terça-feira, outubro 05, 2010

Análise do CQC 116 por Pedro Rech

Entre divertidos erros e muita empolgação, eis que foi ao ar o, diria, épico CQC especial de eleições 2010. Talvez, ao contrário do que muitos possam ter imaginado, incluindo o humilde analista que vos fala, não foi o melhor programa da história do CQC, nem mesmo talvez o melhor do ano. Todavia, foi uma pérola preciosa e exemplo a ser guardado por gerações de produção jornalística. Vamos às considerações mais apuradas.

Pontos Altos: 
Eu estaria sendo no mínimo tolo ao tentar dividir em quadros os pontos altos dessa semana, então, colocarei a situação apenas nessas palavras: absolutamente toda a cobertura eleitoral merece, e com folga, figurar aqui entre os pontos altos. Assim sendo, gostaria de destacar alguns pontos que merecem os louros da vitória: o que foi Rafinha Bastos entrevistando o derrotado Netinho? Aliás, o que foi Rafinha Bastos em toda a cobertura? Confesso que, ao ver as entrevistas de Rafinha, lágrimas quase verteram de meus olhos. Foi simplesmente lindo. Rafinha descarregou no programa desta segunda-feira os meses e meses sem realizar qualquer tipo de matéria para o CQC.

No mesmo nível, tenho que citar este que talvez tenha sido um dos ápices do jornalismo investigativo marginal em toda a história da televisão: a entrevista de Danilo Gentili com o também derrotado Ronaldo Ésper. Naquele momento, fazendo referência ao grande autor Hunter S. Thompson, ficou mais do que claro que Danilo Gentili é uma criatura estranha demais para viver, e rara demais para morrer. O mesmo cabe à entrevista de Gentili com, vejam só, Faustão.

E há muito mais também a ser citado: minha ex-musa, Mônica Iozzi, levando as piadas sobre ter um relacionamento com Serra até as últimas conseqüências, meu ex-leitor, Rafael Cortez, fazendo Fernando Gabeira perder a razão, Felipe Andreoli tirando seu sapato para Eduardo Paes, Oscar Filho sendo absurdamente agredido aqui na minha terra-mãe, Rio Grande do Sul, a ligação de Maluf parabenizando Alckmin, e, claro, Marco Luque e seu grande amigo, Lula.

Mas, apesar de todos esses elogios, tenho algumas ressalvas à fazer. A primeira diz respeito à Marco Luque. Sim, é mais do que claro que Luque não tem grande experiência como repórter de rua, mas, por exemplo, na cobertura eleitoral de 2008 ele conseguiu contornar esse problema de forma muito eficiente. Todavia, no programa desta segunda-feira, como ele pode estar simplesmente entrevistando Paulo Maluf, a respeito do ficha limpa, e mesmo assim tê-lo feito se sair bem? Onde estavam as perguntas ácidas? Sem contar que, por exemplo, na entrevista com Frank Aguiar e Fábio Jr., ficou mais do que notório que a capacidade de improviso de Luque nesse tipo de contexto está bastante prejudicado.

A segunda e última ressalva vai para ele, como não poderia deixar de ser, Oscar Filho. É claro que a já mencionada surreal agressão por parte do segurança de Dilma, além do fato de ter sido memorável, certamente deve ter atrapalhado e confundido os nervos nos momentos críticos, mas, de toda a infinidade de perguntas que poderiam ter sido feitas por Oscar, não é lamentável que justamente as menos ácidas, menos políticas e, o grande pecado, menos engraçadas terem sido as únicas feitas? Uma grande oportunidade foi perdida ali.

Finalmente seguindo além da cobertura eleitoral, é minha responsabilidade como admirador das finas artes citar ele, o milionário curta-metragem de abertura da cobertura eleitoral, apesar de ter sido exibido próximo do fim (mas, como isso rendeu um comentário extremamente sincero e brilhante por parte de Rafinha Bastos sobre a fraca audiência no início do programa, creio que a mudança de ordem valeu a pena). Aliás, é de meu conhecimento que diversos leitores tradicionais deste belo blog fizeram figuração no curta, e a eles os meus sinceros parabéns.

Por fim, resta-me citar o morno “Top Five”, apesar da genial primeira colocação, e aqui cabe também uma pequena ressalva. O segundo colocado, aquele vídeo envolvendo violência dos espectadores em uma competição de ciclismo, deve tradicionalmente aparecer nas videocassetadas do programa do Faustão todos os domingos desde... Bom, desde que as videocassetadas foram inventadas. Portando, sua colocação, apesar de tudo, foi absolutamente desnecessária.

Pontos Intermediários: 
A verdade é que o CQC dessa segunda-feira foi um programa marcado por extremos, portando, as matérias oscilaram entre a genialidade e a desgraça, logo, não resta nada que poderia se adequar à esta categoria intermediária.

Pontos Baixos: 
Como em toda os grandes monumentos da humanidade, desde os cobertos em ouro ou os cobertos em latão, há sempre, em algum canto remoto, aquela defecada de pombo, e não poderia ter sido diferente com o monumental CQC desta segunda-feira. E, é claro, eu estou a falar do CQTeste com Túlio Maravilha, uma verdadeira, perdoem-me a falta de classe, cagada. Fora isso, resta-me apenas citar os divertidíssimos erros de gravação... Todos os cinco segundos deles. Claro que isso foi compensado por outros trinta segundos após o intervalo comercial, mas foi uma forma sacana demais de terminar o, por que não, histórico programa.

Nota: 9
Audiência: O CQC marcou 5.3 de média, pico de 8.1 e 9% de share.

E vocês, leitores incultos? O que acharam da CQC desta segunda-feira? A cobertura das eleições de 2010 fizeram jus à mesma cobertura de 2008? E, partindo para a dita esfera da vida real, qual é o balanço final de vocês dos resultados desse verdadeiro circo da política, apesar de que, é claro, ainda não tenhamos chegado ao final de fato? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!

Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

Leia todas as análises do CQC  http://www.cqcblog.com/analisecqc 

Playlist: Vídeos do CQC 116:  http://migre.me/1u45j Agradecimentos ao parceiro MIRCMIRC
Posted By: CQC Blog

Análise do CQC 116 por Pedro Rech

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2 comentários:

  1. Eu achei a cobertura das eleições espetacular. Não foi igual a de 2008, mas foi muito boa tb. Achei que o Felipe e o Rafa no Rio deram uma leveza para a cobertura de SP e do Rio Grande do Sul. O Luque tb foi bem, deu o tom non-sense as matérias políticas.

    Os melhores Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

    A ficção foi espetacular tb, muito bem produzida, poderia ter uma por mês!

    O Top Five poderia ser só da Weslian Roriz, nem precisava de mais nada.

    Cqteste ridículo.

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  2. O CQC 116 FOI ALERTA PARA TODOS NÓS ELITORES....O CURTA QUE FOI EXIBIDO MOSTROU CLARAMENTE A REALIDADE NO NOSSO PAÍS!POLÍTICOS COM ÓTMOS DISCURSOS,MAS COM PÉSSIMAS INTENÇÕES!A COBERTURA DAS ELEIÇÕES FOI MTO BOA,DESTAQUE PARA RAFINHA BASTOS E GENTILI,DERAM SHOW NAS PERGUNTAS!!!AGORA O QUE FOI O CQTESTE COM O TÚLIO?

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