quarta-feira, fevereiro 23, 2011

O CQC transgride as barreiras do Jornalismo?


Artigo escrito pelo estudante de jornalismo Pedro Rech sobre o tema Jornalismo Justiceiro abordado no texto do Jornalista Maurício Stycer:
"Legendários" faz "jornalismo justiceiro": Repórteres do programa da Record e do "CQC", da Band, assumem papel de juízes de forma autoritária e desrespeitosa Mauricio Stycer para a Folha (http://www.cqcblog.com/2011/02/cqc-e-legendarios-fazem-jornalismo.html)
Esta minha breve inferência ao artigo “Jornalismo Justiceiro” poderia começar de inúmeras formas. Em primeiro lugar, eu poderia demonstrar como o que o CQC (não mencionarei em nenhum momento o “Legendários” neste texto, e espero que vocês, sábios leitores, entendam o porquê) não é de forma alguma uma degeneração dos ideais que Tas e Michael Moore, a partir dos anos 80, começaram a estabelecer no jornalismo marginal. Poderia também defender a edição do programa, que em nenhum momento transforma seguranças e afins em “violentos e maus”. Se assim parece ao telespectador atento, o único responsável por essa visão são os próprios seguranças (acho que espectadores assíduos do CQC, cientes das diversas agressões e truculências por parte dessas pequenas autoridades, devem ter passado imediatamente por cima dessa alfinetada vazia). Poderia também defender o próprio Danilo Gentili, metamorfoseado no artigo como um monstro intocável que devora seus entrevistados se estes não realizarem exatamente os seus desejos e caprichos. Mas não farei nada disso. Por questões orçamentárias, partirei direto para o prato principal: o que o CQC faz transgride ou não as barreiras do jornalismo?

Se nós considerarmos o jornalista apenas como um observador imparcial, cuja única função é registrar o fato, legando a função de análise e posicionamento crítico a cabo do espectador/leitor, é mais do que certo que o CQC viola, e com muita elegância, essa determinação. Agora, a posição militante que o CQC assume é, por sua vez, moralmente incorreta? Aqui chegamos a um ponto muito mais delicado do que eu gostaria que o fosse. Por um lado, é claro que, sendo o Brasil um país que vive praticamente a margem de seu governo como o é, o CQC, justamente por sua vertente humorística, que o liberta dessas amarras do jornalismo tradicional, é um espaço mais do que bem-vindo para que a própria população possa ver suas denúncias apuradas e, por vezes, resolvidas, afinal, poucas são as autoridades que querem parecer mal em frente às câmeras. A câmera aqui atua como representante da justiça em um país onde a justiça simplesmente não age.

Tudo pareceria lindo e maravilhoso, caso não fosse perigosa a ingenuidade de desejar esse jornalismo militante a todos os veículos de informação. É mais do que óbvio que essa mesma liberdade que permite ao CQC fazer o que faz geraria monstruosidades, que usariam essa “liberdade jornalística” para fins nem um pouco nobres, como, quando associados a alguma figura ou órgão político, para perseguir e destruir opositores, explorar denúncias falsas e toda a sorte de barbaridade coronelista que conhecemos tão bem no nosso Brasil verde e amarelo. Não podemos ser ingênuos também a ponto de achar que o próprio CQC jamais cairá em tal tentação com o poder que já possui.

Mas é no mínimo preguiçoso colocar no banco dos réus o próprio formato jornalístico. O verdadeiro culpado, disso e tudo o mais na vida, como sempre, é do próprio governo. Sem o vácuo gerado por sua ausência, é mais do que óbvio que jamais teríamos a necessidade de nos voltarmos para a mídia em busca de justiça. Esse jornalismo “justiceiro” existe apenas na medida em que a população clama por sua ajuda. Se ele se prolifera com tal velocidade e ousadia, é sinal de que a demanda é grande.

Para não nos estendermos muito, é preciso mencionar aqui, e sempre que possível, que programas como o CQC são fruto direto de uma imprensa livre, e sendo a proporção em que a imprensa é livre o melhor termômetro do nível de qualidade de um estado democrático (não querendo dizer, é claro, que a liberdade de imprensa seja uma realidade na América Latina em geral). O CQC pode exagerar ás vezes? Claro que sim. Mas, como bem definiu a Suprema Corte dos EUA, em uma resolução que é palavra final sobre a questão, “eventuais exageros são o pequeno preço da liberdade completa”. Como pedra sobre o assunto, devemos lembrar que o CQC é extremamente divertido, emocionante e envolvente. Se a função primordial da televisão é o entretenimento, nesse sentido, ao menos, o CQC cumpre direitinho seu papel.


Pedro Rech
Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

 

Pedro Rech faz resenhas sobre a exibição do CQC toda terça-feira neste blog
Leia todas as 'análises do CQC' escritas pelo Pedro http://www.cqcblog.com/analisecqc
Posted By: Viviane Pereira

O CQC transgride as barreiras do Jornalismo?

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2 comentários:

  1. Acho equivocado essa matéria do Pedro,porque em primeiro lugar o nome já diz: CUSTE OQUE CUSTAR! o programa é de humor, porém trata da realidade,sem camuflagem!Qual a diferenca de tomar as dores do povo se tem outros humoristas que se vestem de políticos e fazem piadinhas??? a diferenca é a mensagem subliminar,mostrada de uma forma camuflada e leve,entao todo o povo rir e conforma com a situacao,no caso do CQC o povo entende, compreende e começa a refletir começa a se indgnar e a cobrar das autoridades os seus direitos;ou seja,mostra a realidade nua e crua mesmo sendo com um humor negro,mas isso nao os tornam persuasivos e sim humanos! Agora referindo-me a jornalismo,a direferença é simples, os jornais tradicionais seguem a risca a ideia de informacao,porém colocar um cara de pau no jornal apenas pra ser comentarista e crítico depois da reportagem exibida quer dizer oque?Isso nao dá no msm? Bom defendo a ideia do CQC, jornalismo e humor de forma clara objetiva e nao subliminar.Respeito a opniao do Pedro,ele tem um nível de ensino maior que o meu, enfim,ele pode,ele faz jornalismo e eu,bom eu sou apenas mais uma telespectadora com um ensino de nível médio que vive a realidade todo o dia,sei oque é depender do SUS,sei oque é salário mínimo e sei Oque é ser uma mae de familia solteira e sei oque é se virar pra pagar minhas dívidas!

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  2. "Acho equivocado essa matéria do Pedro"...
    Então você concorda com a matéria do jornalista Mauricio Stycer, que não aprova o formato do CQC ?
    Se você não percebeu, o Pedro Rech estava defendendo o formato do CQC, que foi criticado em outra matéria.
    Santa interpretação textual...
    -

    Gosto muito do CQC e acho até que "pegam leve", se comparado com as sacanagens as quais somos submetidos todos os dias pelos dignissimos(?) senhores que ocupam cargos politicos.
    Minha mãe costumava dizer que a avó dela costumava dizer que "um dia o Brasil vai melhorar"...Bem, enquanto informar o povo de uma maneira divertida e inteligente for considerado "primo da justiça com as próprias mãos", isso, infelizmente, não vai ocorrer.

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