quinta-feira, agosto 19, 2010

Quem Analisa os Analistas? - por Pedro Rech

Um breve tratado sobre as análises deste belo blog e da igualmente bela pessoa que as faz.

Olá hipotéticos e incultos leitores. Em um ato de benevolência divina, resolvi gastar uns poucos minutos de meu valioso tempo para vir aqui e lhes contar um pouco mais sobre os bastidores de minhas aclamadas análises e também, vejam só, sobre mim mesmo.

Resolvi esquematizar este tratado na forma de uma espécie de FAQ. Que tal? Bom, a palavra final é minha, então será do jeito que eu quero e a opinião de vocês não importa. Então, vamos à primeira pergunta:

1 - Como eu, de mero espectador entusiasmado e ser humano médio, ascendi até este prestigioso cargo de analista? (Essa é uma excelente pergunta, a qual eu próprio talvez não saiba responder de forma satisfatória.)
Resposta: Retrocedendo na linha do tempo, um dia eu era um insignificante rato de tópicos de Orkut, fazendo análises entusiasmadas (e hoje, obviamente, bastante amadoras) sobre o CQC e diversos outros programas de meu agrado, até que um belo dia, a grande matriarca deste blog, a Viviane Pereira (Vivis), surge em minha página de recados perguntando se eu não gostaria de escrever análises semanais do CQC exclusivamente para o CQCBlog, e, sem exitar, aceitei essa função de grande prestígio. Os comos e por quês de Viviane ter me oferecido a função permanecem uma incógnita até a presente data. Seja como for, as minhas até então bastante modestas análises começaram a ter certa relevância e reconhecimento, e aos poucos o meu inflamável ego passou a crescer de forma incontrolável até que me tornei este monstro narcisista, que escreve análises quilométricas e que ultrapassam todos os níveis da imparcialidade ou distanciamento passional que esse trabalho obviamente exigiria. Não é, sob qualquer aspecto, uma história interessante. O fim.


2 - Perguntará então o ávido leitor, como eu faço minhas análises? 
Resposta: Veja bem, leitor ignorante, é uma rotina realmente muito simples: toda a segunda-feira à noite, após um vasto jantar de carnes finas, visto meu roupão de seda egípcia, pego meu caderninho com capa de couro, que serve a este fim exclusivamente, a minha caneta Mont Blanc de cor azul, uma bela taça de vinho tinto cabernet sauvignon, acendo a lareira, sento-me em uma confortável poltrona posicionada em frente ao meu televisor de alta-definição e, com a alegria de uma criança em uma loja de doces, me coloco a assistir o CQC, a cada matéria escrevendo frenéticas anotações em meu caderninho. Ao término do CQC, escrevo algumas breves considerações finais, deito, tristemente sozinho, em minha cama de lençóis italianos e tenho deliciosos sonhos envolvendo, muito frequentemente, a única coisa perante à qual toda minha fortuna passa a não ter valor algum, a deslumbrante Mônica Iozzi. Às vezes o meu mais fiel leitor, Rafael Cortez, me visita em sonhos também, mas esse assunto diz respeito exclusivamente à meu psiquiatra.

Após uma revigorante noite de sono, me levanto e ponho-me imediatamente em frente ao computador (às vezes, sinto a falsa nostalgia de não poder escrever em uma máquina de escrever), onde organizo as anotações da noite anterior e escrevo o esboço da análise. Depois, dou uma breve olhada em tópicos de discussão no Orkut e comentários avulsos no Twitter para ter certeza de que não estou escrevendo nenhuma incoerência e, após uma série de revisões, envio a versão final da análise para o e-mail deste blog (acreditem, apesar de colaborador fundamental, eu não tenho poder nenhum sob este domínio, mas acho que meus colegas de blog estão sendo bastante sensatos em não me fornecer acesso à esta conta), recosto-me em minha cadeira e finalmente fumo um charuto cubano enquanto penso, em regozijo, “o trabalho está feito”.

(Talvez essa pergunta não tenha ocorrido em nenhuma cabeça à qual os olhos estejam a percorrer estas humildes confissões, mas vou responde-la de qualquer forma)
3 - Essas análises influenciaram, sob qualquer aspecto, os rumos de minha vida? 
Resposta: Provavelmente não. Mas, algumas coisas bastante agradáveis aconteceram desde que eu me tornei colaborador do CQCBlog que poderiam não ter acontecido de outra forma. Por exemplo, quem diria, eu fui elogiado já em duas ocasiões pelo galã deste novo século, Rafael Cortez, que muitos podem não ter acreditado nas incontáveis vezes que mencionei isso em minhas análises, mas que é realmente um leitor assíduo dessa sessão. A primeira ocasião ocorreu há alguns meses, e se deu da seguinte forma: uma bela manhã, encontro um recado vindo de um certo Rafael Cortez na caixa de spam do Orkut, elogiando minhas análises e lamentando o fato de eu repudiar o CQTeste. O curioso é que o recado foi enviado em plena Copa do Mundo, com Cortez na África do Sul. Apesar de o perfil parecer autêntico, e apesar de eu ter respondido Cortez com uma verdadeira dissertação explicando o porquê de eu ter tanto desgosto pelo CQTeste, acabei por supor que tratava-se de um perfil falso. Ao marcar como “não é spam”, o recado desapareceu para sempre, e confesso que, algumas semanas depois, passei a desconfiar que a situação toda tinha sido uma alucinação decorrente da mistura de sonhos com realidade.

O tempo passou, e então acontece de a já citada matriarca deste blog, Viviane, ir assistir ao CQC na platéia e lá encontrar ninguém menos do que Cortez em carne e osso. E é em uma conversa informal com Viviane, e diversos outras testemunhas, que Cortez repete exatamente as mesmas palavras do recado perdido, mas acrescentando muito mais elogios e, barrocamente, muito mais fúria ao fato de eu repudiar o CQTeste. Foi um grande dia aquele. O que mais me interessa nisso tudo não é nem o fato de Cortez ser um leitor fiel, aliás, eu não poderia me importar (de todos, tinha que ser logo o Cortez? Não poderia ser um cara mais bonito e engraçado, como o Gentili? Ó, como és cruel, destino), o que realmente importa é isso: Cortez e Mônica Iozzi são, ao que eu posso supor através de entrevistas e declarações esporádicas na imensidão da internet, amigos. [devaneio do Pedro on] Logo, é bastante provável que entre uma conversa e outra, Cortez tenha comentando com Mônica a respeito de um certo jovem culto, bonito, atlético e refinado e umas certas análises que esse jovem faz semanalmente sobre o CQC. [devaneio do Pedro off] A quem não ligou as características com a pessoa, o tal jovem sou eu, leitores ingratos. Enfim, podem calcular as probabilidades de essa criatura celestial divina estar me lendo nesse exato instante e suspirado de amor por quem vos fala? Bom, na verdade, as probabilidades são realmente bastante reduzidas. Mas eu não vou pensar nisso, do contrário, um nó pronto a ser dado ao redor de meu pescoço estará me esperando.

Ah, antes que eu me esqueça, muito menos importante do que tudo isso é que, graças a este blog, uma equipe do principal jornal impresso aqui de Caxias do Sul, o duvidoso “Pioneiro”, me localizou e me entrevistou para uma matéria especial com o tema “os jovens e a política”. O mundo tomou uma curva terrivelmente errada quando uma pessoa como eu se torna referência neste assunto. Até a presente data, a tal matéria não havia saído no jornal, fato este que enche o humilde narrador de desgosto.


E eis que chega a derradeira questão:
4 - Por que eu faço tudo isso? (Afinal, eu nunca ganhei um centavo que seja com estas análises, e dificilmente ganharei. Tampouco conquistarei o coração de Mônica Iozzi, apesar dos flertes gafolheiros que eu dedico à ela análise após análise, inclusive presentes neste texto. Poderiam citar um suposto “prestígio” que eu tenho como analista, mas nestes tempos sombrios em que vivemos, prestígio vale menos do que um geladinho de uva. O mesmo vale para aquela tal entrevista e tudo o mais que possa vir daqui para a frente.)
Resposta: E eis que, estimados leitores, lhes respondo o sentido disso tudo: é pela diversão, pura e simples, que eu dedico estas poucas horas semanais a fazer minhas análises. E nada mais.


Epílogo


Como brinde por terem perdido tempo lendo este memorial, lhes presenteio com uma página original de meu caderno de anotações. Antes, uma breve explicação: eu normalmente dedico uma página para anotações referentes aos “Pontos Altos” e observações gerais sobre o programa, porque eu parto do pressuposto que os “Pontos Intermediários” e “Pontos Baixos” constituirão, juntos, menos da metade do CQC (o que de fato costuma acontecer), por isso os deixo juntos no verso da página. O que vocês verão a seguir é a página dos “Pontos Altos”, e para registros históricos, tratam-se das anotações referentes ao programa do dia 02/08/2010. Boa noite.

Posted By: Viviane Pereira

Quem Analisa os Analistas? - por Pedro Rech

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8 comentários:

  1. Mais um texto impagável do Pedro né? Eu tinha certeza que era deste jeito que ele fazia as análises do CQC.

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  2. Hahahaha! Belo texto, jovem.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. romateles: Sinto muito, achei muito irônico e desagradável seu texto.
    Existem maneiras mais interessantes e inteligentes p/ vc demonstrar como é feito seu trabalho que acompanho e leio toda semana

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  5. Engraçado como as pessoas tratam "muita irônia" como um defeito...

    Mas o pequeno Vini gostou, é só isso que importa.

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  6. Não acho defeito a ironia e sim a desvalorização de seu próprio trabalho.

    kkkkKkk... Parabéns pelo comentário sobre o pequeno Vini!!!!

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  7. Ah, então sua reclamação é com o fato de eu me levar a sério? Uau, primeira vez que isso acontece. Fico feliz... Eu acho.

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  8. Errata: "não me levar a sério".

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