terça-feira, novembro 09, 2010

Análise do CQC 121 - por Pedro Rech


Olá, olá e olá, lindos leitores. Falando de forma franca, o CQC desta segunda-feira foi, eufemismos à parte, uma porcaria. E isso, aliás, não deveria ser motivo de surpresa para ninguém, já que o fato foi comentado abertamente pela própria bancada. Afinal, em época de plena transição de governo, não se falou uma sílaba sequer sobre política ou sobre coisas, de fato, relevantes. Mas, o programa desta segunda-feira, apesar de ainda se enquadrar em uma recente péssima fase dessa terceira temporada, teve um trunfo. Estava simplesmente hilário. Desde a bancada, que como a Fênix ressurgiu de suas próprias cinzas, até as matérias em si (apesar de esta ter sido recebido por uma platéia excepcionalmente apática). Sem mais, aos comentários.

Pontos Altos


Inicio as considerações dessa semana com o “Documento da Semana” sobre os Serviços de Atendimento ao Consumidor, matéria esta que pareceu estar bastante incompleta mas, ainda assim, sempre válida. Seguindo, impossível não citar o “Proteste Já” sobre o cemitério inacabado na cidade de Potim. Aliás, vale destacar algo do qual eu próprio já estava sentindo falta e que foi retomado nessa edição com a ficcionalização da morte de Gentili: todo o aspecto teatral do quadro, bem ao estilo dos bons tempos com Rafinha Bastos (não que esses novos tempos com Gentili estejam sendo ruins, muito pelo contrário): fantasias, aspectos ficcionais, enfim, elementos cômicos que cumprem muito bem seu papel de levar os casos até seu limite para nos mostrar, mas principalmente mostrar aos responsáveis por ele, até que ponto certos problemas podem ser ridículos.


E eis que chegamos ao verdadeiro ponto alto dessa semana e, muito provavelmente, do telejornalismo mundial. Sim, o ápice da imbecilidade do ser humano, ele, o “CQC Investiga” com o ET Bilú! Antes de mais nada, vale tecer algumas breves considerações sobre o “CQC Investiga” como quadro, tendo em vista que ele é um dos mais raros quadros fixos do programa (perdendo apenas talvez para os há muito esquecidos “Cirurgiões”, “Fala Na Cara”, “Palavras Cruzadas” e os recém póstumos “Cidadão Em Ação”, “Trabalho Forçado”, “Luque Responde”, “As Piores Notícias da Semana” e, com grande pesar, até mesmo ele, o “Controle de Qualidade”, que parece ter desaparecido da face da Terra neste ano eleitoral). O fato é que o “CQC Investiga” é verdadeiramente um coringa dentro do CQC, afinal, sob sua égide, já tivemos momentos históricos e referência absoluta de genialidade, como as entrevistas com Inri Cristo e Toninho do Diabo, ainda no longínquo 2008, ou ainda a ocasião em que Danilo Gentili foi preso ao investigar a chamada “lei de tolerância zero” na cidade de Assis, ano passado. Por outro lado, é nesse quadro também que se localizam os acontecimentos mais esquecíveis e patéticos da trajetória de nosso nobre resumo semanal de notícias, como na ocasião em que Danilo Gentili e Padre Quevedo investigaram possíveis assombrações na Câmara Municipal de São Paulo, a vez em que Danilo Gentili foi até a cidade com o maior índice demográfico de anões no Brasil e ainda a ocasião da matéria sobre os “crossdressers”.


Felizmente, a matéria dessa segunda-feira se enquadra na primeira categoria. Apesar, é claro, da grande sacanagem que foi dividir a matéria em duas partes. E, talvez aqui esteja a grande piada disso tudo: foi preciso que um programa humorístico mostrasse como algo é obviamente estúpido enquanto o jornalismo “sério” da Record, e de tantas outras emissoras, não chegaram nem perto de tal conclusão, sendo que bastaria atentar ao nome da criatura para ter a certeza de que era tudo uma grande asneira. E, é claro, vale figurar aqui também a hilária “participação” ao vivo de Bilú.

Seguindo, resta-me citar apenas o, na modesta opinião do analista que vos fala, melhor “Top Five” das últimas semanas, o retorno não tão triunfal do sumido “A Semana Em Fotos” e o tradicional final tapa-buraco, dessa vez com Oscar Filho.



Pontos Intermediários
Começando os trabalhos nesse espaço mediano, eis que coloco aqui a matéria de Felipe Andreoli nas coletivas de imprensa da Fórmula 1, uma matéria que foi salva justamente pela sua curta duração, que a fez ser divertida na medida certa. Seguindo, é preciso citar também a matéria de nosso inspiradíssimo ex-leitor e amigo, Rafael Cortez, na estréia do musical “Hair”, que, apesar de ser uma pauta evidentemente inútil, acabou sendo divertidíssima. E, por fim, menciono aqui a matéria de Mônica Iozzi na estréia do documentário “Senna”, que acabou sendo apenas moderadamente divertida.


Pontos Baixos
É preciso começar citando nesse triste espaço a matéria de Felipe Andreoli no jogo Corinthians x São Paulo, matéria esta que serviu apenas para fazer volume, já que foi igual a tantas outras matérias futebolísticas passadas e futuras, que assolam o programa há anos e que ainda o assolarão nos anos que estão por vir.

Seguindo, cito ele, “O Povo Quer Saber” com Gretchen, sem graça de forma idêntica ao com Rita Cadillac e com tantas outras personalidades classe Z, todas iguais em sua gênese e todas com aparições que beiram a exaustão nesse tipo de quadro genérico do CQC, como o “O Povo Quer Saber” ou o “CQTeste”. Por Anúbis, até quando essa gente sem graça vai tomar de assalto tais quadros?


E, por fim, eis que chega ele, vejam só a grande novidade, o “CQTeste”, dessa vez com... É o Tchan? Tamanha é a imbecilidade disso tudo que farei algo diferente essa semana. Não falarei simplesmente sobre como o “CQTeste” está se superando cada vez mais no quesito “ruindade” ou sobre como “CQTeste” é o câncer do CQC ou todos esses outros bordões e frases de efeito que eu normalmente venho usando nesses meses idos. Não. Dessa vez, falarei um pouco sobre onde o “CQTeste” tomou a curva errada após todos esses anos de programa.

A derrocada do CQTeste

Pois bem, de início, ao que tudo indicava, o “CQTeste” era tanto um espaço para mostrar o quão ignorantes certas celebridades podem ser (alguém já se esqueceu da vez em que Neguinho da Beija-Flor disse que a Terra dava 42 voltas ao redor do Sol por ano?) quanto para fazer entrevistas diferenciadas com pessoas verdadeiramente interessantes. Afinal, naquela época, o “CQTeste” ainda era uma competição, no sentido tradicional da palavra. Ao final da primeira temporada de 2008, com a entrega do Troféu CQTeste para Roger, ao que parecia, havia chegado ao fim um quadro que havia gerado muito, por quê não, divertimento.

No entanto, eis que para a surpresa geral, o “CQTeste” novamente aparece como quadro fixo da segunda temporada em 2009. E é aqui onde algo começa a dar errado. O quadro passa a ser um verdadeiro chamariz de telespectadores que normalmente não assistiriam o CQC, trazendo quase exclusivamente celebridades em alta naquele determinado momento. Em condições normais, em verdade, não haveria nada de errado nisso. Mas, nesse processo, a ganância falou mais alto. Já falei muito sobre este episódio vergonhoso antes, e vocês ainda inda hão de me ver falar muito mais dele, mas o “CQTeste” com Ronaldo foi o ponto-chave desse processo vergonhoso. E ali, além de muitas outras coisas, o aspecto competitivo do quadro passa a ser claramente ignorado, tendo em vista os diversos favorecimentos (seja com perguntas de nível infantil ou com o próprio Cortez dando dicas verdadeiras das respostas) dados a alguns convidados.


E assim a situação se estendeu até o final daquele lindo ano de 2009. E, contra todas as expectativas, eis que o “CQTeste”, em pleno 2010, volta a figurar na programação. E, somando todos esses aspectos negativos que aos poucos foram contaminando o quadro, nesses tempos modernos temos ainda que suportar Rafael Cortez se tornando cada vez mais uma caricatura dele próprio como apresentador do quadro. Todavia, há esperança. Afinal, é notório como nem a própria produção do CQC leva o quadro a sério, tendo em vista a recente participação de Danilo Gentili no quadro, que serviu ao único propósito de ridicularizar a ex-BBB Tessália, ou tendo em vista ainda que os próprios participantes parecem nem mais se importar com a competição. Tudo isso pode indicar que o “CQTeste” está de fato em seu leito de morte. E que morra em paz. Só esperamos que, ano que vem, ele não volte como um zumbi e, vejam só a genialidade literária dessa minha metáfora, não coma nossos cérebros.


Nota: 7

CQC marcou 5.1 de média, pico de 7.2 e 9% de share.

Sobre o CQC 3.0
Imagem  Site oficial do CQC
Ao que parece, a empreitada do CQC 3.0 ainda parece estar funcionando, afinal, ver a bancada em sua forma mais anárquica possível, graças à suposta liberdade da internet, ainda parece um sonho. Além disso, a nova iniciativa da votação de vídeos do “Top Five” foi uma sacada extremamente válida, afinal, recordar é viver. Fora isso, a presença de uma platéia também deu uma certa “incrementada” no espetáculo. Em suma, ainda vale a pena ir deitar-se trinta minutos mais tarde para ver nossos apresentadores favoritos falando imbecilidades, ainda mais agora que aqueles famosas falhas da primeira edição foram corrigidas, mas volto a fazer o alerta que fiz na ocasião da primeira edição: até quando essa fórmula vai funcionar sem se tornar enjoativa?


E vocês, leitores incultos? O que acharam da CQC desta segunda-feira? Será que após o “CQC Investiga” sobre o ET Bilú, esse capítulo da história do audiovisual terá se encerrado para sempre? E, como eu comentei na introdução desta análise, essa fase no mínimo estranha do CQC, onde nos levará? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!
Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

 
 
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Posted By: Viviane Pereira

Análise do CQC 121 - por Pedro Rech

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3 comentários:

  1. Lindos Leitores? ai, ai, ai, ui, ui!

    Pedro só discordo com você em um ponto: a matéria da Monica deveria estar nos pontos baixos. Foi muito ruinzinha msm. E o Documento da semana ficou com a impressão de incompleto mesmo, dada a vastidão do assunto.
    Top 5 foi realmente sensacional. Um dos melhores dos últimos tempo!!

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  2. pedro que odio que voce tem do cqteste lol
    mas enfim programa foi legal

    mas nada se compara ao cqc 3.0 puts e nesse que o luque e rafinha ficam inspirados pra falar talvez porque o tas deixem eles falarem mas enfim foi legal cqc

    Parabens sempre to lendo suas analises!!!!

    sera que alguns materias nao sao obrigatorio ter tipo imposicao da produtora que licenciou o produto e tal...

    enfim
    abracos ae

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  3. é uma pena o CQC estar pouco a pouco deixando a política de lado. Quem assiste o programa desde 2008, percebe o quanto o programa está piorando no sentido do seu senso critico. Hoje só se fala de celebridades no cqc. Apesar de ser fã, estou preferindo bem mais A LIGA.

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