terça-feira, outubro 19, 2010

Análise do CQC 118 - por Pedro Rech

Bom dia, boa tarde e boa noite, leitores incultos. Sentiram minha falta nessa semana que passou? Bom, todos merecem uma folga, acredito. Seja como for, mesmo tendo me mantido uma semana ausente, pouca coisa estava diferente no CQC dessa segunda-feira. A bancada continua em sua melhor fase em toda a história do programa, a platéia continua com sua apatia e não respondendo a altura do merecimento da bancada e matérias excelentes continuam a disputar espaço com matérias inúteis. Sem mais, vamos as considerações.

Pontos Altos: 
Inicio os trabalhos dessa semana com a sempre espetacular e rotineira matéria, dessa vez com Mônica Iozzi e Felipe Andreoli, atrás dos ditos presidenciáveis.

Seguindo, eis que chegamos ao verdadeiro ponto alto dessa segunda-feira, o “Documento da Semana” (vejam só, Tas acertou o nome do quadro novamente) sobre o aborto. Até que enfim um debate coerente na televisão aberta e que mostra, além do absurdo que está ocorrendo nessas eleições, onde ganha quem é mais cristão, mas que mostrou também o óbvio: a única coisa que impede a legalização do aborto é a irracionalidade da religião organizada que agora contamina todos os setores da política. Afinal, essa situação não é de hoje, mas nota-se que nesta campanha eleitoral em especial, contra todos os princípios darwinianos, os quais inclusive os religiosos tanto negam, os eleitores estão regredindo ao nível de ameba ao pautar o destino do Brasil no tópico "aborto", que como Tas bem disse, pouca relação tem com o presidente. No final das contas, o Brasil, em teoria, ainda é um estado laico. Até quando teremos símbolos religiosos em repartições públicas? Até quando será negada a união civil entre homossexuais? Até quando pessoas terão que morrer em clínicas clandestinas de aborto? E todo esse sangue é derramado em nome do quê? Em nome do que um determinado grupo da sociedade acha correto?

Seguindo, impossível não citar a hilária matéria de nosso ilustre ex-leitor e amigo, Rafael Cortez, na convenção do PV. Aliás, nessa matéria ficou claro, pegando o exemplo de Marina, em que situação está o povo brasileiro. Nessas eleições, e em todas as eleições passadas e futuras, estaremos sempre condenados a escolher entre algo ruim e algo pior ainda. Assim, a neutralidade é a única saída existente. Impossível também não citar o, por outro lado nem um pouco engraçado, diga-se de passagem, “Proteste Já” sobre a linha de trem na cidade de Americana. Poucas vezes o “Proteste Já” abordou um problema tão estúpido que custou tantas vidas.

E, finalmente, cabe aqui mencionar o sensacional “O Povo Quer Saber” com a avó de todos nós, Palmirinha, e o sempre bem-vindo “Top Five”.o organizada contamina todos os setores da polbsurdo que acabou sendo divertida.



Pontos Intermediários:

Aqui, é preciso citar as sempre dispensáveis matérias futebolísticas, no caso, estou falando da cobertura do jogo São Paulo x Santos, por Oscar Filho. O que salvou em parte a cobertura foi o óbvio despreparo e ignorância futebolística de Oscar Filho, tirando, como já ocorreram outras vezes no passado, a matéria do lugar-comum. Depois, é preciso citar a matéria de Rafael Cortez no show do Gilberto Gil, típica pauta pouco importante com cantores da MPB, mas que acabou sendo divertida. E, finalizando, menciono aqui a demasiadamente longa piada envolvendo os mineiros chilenos em formato “reallity-show” e o subseqüente tradicional final tapa-buraco, também com os mineiros. Apesar de divertidas, as piadas apresentadas aqui foram bastante óbvias.



Pontos Baixos: 

Começo esse lamentável segmento com a matéria de Oscar Filho, que, coitado, fez o que pode, na coletiva de imprensa de Pelé. Caso idêntico, cito a também matéria de Oscar Filho na também coletiva de imprensa de Ronaldo. Mais do que inúteis, o grande pecado dessas duas matérias foi o fato de terem sido, na melhor das hipóteses, sem graça. Apesar de que, vale dizer, a “aposta” feita entre Oscar Filho e Ronaldo possa trazer bons frutos no futuro. Por fim, resta-me citar ele, sim, sempre ele, o “CQTeste”, em todo o esplendor de sua ruindade, dessa vez com Léo Santana. As décadas passarão, e o “CQTeste” permanecerá a mesma desgraça.


Sobre o CQC 3.0: 

Como todos sabem, nesta segunda-feira, ao término do CQC, teve início um epílogo on-line com duração de cerca de trinta minutos, que, ao menos nessa estréia, consistiu basicamente na bancada respondendo a perguntas dos espectadores. Em aspectos conceituais, essa é uma excelente iniciativa e é bastante pioneira no cenário brasileiro. De um ponto de vista técnico, todavia, algo ficou a desejar. A transmissão problemática travou rotineiramente até que finalmente não transmitiu mais nada, e, no final das contas, pude ver apenas pouco menos de dez minutos da empreitada. Vejo também que o vídeo dessa segunda-feira foi armazenado para visualizações posteriores, apesar de a graça estar em ver a desgraça ao vivo. Mas, enfim, do que pude ver, há de se dizer que estava absolutamente hilário. Foi como um sonho: a bancada completa, fazendo o que ela sabe fazer de melhor, só que com maior liberdade e ininterruptamente. Não sei dizer até quando essa fórmula irá funcionar sem desgaste, ou que outros conceitos poderiam ser aplicados nesse novo espaço, mas parece que estamos no caminho certo.


Nota: 7


E vocês, leitores incultos? O que acharam da CQC desta segunda-feira? Minha falta foi sentida semana passada? Qual sua opinião sobre o aborto, e consequentemente, sobre a o Brasil como estado laico em geral? E, muito mais importante do que tudo isso, o que acharam do problemático CQC 3.0? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem! 

Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

Leia todas as análises do CQC
http://www.cqcblog.com/analisecqc

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Posted By: Viviane Pereira

Análise do CQC 118 - por Pedro Rech

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7 comentários:

  1. Gostaria de dizer que em 1º lugar quando soube que o Pr, Silas Malafaia iria ter oportunidade de falar a respeito do aborto fiquei feliz, pois é um home m com bastante sabedoria no assunto. Agora quando vi a manipulação que foi feita e ainda dizer que falariam sem preconceitos? Me desculpe, mas ficou bem nítido que o CQC é a favor do aborto e manipulou as palavras de Penélope em relação a tudo que o Silas Malafaia falava. Acho que vocês como pessoas inteligentes, deveriam ser mais coerentes e deixar que fose um debate sem que puxasse para o lado de vocês. Mas o lado bom é que muitos verão como a televisão manipula a verdade como quer, e infelizmente achei que o programa de vocês era exceção, pórem, pude perceber que é o pior deles!

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  2. E onde as palavras do ilustre picareta do Silas Malafaia foram manipuladas? O máximo que você poderia acusar a reportagem de ter feito era de reduzir o seu tempo de fala. Aliás, o que me surpreendeu na reportagem foi justamente a seriedade pouco característica dos envolvidos e a imparcialidade. Se você acha que "puxaram" para o "lado deles", é talvez porque, com uma simples análise superficial do assunto como foi o "Documento da Semana", torne-se claro que o aborto precisa ser legalizado.

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  3. Ele deve estar falando da confrontação que foi feita na edição do vídeo: quando colocavam um motivo do Malafaia, colocavam o depoimento da Penélope rebatendo.

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  4. Hahahaha, bom, se foi isso, ele não deve saber o que é um debate ou o que é ser imparcial.

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  5. Não, estou falando de vocês manipularem mesmo, manipularam a reportagem da Penélope fazendo com que ela respondesse contra os argumentos do Silas. Vocês acham que todo brasileiro é burro?
    A reportagem foi manipulada e isso é indiscutivel. E vocês fizeram isso por serem pró aborto. Pegaram uma mulher que é de uma instituição católica que não é nem aprovado pelo catolicismo, pegaram a Penélope que é de uma filosofia "punk", que tbm é pró aborto, e deixaram que elas falassem a respeito do aborto, manipulando suas falas com as respotas que o Silas falava. Isso não é debate, é manipulação!! Se for para haver um debate Silas x Penélope, ou até mesmo a mulher da instituição "católica", coloquem eles frente a frente e verão o que é debate sem manipulação.
    O Pr. Silas nem teve idéia do que a "punkesinha" estava falando. Com 15 anos ficou grávida e isso não é ser irresponsável ou promíscua? AFFFF!! É muito mais fácil matar o bebê, para continuar sem responsabilidade! E mais, O Pr. Silas em nenhum momento falou em religião ou bíblia, ele somente falou sobre princípios de vida. Pensem nisso!

    Ps. Dê uma olhada nos comentário da reportagem no YOUTUBE, e verão que não sou o único que não sou burro e percebeu a manipulação!

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  6. Anderson, fazer ou não aborto é opção da mulher. Se ela quiser fazer não haverá lei que irá impedi-la. O CQC não quis mudar a opinião de ninguém sobre o aborto, tanto que não mudou a sua.

    O que o CQC quis mostrar é se este assunto é realmente relevante para uma discussão de corrida presidencial e o que deve ser feito em relação a ações de saúde pública, pois em média 250 mil mulheres são internadas anualmente com complicações decorrentes de abortos clandestinos e quem paga a conta é você, eu, o Pedro, o Marcelo TAS e todos que pagam imposto no Brasil.

    Não é porque o aborto pode vir a ser legalizado que todo mundo vai usá-lo como método contraceptivo ou haver apologia ao aborto.

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  7. Queridos,
    se o aborto sendo crime já há tantos, quanto mais se for legalizado. Agora concordo que vocês pagam impostos e tem todo o direito de ter a opinião que quizer, mas também pago meus impostos e a questão não é essa. A verdadeira questão é começar a reportagem dizendo não tomar partido em nenhuma parte e a reportagem em si ser uma apologia a descriminizacão do aborto, manipulada com as respostas de um pastor evangélico. Este sim foi o erro, se vcs querem ser a favor do assassinato de várias crianças, pq é mais fácil matá-las na barriga da mãe para não pesar a consciência.(O que os olhos não veêm o coração não sente!) Porque aborto é aborto e se for descriminalizado, vai ter até mães com oito meses de gestação que se decidiram abortar, dai fica mais fácil fazer uma cessariana e matar a criança a pauladas!
    Agora, quando o Pr. Silas falou que a maioria dos casos de aborto são relacionados a promiscuidade, não é as pessoas serem promiscuas ou não, e sim uma criança de 15 anos tendo relações sexuais um ato de promiscuidade!
    Concordo tbm que a igreja não deveria se juntar a política, mas a questão não é política e sim de valores éticos e morais e isto a igreja sempre irá defender! E graças a Deus que a igreja está mostrando que tem poder para que os valores morais e da família permaneçam, mesmo que toda sociedade cai em moralidade a cada dia!
    Mas sei que por mais que gaste meu tempo aqui tendando mostrar o erro de vocês isto não mudará nada, e nem poderão voltar no tempo para concertar a ridicularidade da reportagem manipuladora. Espero somente que suas mentes estejam consciêntes do que estão fazendo e das consequências que irão trazer, como depressão de muitas mulheres que abortaram e suicídios!

    Abraço!

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