terça-feira, agosto 24, 2010

Análise do CQC 110 - por Pedro Rech



Bom dia, boa tarde, boa noite, queridos leitores. Entre confusões e trapalhadas na bancada, desde Tas sendo cortado antes mesmo de terminar de anunciar a reportagem que estava por vir até Marco Luque à beira de explodir o estúdio, duas vezes diga-se de passagem, o CQC desta segunda-feira foi pontuado por basicamente dois tipos de matérias: matérias brilhantes e matérias, bem, nulas, simplesmente. No final das contas, o resultado geral do programa acabou sendo apenas mediano. Vamos às considerações:

Pontos Altos:

Quem poderia imaginar que uma pobre e indefesa mulher conseguiria tão magistralmente enfrentar, sozinha, a monstruosa Lei Eleitoral No. 9.504/97, e tornar novamente a cobertura eleitoral ácida e divertida? Não há melhor escolha de palavras para definir a matéria deste verdadeiro sopro beleza divina, Mônica Iozzi, nos bastidores do primeiro debate on-line entre presidenciáveis. Aliás, seguindo a tradição de pessoas as quais preciso desafia para duelar pela honra de Mônica Iozzi, será que terei que desafiar, quem diria, a outrora grande inimiga do CQC, Marta Suplicy, após tão libidinoso abraço em Mônica na dita matéria? Curioso observar que, se eu vencesse o duelo com a três pessoas que desafiei até agora, Malandro, Serra e Marta, o mundo seria um lugar melhor para se viver.

Impossível não citar também a genial matéria de Danilo Gentili na passeada do “Humor Sem Censura”. Muito já foi falado, inclusive semana após semana nestas análises, sobre a bastarda Lei Eleitoral No. 9.504/97, e creio que todos vocês, leitores do Oiapoque ao Chuí, sabem muito bem o que ela representa: fascismo puro e simples. Mas há algo de mais profundo e, de certa forma triste, no próprio fato da passeata realizada neste domingo. Humoristas, a classe mais caótica e, por que não, imprestável do ramo do entretenimento, terem organizado uma passeata desse tipo é a síntese perfeita da história passada e presente do Brasil. Somos o país da piada pronta. E o pior é que aos poucos o resto do mundo está começando a descobrir isso também, visto o destaque que esse absurdo teve na imprensa internacional.

Gostaria de aproveitar o ensejo para alertar que, com ou sem censura, no final das contas, nenhuma mudança importante se dá através da política. Há uma citação-chave de escritor argeliano vencedor do Nobel de literatura, Albert Camus, que embora date ainda do século passado, poderia ter sido escrita há mais de mil anos que permaneceria assustadoramente atual e profética:

"A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política". 

Tão simples e tão verdadeiro. Ainda no clima das citações, gostaria de mencionar uma, retirada da música “Tá Tudo Mudando”, do glorioso Zé Ramalho, que define com maestria a posição em que se encontram os humoristas e a sociedade civil como um todo nestas eleições:
"De mãos atadas não se pode vencer".

Agora, quem um dia imaginou ver, evidentemente excluindo o caso da Copa do Mundo, uma matéria futebolística entre os pontos altos? Mas, tal fato torna-se impossível de não acontecer após a, bastante imparcial como bem disse Tas, matéria de Rafinha Bastos na final da Copa Libertadores da América, na ocasião do jogo Internacional vs. Chivas. Foi um colírio aos olhos essa variação de repórteres, e além disso, é sempre bom quando Rafinha Bastos realiza uma matéria dita “normal” sem ser um “Proteste Já”, matérias essas bastante raras e que, talvez justamente devido a essa irregularidade, estão sempre acima da média. E é claro, destaque especial para Rafinha ironizando o “estilo” jornalístico de Felipe Andreoli, momento este para guardar em um álbum de recordações.

E finalmente, resta-me citar o sempre divertido “Top Five”.

Pontos Intermediários:

É preciso começar este seguimento citando a sofrível matéria de meu grande amigo e leitor Rafael Cortez no leilão beneficente na Daslu, que, apesar de tudo, foi capaz de arrancar algumas risadas. É preciso também citar a matéria de Felipe Andreoli com os novos jogadores da seleção brasileira. Apesar de agora, em tempos de pós-copa, matérias desse estilo já terem atingido o nível máximo de saturação, a desta segunda-feira conseguiu ser divertida e ao mesmo tempo ter, ainda que moderadamente, um certo frescor. Ainda sobre Felipe Andreoli, resta-me citar a matéria dele no lançamento do vinho de Galvão Bueno, o qual apenas posso repetir os comentários das duas matérias anteriores.

E agora chegamos ao verdadeiro coringa dentro do CQC, a eterna incógnita, o quadro que é desprezado por todos, inclusive pela própria equipe do CQC, mas que continua a existir por razões que nenhum ser humano jamais terá conhecimento. Sim, estou falando do CQTeste, no caso desta segunda-feira, com a ex-BBB Tessália. É preciso deixar claro que o quadro aparece aqui entre os pontos intermediários unicamente pela presença de Danilo Gentili, que verdadeiramente salvou o quadro da podridão absoluta, e por todas as subseqüentes piadas auto-críticas a respeito do quadro. E vale sempre repetir: Cortez, se livre do CQTeste logo, ou será tarde demais para todos nós.

Por fim, resta-me citar o, também incógnito, final do programa desta segunda-feira envolvendo a piada com Dunga. Não sei precisar se este final, do tipo “tapa-buraco”, já que ainda restava algum tempo a ser preenchido, mas não tempo suficiente para exibir o aguardado “Documento da Semana”, foi genial ou simplesmente idiota. Optando pelo meio termo, o incluo aqui e façamos daqui ponto final deste segmento.

Pontos Baixos:
E figura aqui, solitariamente, o “O Povo Quer Saber” com Leo Santana. Apesar da simpatia do sujeito, Gentili não estava lá para salvar também este quadro da desgraça (literalmente) absoluta, ainda que, para nossa sorte, o quadro tenha sido excepcionalmente curto. E, é claro, servindo à tradição, é preciso citar a sempre nefasta ausência do “Proteste Já”.
Nota: 7,0

Audiência: O CQC marcou 5.3 de média e picos de 7.

Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr



Saiba como o Pedro faz as suas Análises do CQC
http://www.cqcblog.com/2010/08/quem-analisa-os-analistas-por-pedro.html

Perdeu o CQC ou que rever o programa?
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Análise do CQC 110 - por Pedro Rech

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4 comentários:

  1. sem esquecer da ausência do Oscar nas matérias

    mas amei demais o Top Five e o tombo do Luque em "O Formigueiro" (só faltou a do Cortez no Programa do Loreno, na ClicTV)

    (OBS.: não sei se percebeu, mas após apagarem o 1º fogo-de-artifício q o Luque acendeu, o "Q" do CQC ficou balançando lentamente sem parar :-P)

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  2. Cara, incrível a nossa habilidade de notar coisas inúteis, mas eu reparei nisso também. Aliás, o letreiro deve ser bem vagabundo pra ficar balançando daquele jeito.

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  3. Realmente, só vcs notaram isso. Ah, e o cenário inteiro do CQC é desmontável. Quem sabe não é feito de Lego tb? Em uma próxima oportunidade eu chegarei pertinho para conferir hahaha.

    Concordei bastante com a análise do Pedro, menos no CQTeste. Nem o Danilo salvou o quadro ontem.

    A nota 7 que o Pedro deu foi até demais. Eu daria um 6,5 por causa da Monica.

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  4. Hahahaha, eu achei que eu estava pegando pesado demais... Hoje na faculdade todo mundo ficou me falando que tinha achado o programa muito divertido, mas eu achei completamente nulo. Aliás, é muito difícil escrever essas análises quando o programa é ruim... Eu me expresso melhor falando bem das coisas.

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