terça-feira, agosto 10, 2010

Análise do CQC 108 - por Pedro Rech

Antes de mais nada, é preciso comentar sobre um dos acontecimentos mais chocantes de nossa geração. Sim, estou falando do fato de Rafinha Bastos ter feito a barba. Sobre isso, farei minhas, as últimas palavras de Coronel Kurtz, em seu leito de morte, no romance “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad: “O horror! O horror! O horror!”.

Partindo para o programa em si, foi interessante observar que o CQC desta segunda-feira foi pontuado por extremos: metade das matérias foi excepcionalmente boa e a outra metade... Bem, excepcionalmente ruim. Sem mais, vamos às considerações.


Pontos Altos: 
Para começar, é claro que preciso citar o vital e extremamente válido quadro “Quem Quer Ser Governador”, dessa vez no estado da Bahia. Aliás, aproveito para mencionar a atuação ímpar de Felipe Andreoli neste quadro. Continuando, igualmente óbvia a citação da fantástica cobertura dos bastidores do primeiro debate entre os candidatos à presidência na Band, por Mônica Iozzi e Danilo Gentili. Matérias como essas duas fazem jus à afirmação de Rafinha Bastos de que a cobertura eleitoral deste ano ficará à altura da épica cobertura de 2008, e ainda por cima conseguiram coexistir sem maiores perdas, em termos humorísticos, com a maldita lei eleitoral, da qual falarei daqui a pouco.

Seguindo, eis que retorna, em grande estilo, o já saudoso “Proteste Já”. Vale destacar que é nítido que Danilo Gentili, de certa forma, já passou pelo processo de simbiose e agora parece estar perfeitamente ajustado ao quadro. Claro, Rafinha Bastos nasceu para o “Proteste Já”, e suas recorrentes ausências são um grande revés para todos nós, mas Gentili parece estar fazendo sua lição de casa e sendo um substituto à altura.

Agora, claro, impossível não citar o verdadeiro ponto alto desta semana, o “Documento da Semana” (Tas, Tas, Tas... Quantas vezes terei de repetir aqui que o quadro não se chama “Documento CQC”?) sobre a absurda lei eleitoral. A determinação do TSE a respeito da sátira dentro da campanha eleitoral é o maior retrocesso de toda a história da nossa recente redemocratização. Gostaria de ilustrar tudo o que eu penso dessa determinação do TSE e de tantas outras barbaridades com as quais nos deparamos todos os dias nesse lindo Brasil, com uma breve anedota.

""  Tempos atrás, eu vi uma notícia a respeito do retorno do último exilado político da ditadura ao Brasil, o marinheiro Antônio Geraldo da Costa, ainda em 2009. O caso é que o sujeito viveu quase todo seu exílio na Suécia, onde estabeleceu família e carreira como auxiliar de enfermagem, e levou quase vinte anos para ter certeza de que a ditadura e todos os seus derivados já haviam sido eliminados através de nosso sistema democrático. Eu me divertia imaginando que, após todo esse processo de superação, Antônio, ao pisar em solo brasileiro, se depara com o jornal O Estado de S.Paulo proibido de divulgar uma reportagem sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o filho de José Sarney. Dias depois, alguém lhe conta que um certo repórter de um programa de televisão com uma pegada mais humorística foi expulso do Congresso Nacional simplesmente por fazer perguntas. Depois, o mesmo amigo lhe conta que uma repórter do mesmo programa foi, veja só, agredida também dentro do Congresso, a troco de nada, e que paradoxalmente haviam sido tomadas medidas legais justamente contra o programa e não contra o agressor. Aí, ele descobre que o José Sarney é presidente do Senado e pensa: “mas o Sarney não era um dos maiores defensores da ditadura?”. Aí, ao acaso, ele vê no noticiário um manifestante sendo preso simplesmente por se expressar na “Marcha da Maconha”, passeata em favor da discussão a respeito da descriminalização das drogas, e tem um pensamento singelo: “mas se vivemos em uma democracia, não é direito dele expressar sua opinião?”. Aos poucos, ele percebe que o serviço militar obrigatório ainda é o principal pesadelo dos jovens prestes a entrarem na maioridade e que o voto é, inexplicavelmente, obrigatório, tornando o que deveria ser um direito, e consequentemente a arma que o cidadão dispõe contra um sistema governamental corrupto, em um dever, tornando então essa mesma arma em um mecanismo para perpetuar a impunidade na classe política. E então chega o, teoricamente, marco supremo da democracia: as eleições. E eis que o astuto Antônio percebe que programas humorísticos (e afinal, quem pode dizer onde termina o jornalismo e começa o humor?) estão proibidos de fazer... Bem, de fazer simplesmente o que eles deveriam estar fazendo. Gosto de imaginar que, a essa altura, Antônio Geraldo da Costa deve ter pensado: “é, eu me enganei, é melhor eu voltar pra Suécia antes que eu acabe preso também”. Moral da história: a triste verdade, brasileiros e brasileiras, é que a nossa democracia é uma ilusão.""

Depois desse discurso, vale também citar os sempre divertidos “A Semana Em Fotos” e, claro, o “Top Five”.

Pontos Intermediários: 
Cabe aqui mencionar o “O Povo Quer Saber” com o homem-cocaína, Serginho Malandro, o único homem que é uma caricatura de si mesmo. Inclusive, Serginho mencionou algo profundamente perturbador neste quadro, alguma coisa sobre querer fazer suas “malandragens” com minha paixão platônica, Mônica Iozzi. Olhe aqui, Sr. Malandro, o senhor lave a sua boca imunda antes de se referir de tal forma à tão nobre donzela. Tão despropositadas foram as palavras proferidas por este ser que eu o desafio publicamente, Sr. Malandro, para um duelo ao estilo dos nobres cavaleiros de tempos passados para defender a honra da Sra. Iozzi. Fique avisado.

Fora isso, vale figurar entre esses pontos intermediários a matéria de Felipe Andreoli na final da Copa do Brasil, na ocasião do jogo Santos vs. Vitória. Apesar da matéria mediana, a discussão entre Felipe Andreoli e o maligno “coronel da polícia” merece uma forte menção honrosa. Felipe Andreoli mostrou ser um homem de culhões ao se manter frio e impassível perante tão assustadora autoridade. Se apenas como mero espectador eu quase urinei em minhas calças de terror, não quero imaginar o que Andreoli não deve ter sentido na ocasião. Aliás, o semblante do coronel era tão medonho que se assemelhava muito aos vilões dos filmes de ação baratos dos anos 80, do tipo enfrentando por Schwarzenegger, Stallone e tantos heróis. Tanto que eu imaginava que, a qualquer momento, ele soltaria alguma frase de efeito típica de tais personagens, como “eu vou comer seus olhos como jujubas”, por exemplo.

Pontos Baixos: 
Apesar da notória puxação de saco acima, é preciso começar citando entre os pontos baixos a matéria de Felipe Andreoli no jogo Flamengo vs. Corinthians, que foi, como sempre, mais do mesmo, apesar do contexto do Dia dos Pais. Seguindo, claro, não poderia faltar ele, o sempre desagradável “CQTeste”, ontem com a presença de Wanessa (sem o Camargo...?). Por fim, resta-me citar a matéria de meu grande amigo e leitor Rafael Cortez na cobertura de um desfile de moda para adolescentes... Ou algo assim. O CQC já atingiu tal nível que matérias como essa são, acima de qualquer coisa, inúteis. E essa em especial pecou também pelo ritmo arrastado, e, a exemplo da matéria da semana passada sobre a campanha “Inverno Sem Frio”, pelo excesso de temas: previsões para as celebridades, crítica à falsidade desse tipo de evento, e por aí afora.

NOTA: 7,5
Audiência: CQC marcou 6 pontos de média, picos de 8 e 11% de share.

Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr
Posted By: Viviane Pereira

Análise do CQC 108 - por Pedro Rech

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10 comentários:

  1. Cobertura do Debate foi ótima e o Documento da Semana Eleições sem Humor foi muito bom, mas eu entrevistaria mais pessoas do Humor. Os caras do Casseta, a galera da MTV. Só faltou isso.

    CQTeste no início do CQC ficou muito bom. Deste jeito ele serve de esquenta do programa e a gente fica com outra visão do quadro. Gostei.

    A matéria da Plantet Girls, foi boa e as Matérias futebolísticas até também, o Felipe deu outra cadência. Não foi mais do mesmo.

    Top Five excelente. Agora vimos em vídeo o que a Daniela Albuquerque já tinha dito pra mídia impressa.

    O Povo quer saber com Sérgio Mallandro eu não assisti.

    Para mim as matérias políticas, que foram excelentes, e conseguiram 'cobrir' os pontos fracos do programa. Eu daria nota 9.

    Pedro e seus surtos por causa da Monica. Ai, ai...

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  2. Porra, o "Mundo CQC" imitou descaradamente a minha análise dessa semana. Semana passada eu havia percebido uma série de semelhanças no que diz respeito às impressões, mas essa semana eles usaram inclusive termos e expressões idênticas às que eu usei aqui! "Menção honrosa ao Andreoli", "Gentili à altura de Rafinha Bastos", até minha reclamação com o Malandro se referindo depreciativamente à Mônica, estava tudo lá. Mas que desgraçados.

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  3. Achei o "Sr. Malandro" engraçado. Assim como ri da sua chamada para um duelo pela honra da Mônica. Hilário.
    Também acho que o marinheiro Antônio Geraldo da Costa vai voltar pra Suécia depois dessa. Eles dizem que a gente vive uma democracia, mas nos privam de muitas coisas.
    Então, é isso.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Pedro! Obrigado por suas análises! Espero te conhecer um dia pra te agradecer pessoalmente!

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  6. Obrigado, Matheus! Também espero te conhecer pessoalmente um dia para agradecer seu reconhecimento!

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  7. Ótima análise. Não assisti o CQTeste, me disseram que foi ruim, acho que CQTeste já foi melhor.
    O Documento em semana eu gostei, abordou o assunto da lei contra os humoristas, o qual eu acho uma falta de cultura dos aprovadores dessa lei.
    O Proteste Já também acho que sente falta do Rafinha, mas também concordo que o Danilo está conseguindo substituí-lo a altura.
    Agora o fato que mais eu estranhei, ri e com certeza chamou a atenção dos telespectadores foi o Rafinha ter feito a barba. Ele ficou estranho, sei lá, acho que é o costume de de vê-lo com barba, mas ficou bom do mesmo jeito.

    É isso. Pedro, gostei da sua análise sim e quem copia é porque não tem uma crítica como a sua.

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  8. Gente rezem pra que hoje eu não durma, pois as aulas começaram e o cansaço veio junto a elas. Dormi no meio do programa e perdi o Top Five, mas observando a análise do Pedro, não perdi os pontos altos do programa!
    E realmente, também manifesto minha tristeza com a grande perda, a barba do Rafinha!

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  9. Olhaí, minhas análises estão virando serviço de utilidade pública. Daqui a pouco vai ter gente deixando de assistir o programa porque sabe que vai estar tudo aqui descrito depois.

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  10. hahahaha!
    Este Pedro!
    Ansiosa pela análise do programa de ontem. Eu achei o programa mto bom!

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