terça-feira, fevereiro 22, 2011

CQC e Legendários fazem jornalismo Justiceiro

"Legendários" faz "jornalismo justiceiro": Repórteres do programa da Record e do "CQC", da Band, assumem papel de juízes de forma autoritária e desrespeitosa



NÃO SATISFEITOS EM DENUNCIAR A CORRUPÇÃO OU INÉPCIA DOS PODERES PÚBLICOS E PRIVADOS, COMO MOORE SEMPRE FEZ, JORNALISTAS ESTÃO TOMANDO PARA SI A TAREFA DE RESOLVER COM AS PRÓPRIAS MÃOS OS PROBLEMAS QUE APONTAM


MAURICIO STYCER - ESPECIAL PARA A FOLHA

A ideia de que o jornalismo praticado na televisão pode fugir do formato convencional para se transformar em uma arma de provocação e confronto tem vários pais, mas creio que ninguém fez isso de forma tão consistente e estruturada quanto Michael Moore.

Inicialmente no documentário "Roger and Me" (1989), depois nos programas "TV Nation" (1994-95) e "The Awful Truth" (1999-2000), e em todos os seus filmes seguintes, Moore estabeleceu alguns padrões até hoje seguidos na cobertura crítica e abusada de governos, políticos e corporações.

O presidente de uma grande empresa não quer falar? Moore vai até a sede da companhia e o chama com um megafone. A venda de armas é descontrolada nos EUA? Moore vai às compras. Os taxistas de Nova York são racistas? Moore coloca um homem branco mal vestido ao lado de um negro de terno, ambos acenando para os taxistas na rua, e observa a reação dos motoristas.


Ernesto Varela, criado por Marcelo Tas em meados da década de 80, é anterior a essas experiências de Moore.
Sua abordagem a Paulo Maluf é clássica e tornou-se uma referência para jornalistas brasileiros: "Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?".

DEGENERAÇÃO

Algumas experiências recentes na televisão brasileira mostram uma grave deformação das tentativas de Moore e Tas.

Em primeiro lugar, acho espantoso ver repórteres como Danilo Gentili, do "CQC", da Band, considerarem que os entrevistados têm obrigação de falar com a mídia no exato momento em que eles desejam. Nessas situações, prevalece um comportamento demagógico, de cunho "udenista". Destemido, com o microfone na mão, ele tenta convencer o espectador de que o político tem coisas a esconder e está com medo do herói, digo, do repórter.

O trabalho se completa na ilha de edição, com a inclusão de cenas que invariavelmente revelam seguranças violentos e maus.

Outra degeneração ainda mais grave é o que eu chamaria de "jornalismo justiceiro". Não satisfeitos em denunciar a corrupção ou inépcia dos poderes públicos e privados, como Moore sempre fez, jornalistas estão tomando para si a tarefa de resolver com as próprias mãos os problemas que apontam.

O repórter Elcio Coronato, do "Legendários", da Record, está se especializando nesse tipo perigoso de jornalismo que é chamado pelo criador do programa, Marcos Mion, de "do bem".

No primeiro programa de 2011, ele quis mostrar, em um shopping de São Paulo, que motoristas desrespeitam a reserva de vagas para idosos. Para isso, impediu, com seu próprio carro, que veículos burlando a lei deixassem o local. Dessa forma, obrigou os motoristas a ouvirem seu sermão sobre aquilo que haviam feito.

COLETOR DE CONES

No segundo programa, exibido no sábado, dia 12, Coronato pretendeu mostrar a falta de fiscalização de estacionamentos irregulares em São Paulo. Sinal disso são os cones, colocados por guardadores particulares, em espaços públicos. Dentro de uma van, o repórter passou por uma rua recolhendo cones e, por fim, foi à porta da CET e os despejou na calçada. (Veja o vídeo)

O "jornalismo justiceiro" é primo de outras formas de "fazer justiça com as próprias mãos". Mais que autoritário, revela o desconhecimento das regras sociais numa sociedade democrática.

O desrespeito à lei não pode justificar outros desrespeitos. Jornalista não é polícia ou juiz.

MAURICIO STYCER é repórter e crítico do UOL

Texto escrito pelo jornalista Maurício Stycer para a Folha de S. Paulo dia 20 de Fevereiro de 2010, foi disponibilizado para assinantes do portal Uol e reproduzido no Blog Conteúdo Livre (http://sergyovitro.blogspot.com/2011/02/legendarios-faz-jornalismo-justiceiro.html)

RT @mauriciostycer Meu texto sobre "jornalistas justiceiros" (assinantes UOL ou Folha) http://bit.ly/gNhxR0

Imagem Varela e Maluf  "O Blogo"

Se a Justiça fosse mais competente em nosso país, e tivéssemos mais pessoas fazendo do que falando, os "Jornalistas Justiceiros" do CQC e Legendários, não precisariam prestar este tipo de serviço desrespeitoso à população.

Update 23 de Fevereiro as 13:45hrs

O CQC transgride as barreiras do Jornalismo?

Artigo escrito pelo estudante de jornalismo Pedro Rech sobre o tema Jornalismo Justiceiro abordado no texto do Jornalista Maurício Stycer originalmente postado neste link http://www.cqcblog.com/2011/02/o-cqc-transgride-as-barreiras-do.html
"Legendários" faz "jornalismo justiceiro": Repórteres do programa da Record e do "CQC", da Band, assumem papel de juízes de forma autoritária e desrespeitosa Mauricio Stycer para a Folha (http://www.cqcblog.com/2011/02/cqc-e-legendarios-fazem-jornalismo.html)
Esta minha breve inferência ao artigo “Jornalismo Justiceiro” poderia começar de inúmeras formas. Em primeiro lugar, eu poderia demonstrar como o que o CQC (não mencionarei em nenhum momento o “Legendários” neste texto, e espero que vocês, sábios leitores, entendam o porquê) não é de forma alguma uma degeneração dos ideais que Tas e Michael Moore, a partir dos anos 80, começaram a estabelecer no jornalismo marginal. Poderia também defender a edição do programa, que em nenhum momento transforma seguranças e afins em “violentos e maus”. Se assim parece ao telespectador atento, o único responsável por essa visão são os próprios seguranças (acho que espectadores assíduos do CQC, cientes das diversas agressões e truculências por parte dessas pequenas autoridades, devem ter passado imediatamente por cima dessa alfinetada vazia). Poderia também defender o próprio Danilo Gentili, metamorfoseado no artigo como um monstro intocável que devora seus entrevistados se estes não realizarem exatamente os seus desejos e caprichos. Mas não farei nada disso. Por questões orçamentárias, partirei direto para o prato principal: o que o CQC faz transgride ou não as barreiras do jornalismo?

Se nós considerarmos o jornalista apenas como um observador imparcial, cuja única função é registrar o fato, legando a função de análise e posicionamento crítico a cabo do espectador/leitor, é mais do que certo que o CQC viola, e com muita elegância, essa determinação. Agora, a posição militante que o CQC assume é, por sua vez, moralmente incorreta? Aqui chegamos a um ponto muito mais delicado do que eu gostaria que o fosse. Por um lado, é claro que, sendo o Brasil um país que vive praticamente a margem de seu governo como o é, o CQC, justamente por sua vertente humorística, que o liberta dessas amarras do jornalismo tradicional, é um espaço mais do que bem-vindo para que a própria população possa ver suas denúncias apuradas e, por vezes, resolvidas, afinal, poucas são as autoridades que querem parecer mal em frente às câmeras. A câmera aqui atua como representante da justiça em um país onde a justiça simplesmente não age.

Tudo pareceria lindo e maravilhoso, caso não fosse perigosa a ingenuidade de desejar esse jornalismo militante a todos os veículos de informação. É mais do que óbvio que essa mesma liberdade que permite ao CQC fazer o que faz geraria monstruosidades, que usariam essa “liberdade jornalística” para fins nem um pouco nobres, como, quando associados a alguma figura ou órgão político, para perseguir e destruir opositores, explorar denúncias falsas e toda a sorte de barbaridade coronelista que conhecemos tão bem no nosso Brasil verde e amarelo. Não podemos ser ingênuos também a ponto de achar que o próprio CQC jamais cairá em tal tentação com o poder que já possui.

Mas é no mínimo preguiçoso colocar no banco dos réus o próprio formato jornalístico. O verdadeiro culpado, disso e tudo o mais na vida, como sempre, é do próprio governo. Sem o vácuo gerado por sua ausência, é mais do que óbvio que jamais teríamos a necessidade de nos voltarmos para a mídia em busca de justiça. Esse jornalismo “justiceiro” existe apenas na medida em que a população clama por sua ajuda. Se ele se prolifera com tal velocidade e ousadia, é sinal de que a demanda é grande.

Para não nos estendermos muito, é preciso mencionar aqui, e sempre que possível, que programas como o CQC são fruto direto de uma imprensa livre, e sendo a proporção em que a imprensa é livre o melhor termômetro do nível de qualidade de um estado democrático (não querendo dizer, é claro, que a liberdade de imprensa seja uma realidade na América Latina em geral). O CQC pode exagerar ás vezes? Claro que sim. Mas, como bem definiu a Suprema Corte dos EUA, em uma resolução que é palavra final sobre a questão, “eventuais exageros são o pequeno preço da liberdade completa”. Como pedra sobre o assunto, devemos lembrar que o CQC é extremamente divertido, emocionante e envolvente. Se a função primordial da televisão é o entretenimento, nesse sentido, ao menos, o CQC cumpre direitinho seu papel.


Pedro Rech
Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

 

Pedro Rech faz resenhas sobre a exibição do CQC toda terça-feira neste blog
Leia todas as 'análises do CQC' escritas pelo Pedro http://www.cqcblog.com/analisecqc
Posted By: Viviane Pereira

CQC e Legendários fazem jornalismo Justiceiro

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5 comentários:

  1. Então segundo o jornalista Mauricio Stycer, a função do Jornalista é simplesmente passar o que foi visto? Quer dizer que está errado mostrar problemas publicos completamente pertinentes e que trazem a população brasileira a oportunidade de discuti-los? Ah, mais fácil é escrever opniões para somente um tipo de publico em um jornal que só quem tem tempo e dinheiro tem acesso a leitura. Interessante a opinião desse jornalista, eu sempre achei que a função do dele era mostrar a verdade, afinal além de jornalista é cidadão. Enfim, eu parabenizo o CQC e acho que esse comentário não passa de um jornalista que quer mais é que o circo pegue fogo.

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  2. Prefiro Humor do CQC do que humoristas fazendo piadinhas vestidos de políticos e imitando suas vozes..
    Prefiro joranlismo justo doque aquele que se diz imparcial,mas que no final de cada reportagem coloca um trouxa para opnar e criticar o fato ocorrido!persuadindo de forma sutil.
    Ou seja, Prefiro a verdade e humor do CQC do que jornalistas como esse da matéria referente,que provavelmente é persuadido por algum político corrupto!

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  3. Até concordo que às vezes existe certo exagero por parte dos repórteres do CQC, programa que eu tanto adoro. Mas acho que, ao mostrar políticos que não querem falar com a mídia não-tradicional, mostram a realidade, sem a falsidade presente em outros porgramas nos quais os políticos são sempre bem-humorados e certos de suas respostas. O CQC mostra o jogo de cintura desses políticos ao responderem (ou não)as perguntas mais polêmicas. O jornalismo é isso: é liberdade. O que não considero como jornalismo é a falsidade impregnada em canais tradicionais. Quanto ao fazer a justiça com as própria mãos, acredito que a proposta é mostrar que nós, cidadãos, podemos sim ter voz ativa e mudar um pouco nossa realidade.

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  4. Cara cala a boca!
    q porra é essa q voce ta escrevendo???
    não curtiu o que eles estão fazendo???
    vai assisti o didi na globo! ou zorra total!
    ou a hebe! ou melhor domingo legal!

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  5. Não entendi essa!
    Era só o que faltava, esse cara deve ter sido pago por um político pra escreve tanta asneira

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