terça-feira, setembro 28, 2010

Análise do CQC 115 – por Pedro Rech


Eis que após um programa fraquinho, o CQC retorna... Bom, um pouco menos fraquinho. Apesar das excelentes matérias políticas, uma enxurrada de matérias inúteis e de qualidade questionável pesaram na balança, fazendo com que o programa desta segunda-feira fosse, apenas, mediano, apesar do importante contexto de ter sido o último programa antes das eleições. Vamos às considerações.


Pontos Altos:

Primeiramente, preciso citar a derradeira matéria de Felipe Andreoli, Mônica Iozzi e Danilo Gentili atrás dos ditos presidenciáveis. É preciso também louvar a iniciativa do CQC de dar voz àqueles pequenos candidatos da esquerda, que jamais seriam ouvidos em outro lugar. Seguindo, é claro que precisa figurar aqui a matéria de nosso adorável ex-leitor, Rafael Cortez, no Prêmio Comunique-se 2010, cobertura essa que tradicionalmente encontra-se entre os pontos altos desde 2008 (isto é, se essas análises existissem naqueles bons tempos) e que foi ainda mais interessante esse ano pela temática abordada pela matéria a respeito dos recentes e grotescos casos de censura e hostilidades contra a imprensa por parte de altos membros do governo.
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E agora, talvez o verdadeiro ponto alto dessa semana, eis que o bom filho à casa torna em uma matéria de encher os olhos. Sim, estou falando da matéria de Danilo Gentili, o filho da terra dos monstros que é Brasília, no julgamento do caso de Joaquim Roriz pelo STF. Esse julgamento é um típico caso de algo que parece, mas não é. Afinal, parecia que quem estava sendo julgado era Roriz, mas a verdade é que quem estava sendo julgado, de fato, eram os próprios ministros e, por conseqüência, toda a estrutura governamental do Brasil. E, novamente, se alguém ainda tinha alguma dúvida, fomos todos traídos pelos nossos líderes. Gostaria de compartilhar aqui um conselho, talvez o melhor que eu recebi até hoje, de meu pai. Ele me disse certa vez “Meu filho, nunca confie em um homem de saia”. No caso, isso se refere tanto à padres, escoceses e, é claro, ministros do STF.
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Seguindo, impossível não citar mais um “Proteste Já” brilhante, dessa vez sobre os problemas de acessibilidade da rede de transporte público de Suzano, SP. Também impossível não citar o “Documento da Semana” (Tas, Tas, Tas... Quando tudo pareciam rosas, eis que ele novamente erra em cheio o nome do quadro... Ainda resta alguma esperança para nós, seres humanos?) sobre o eleitor. Matérias como essa deixam mais do que claro que, se por um lado temos um governo de canalhas, do outro, temos uma população de imbecis. E é notório que preciso destacar a participação especial de, vejam só, Marcelo Tas em pessoa na matéria. Um toque de gênio.
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By @tasmaniacas
E, por fim, resta-me citar um “Top Five” fantástico como há muito não se via e o sempre divertido “A Semana Em Fotos”.


Pontos Intermediários:

Aqui no meio-termo, é preciso citar a matéria de Felipe Andreoli no Festival de Cinema do Rio, que apesar de divertidinha, não saiu do lugar-comum desse tipo de matéria, além do “O Povo Quer Saber”, com Larissa Riquelme, que também não merece grandes considerações apesar de ter provocado certos risos e, por fim, o tradicional final tapa-buraco do último bloco, dessa vez com Joaquim Roriz, que figura aqui entre os pontos intermediários apenas pelo fato de ter sido desperdiçada uma bela oportunidade de se dar um soco da cara de Roriz, em termos metafóricos é claro, com uma piada, pelo menos, um pouco mais crítica.



Pontos Baixos:

Iniciando este segmento, é preciso citar a matéria de Oscar Filho no “Oscar Fashion Days”, onde pode ser observado um típico caso de pauta inútil que requer uma subtrama, no caso a do sapato, para torna-la menos tenebrosa. Como a subtrama em questão foi tão ruim quanto todo o resto, não houve o que se salvasse aqui. Falando em Oscar Filho, coitado, ao que parece todas as pautas ruins são imediatamente repassadas à ele, é preciso também citar sua matéria na Festa Internacional de Teatro de Angra, que nem subtrama teve, ou seja, era um caso perdido desde o começo.
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Mas, eis que chegamos a ele, talvez, o ponto mais baixo de toda a história da humanidade. Sim, estou falando do “CQTeste” com a banda Restart. Por partes: em primeiro lugar, é claro que a participação especial da banda Restart ao vivo foi hilária (e, graças ao homenzinho invisível que mora nas nuvens, não deram microfones aos rapazes coloridos!). Também foi sensacional o decorrer de toda essa história, que se arrasta já há três semanas. Por um lado, muitos acusam o CQC de estar descaradamente tentando atrair a audiência dos fãs desmiolados da banda, mas quando se entende como opera a mentalidade por trás do CQC, fica claro que o objetivo principal sempre foi justamente irritar essa parcela da audiência, apesar de que, obviamente, a visibilidade que a situação alcançou com toda a certeza já era esperada e planejada. Quanto ao “CQTeste” em si, resta-me apenas citar, pela segunda vez na linha do tempo dessas análises, as últimas palavras do Sr. Kurtz no livro “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad: “O horror! O horror! O horror!”. De certa forma, torno-me assim, um profeta, pois quem é leitor assíduo deste espaço sempre leu em minhas análises a previsão terrível de que o “CQTeste” sempre vai possibilitar a criação desse tipo de monstruosidade televisiva. Foi assim com o “CQTeste” do Ronaldo em 2009, foi assim com o “CQTeste” do Restart essa semana, e será assim até o dia em que esse quadro seja morto, enterrado e, se possível, esquecido.
  
Nota: 7,5

Audiência: CQC marcou 4.9 de média, pico de 7.5 e 8.5% de share.

E vocês, leitores incultos? O que acharam da CQC desta segunda-feira? O que acharam da participação do Restart, bem como das diversas participações especiais que vem ocorrendo ao longo da temporada? E, para domingo, já estão prontos para perder seu tempo votando? Acham que o CQC de alguma forma influenciou a opinião geral nessas eleições com a sua cobertura? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!
Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr



Leia todas as análises do CQC  http://www.cqcblog.com/analisecqc
Posted By: Viviane Pereira

Análise do CQC 115 – por Pedro Rech

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7 comentários:

  1. Gostei muito do Restart sufocando o Rafinha, ele merece, apesar de suas criticas muitas vezes serem de um sentido real, ele também tem suas idéias que atualmente estão sem futuro. No inicio o CQC era um programa pra toda família, agora com tanta baboseira que o Rafinha fala, temos que tirarmos as crianças da sala, isso é claro, se quisermos assistir o CQC.

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  2. Discordo do comentário acima. Se para as crianças o Rafinha se tornou ácido e malvado, para os adultos e jovens ele se tornou aquele que fala na cara aquilo que o telespectador pensa. Se a matéria é ruim, ele vai lá e fala. O meu favorito, na bancada e no programa.

    E ao Pedro ao citar: "Meu filho, nunca confie em um homem de saia. No caso, isso se refere tanto à padres, escoceses e, é claro, ministros do STF. "

    Esqueceu dos travestis. Não confie neles também.

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  3. Hahahaha, eu queria evitar as acusações de homofobia... Mas, sinceramente, esse comentário sobre o Rafinha não fez muito sentido. Ao meu ver, ele está se superando a cada semana. Não são raras as vezes que ele sozinho salva o programa.

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  4. Desculpe os demais comentaristas, não quis com minhas palavras levantar uma questão, e sim dar uma possibilidade de melhora ao programa, quanto ao Rafinha, ele é um grande artista, e quando me referi dizendo "é necessário tirar as crianças da sala", falei sobre as palavras "pesadas" que as vezes ele usa, coisas que vós não diriam as suas filhinhas adolescentes que estão de olho no programa.

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  5. Concordo com o Pedro e a Vivis.O rafinha é atualmente o mais hilário e critico do CQC,por isso que acho que ele nunca deve sair.Ele sabe muito bem aliar a critica,o pensamento geral da nação e o humor.Isso aconteceu depois d'A Liga.
    Comentarios como os de Rafinha são esênciais para,usando suas próprias palavras,"Crescermos enquanto ser humanos"

    E VOCÊS O QUE ACHAM? COMENTEM AÍ...

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  6. O programa foi bem gostosinho. As pautas políticas estavam excelentes. O programa foi bem equilibrado. Quanto ao Rafinha, concordo que o que ele fala não é pra criança ouvir, acredito até que o CQC poderia ser reclassificado.

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  7. Eu adoro o programa e os meninos, mas não tenho sentido firmeza, nos últimos tempos: escracho ou seriedade? É um programa humorístico ou jornalístico? Eu gostaria que eles se decidissem. Sei que há questões financeiras envolvidas (sem Ibope, sem patrocínio e the end), mas não dá para ficar em cima do muro muito tempo. Eu amo o Tas, mas aquela postura de irmão mais velho com o Rafinha e o Luque tá ficando chata. O primeiro tem segurado o programa e o segundo não é mais o mesmo, depois do lançamento do programa próprio. Quanto aos demais, nota-se o esforço para tornar interessantes, pautas desinteressantes e limitadas ao eixo Rio - São Paulo. E o resto do país? E do mundo? Como fã, espero,. sinceramente, que a situação melhore...

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