que especial ao programa.



Pontos Intermediários: 
Claro, não poderia figurar em outro lugar o “CQTeste” com Caetano Veloso. As piadas internas envolvendo a atuação de Marco Luque nesse quadro ainda parecem estar funcionando, com a presença de Veloso ontem elas inclusive foram ampliadas, mas não posso precisar até quando essa performance funcionará. Fato é que a substituição temporária de Luque deu uma sobrevida ao quadro, mas, como sempre clamei, o “CQTeste” ainda é o câncer do CQC.

Fora isso, resta apenas citar o “Top Five”, que estava apenas razoável. Aliás, gostaria de protestar acerca de um fato envolvendo o “Top Five”. Em sua essência, o “Top Five” deveria exibir gafes e erros cometidos em programas de televisão, e não notícias excêntricas, que não são necessariamente um erro jornalístico ou técnico. A presença de meras notícias dentro do quadro já está se tornando sintomática (vejam bem, das cinco posições, essa segunda-feira nada menos do que três foram notícias). Mas, graças ao sensacional primeiro lugar ainda nos damos ao direito de perdoar a edição dessa segunda-feira por esse fator.


Pontos Baixo:
Impossível não citar a bizarra coletânea dos momentos mais idiotas da primeira fase da Copa do Mundo da África do Sul. É, sem dúvida, uma idéia muito boa, mas, sinceramente, três segundos de matéria? Nem mesmo Rafinha Bastos pôde conter a surpresa, dizendo um audível “Mas já acabou?” na volta da matéria. Espero que a idéia não seja abandonada, mas uma micro-metragem dessas já é sacanagem.


NOTA: 8,5 
Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal:@pedroffr



O CQC teve picos de 9 pontos no Ibope e  ficou com média de 7 pontos ultrapassando a Record e o SBT e garantindo o 2º lugar na audiência.
Posted By: Viviane Pereira

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3 comentários:

  1. O Pedro arrasa! Quanta precisão!
    Só discordo do Top Five que eu achei engraçadíssimo e colocaria nos pontos altos.
    O Proteste Já foi um circo a parte e quanto ao Danilo Gentili no comando deste quadro compartilho do mesmo sentimento.

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  2. Ui que susto! Achava que era só eu que tinha essa sensação sobre o Proteste Já no comando do Danilo. Realmente o Rafinha sofre e você consegue enxergar no semblante dele a raiva e a ansiedade de que as pessoas se expliquem e solucionem o problema. Concordo também, que na ausência do Rafinha o único que tem o perfil para enfrentar o Proteste Já é o Danilo, justamente por isso, ele se joga na causa, mas, não com a intenção de solucionar e sim de desestabilizar o entrevistado e levá-lo ao extremo com a intenção de expor muito mais as suas fraquezas do que a solução.
    CQTeste só com o Cortez, achei o Luque totalmente perdido com o Caetano, parecia que não estendia uma palavra do que ele dizia, ficou um vazio nos momentos de conversa. E o Felipe continua dono da área quando o assunto é futebol!
    Alguém viu o Oscar? (tô perguntando sem contar os merchandisings, claro).

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  3. O Oscar foi só nos merchans mesmo.
    Acho que ele deve trabalhar na equipe de produção do CQC não é possível!
    Fez uma matéria e não passou por falta de tempo para variar.

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