terça-feira, março 22, 2011

Analise do CQC 130 - por Pedro Rech

Saudações, saudações. Sejamos breves. Semana passada, com o retorno do CQC e com o subseqüente retorno de minhas lindas análises, muitos de vocês me acusaram de, e espero que vocês sejam sensíveis o suficiente para perceberem a ironia dessa acusação, de ter pegado “leve demais” com um programa que, no final das contas, foi bem meia-boca. Tudo bem, tudo bem, eu assumo a acusação e peço as mais sinceras desculpas por ter me deixado levar pela emoção da reestréia. Mas, fiquem avisados, a partir desta análise, a moleza acabou. Julgarei o CQC como nunca o julguei antes, e não há emoção que embace o meu frio senso analítico. O problema, na realidade, é que não será exatamente possível perceber isso nesta análise em especial pois, verdade seja dita, o programa desta segunda-feira foi inegavelmente, sensacional. Dado o recado, vamos às considerações, agora, no formato tradicional de sempre.


Pontos Altos: 

Gostaria de começar esta nobre sessão de pontos altos com algo que não configura exatamente como um “ponto alto” no melhor sentido da expressão, mas que merece comentários. Pois bem, todos estão devidamente cientes da polêmica que os supostos símbolos maçônicos na nova direção de arte do CQC causaram internet afora. Eu até me vi obrigado a escrever um breve artigo sobre isso para este belo blog (que pode, aliás, ser lido no link que segue: http://www.cqcblog.com/2011/03/uma-conspiracao-por-triangulo-o-olho-de.html). Tudo o que eu acho sobre essa situação está devidamente exposta ali, e não cabe aqui uma discussão adicional sobre o tema. Mas o fato é que, compelido pela grande “polêmica” gerada pela interpretação em geral da massa acéfala de espectadores, Marcelo Tas anunciou durante a semana, e mais de uma vez, em seu twitter pessoal, que tal assunto seria discutido no programa desta segunda-feira. Bom, ao contrário do que todos pensavam, a bancada nem sequer tocou no assunto. E, não só isso, ao que parece, o número de símbolos maçônicos introduzidos nas matérias e nas vinhetas parece ter aumentado, e Marco Luque ainda, como a cereja no topo de um bolo, fez uma série de piadas envolvendo a maçonaria (a exemplo da ocorrida logo após a matéria sobe o Democratas). Então, minhas humildes palmas para a equipe do CQC, que não se deixou levar pela pressão barata de espectadores paranóicos. O CQC aqui prova, se já não o havia provado antes, ser imune à “bundamolice” (se me permitem o neologismo).


Concluída essa discussão, que gerou muito mais bytes de dados no mundo virtual do que deveria, vamos às reportagens em si. Primeiramente, claro, me vejo obrigado a citar a cobertura de Rafael Cortez, Felipe Andreoli, Danilo Gentili e Marcelo Tas (vejam vocês) à visita do presidente estadunidense Barack Obama à nossa pátria-mãe. Não é necessária uma análise individual de cada repórter na matéria, tendo em vista que todos (sim, Tas inclusive) mantiveram um elevado padrão jornalístico, mas, é claro, é preciso dar um destaque especial ao nosso “muso”, Rafael Cortez, a verdadeira estrela da matéria. Há de se destacar também a ousada e complexa edição, em toda a sua não-linearidade, mas também é preciso destacar um aspecto negativo. A impressão final é que a matéria foi cortada ao meio, nada foi devidamente concluído, e tudo o que eu conseguia me perguntar era o que diabos havia acontecido com Andreoli, Gentili e Tas. Mas, uma grande matéria, de qualquer forma. E, claro, há de se destacar também toda a ocorrência da “caixa” pós-reportagem. A idéia em si nada teve de especial, e, aliás, o desenvolvimento dela foi bastante fraco, mas pelo simples fato de que um número bem maior do que nós gostaríamos de acreditar realmente ter levado a “notícia” do ataque à Argentina a sério, e também pelo fato de outro tanto de espectadores, que despertam em mim uma profunda vergonha, terem achado que a piada foi “longe demais”, a piada toda, merece aqui, os louros da vitória.

Seguindo, é preciso citar, óbvio, a matéria de Mônica Iozzi e Oscar Filho (que, diga-se, finalmente está ascendendo a uma posição respeitável no CQC, tanto nas pautas quanto no desempenho, pela primeira vez nesses três anos de CQC) a respeito da Convenção do Democratas e da ruptura interna provocada por Gilberto Kassab.

Agora, é preciso citar o novo “Identidade Nacional”, que está se mantendo dentro das expectativas iniciais. Interessante notar também que, dentro desse novo formato, é sempre abordada uma situação extremamente grave e chocante seguida de uma situação, digamos, mais “engraçada” do que provocativa. Essa alternância certamente será fundamental para a maior aceitação e durabilidade do quadro, e é uma idéia que mereceu aqui nossa atenção.

Como sempre, figura aqui o “Proteste Já”, dessa vez, sobre o problema de abastecimento de água em Munhoz, MG. Em primeiro lugar, é preciso dizer que Oscar Filho conseguiu me deixar, sinceramente, de boca aberta (e não, não há nenhuma conotação homo-erótica nessa expressão). Para um repórter que, honestamente, nunca havia tido nenhum grande momento dentro do CQC, Oscar conseguiu a façanha de nem ao menos ter precisado de um “tempo de adaptação” dentro do “Proteste Já”, como foi o caso com Danilo Gentili, já que está conseguindo se manter muito bem dentro de, até o momento, duas situação barra-pesada. Além disso, outro ponto de destaque no “Proteste Já” dessa segunda-feira foi a utilização dos velhos recursos cênicos, como as fantasias, no caso aqui, a roupa de banho. Muitos criticam a utilização de tais elementos, afirmando que, de certa forma, eles comprometem a integridade do quadro, mas, na opinião do humilde analista que vos fala, é justamente o oposto. Isso é simplesmente o CQC fazendo algo ridículo para, como em um verdadeiro espelho, refletir o quão ridículas as situações expostas o são.

Figura aqui também o “Grupo Escolar CQC”, outra novidade (das modestas duas que tivemos até agora, registra-se) a se manter nos pontos altos nesta segunda semana da quarta temporada, dessa vez, sobre a visita de Obama ao Brasil. A simpatia e o frescor do quadro ainda estão se mantendo, mas, vale novamente a pergunta: tendo em vista que essa fórmula não permite grandes alterações, até quando será assim?

Me vejo obrigado a citar também o fantástico retorno de Mônica Iozzi aos meandros da política interna na matéria sobre o verdadeiro paradoxo que é isto que os nossos burocratas do planalto têm a coragem de titular de Conselho de Ética da Câmara.

E, por fim, resta-me citar o sempre divertido “Top Five”, que não merece maiores comentários. E, antes que o espaço se encerre, é preciso também reverenciar a atuação da bancada, que estava simplesmente sublime.



Pontos Intermediários: 

É preciso citar aqui a matéria do sempre simpático Felipe Andreoli na partida de futebol de jogadores aposentados comandada por Zico. Por hora, lembrando que o CQC acaba de voltar de três longos meses de férias, esse tipo de matéria esportiva continua sendo, na melhor das hipóteses, suportável. Mas não é preciso ser nenhum analista conceituado como quem vos fala para imaginar que essa tolerância não vai durar muito mais tempo.


Seguindo, faz-se necessário citar a matéria mezzo turística mezzo futebolística pastelão de Rafael Cortez e suas desventuras em Milão, da qual nada pode ser extraído, apesar de não ter sido exatamente ruim. Rafael Cortez, cabe aqui a reflexão, é o verdadeiro profissional da vergonha alheia. Apesar de ele insistir com essas verdadeiras porcarias como o “CQTeste” (do qual, em toda a sua suposta “reformulação”, ainda fomos poupados este ano), a verdade é que Cortez é nada menos do que um gênio, e viverá para sempre em nossos corações. Aliás, Cortez, estou sentido saudade de seus recados agressivos. Minha página de recados estará sempre aberta para você (como dito anteriormente, não há nenhuma conotação homo-erótica nessa afirmação).

Por fim, é preciso citar, novamente, toda a situação do peso de Ronaldo (o qual, me envergonho de dize-lo, esqueci de comentar semana passada). Apesar de bobinha, essa “fraude” na balança era, de fato a única saída relativamente decente para uma situação que se arrastou por muito mais tempo do que deveria. A exibição do vídeo feito nos bastidores no último bloco do programa dessa segunda-feira foi, na melhor das hipóteses, desnecessária. Mas esperamos que, feito isso, esse assunto jamais seja citado novamente.



Pontos Baixos: 

Na ausência de verdadeiros pontos baixos, cabe aqui uma pequena reclamação sobre a péssima distribuição dos intervalos comerciais no CQC. Em um programa de duas horas de duração, temos, e esse número me surpreende até hoje (apesar de saber que é fruto das inserções publicitários dentro do programa no formato de vinheta), três intervalos comerciais. Um número, de fato, muito justo. O problema é que um deles é colocado logo nos primeiros cinco minutos do programa, e os dois últimos são colocados quase juntos nos últimos vinte minutos do programa. Assim, temos quase uma hora e meia de programação direta. Ora, nós, os pobre espectadores, precisamos de alguns minutinhos para ir ao banheiro ou ir até a cozinha pegar alguma guloseima. Então, porque, ao invés de tornar esses últimos vinte minutos quase inúteis pela quebra de ritmo ocasionada pelos intervalos quase se poderia recolocar um deles na metade da atração? Espero que algum gerente comercial da Bandeirantes esteja lendo isso agora, do contrário, toda essa reclamação tola terá sido em vão.

E, finalmente, vale figurar aqui também uma pequena menção desonrosa: toda a arte em geral desta quarta temporada do CQC, simbologia maçônica inclusa ou não, continua definitivamente horrorosa. Não foi a mera estranheza causada pelo primeiro programa. Todavia, haveremos de nos acostumarmos, eu imagino.



Sobre o CQC 3.0: No segundo CQC 3.0 deste glorioso 2011, e o primeiro o qual eu me dou o trabalho de comentar, tudo parece, conceitualmente, o mesmo. A mesma anarquia da bancada sem limites, os mesmos vídeos dos bastidores do programa da semana passada. Mas, é notório, agora finalmente o CQC 3.0 conta com um “cenário” e fundo dignos e organizados, que, ao contrário do cenário “real”, funcionou muito bem. Além disso, afinal de contas, a simbologia maçônica foi “explicada”, mas foi uma explicação tão gafolheira que ainda se enquadra no que foi dito ao início desta análise. A escolha do “Top Five” continua, como no ano passado, decepcionante. Mas o verdadeiro ponto alto e a grande novidade disso tudo foi o novo recurso do segmento, que permite que espectadores comuns possam interagir com a bancada através do uso de uma mera webcam. Talvez, essa idéia não se mostre tão boa assim no futuro, mas todo o acontecimento envolvendo sua utilização nesta edição configurou como uma das coisas mais divertidas da história da humanidade. Sem mais.


Nota: 8
Audiência: O CQC marcou 5.7 de média, picos de 8.2 e 11% de share.


E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Ansiosos pelo retorno do “A Liga”? E o que acharam de todos os outros pontos abordados na análise de hoje, já que o programa foi tão cheio de momentos dignos de comentários que nem sei quais mais abordar aqui (vide o ridículo tamanho da mesma)? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!

Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr


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Posted By: Viviane Pereira

Analise do CQC 130 - por Pedro Rech

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9 comentários:

  1. Ri como um nija da madrugada durante o cqc 3.0, ao resto, corcordo com tudo. Boa análise.

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  2. Esta foi realmente a estréia.O programa passado foi feito pro Ronaldo ocupar espaço, sem piadas por favor,e não teve a qualidade esperada.
    Já este foi bem melhor. Digo isto previamente porque estava com sono e por vezes cochilei no sofá. Assistirei os vídeos agora e talvez eu refaça minhas considerações.
    Acho que a matéria do Cortez, apesar de ele ser um grande repórter, não teve nenhuma graça.
    Quanto a falsa noticia do ataque à Argentina, me desculpem os que se ofenderem, foi tolice, pra não usar termos pejorativos, de quem realmente acreditou.
    Já em relação a "perseguição" ao Obama, foi muito boa a matéria. Além da ótima atuação do Cortez o Andreoli foi muito bom na parte com o "agente da KGB".
    Porém, como disse o Pedro, ficou aquela impressão de que faltava algo. Eu pensei até que seriam duas partes e então percebi que tinha acabado.
    Identidade Nacional é muito bom, e com o Danilo fica bem melhor.
    Bom por enquanto é isso pessoal, vou ver os vídeos.

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  3. Já fiz esta pergunta antes, mas não neste blog, e não obtive explicação. Faço-a de novo, a fim de satisfazer minha curiosidade.
    Falando sério, o que faz uma plateia no CQC? Durante o programa propriamente dito, todo gravado, ela tem um telão e vai ali só para "curtir" de perto os apresentadores? Nos intervalos tem sorteio de passagem (só de ida) para a Líbia ou pro Afeganistão? Os apresentadores plantam bananeira, apresentam "sketch" - é assim mesmo? - humorístico ou fazem "streap tease"?
    Qual é o segredo, inclusive com página de "fura fila"?

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  4. PORRA MANO. Cê considera ignorar as demandas dos espectadores e quebrar promessas como ponto alto de um programa!?!?

    Desde quando fazer promessa mentirosa de que promete abordar assunto (só pra atrair atenção dos outros) é exemplo maneiro a ser seguido!?!?

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  5. Desde quando isso é feito para irritar conspiratórios lunáticos (não o incluo da categoria, caso não o queira, nobre amigo).

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  6. Jotapê a plateia fica lá curtindo o programa que é apresentado ao vivo. O formato do programa com plateia vem da Argentina e provavelmente não pode ser mudado. Se um dia tiver oportunidade vá a plateia que vc vai gostar muito.

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  7. Pedro sua análise não poderia estar mais perfeita. Como disse no Twitter, esta foi a verdadeira estreia do CQC.

    Concordei com quase tudo o que vc escreveu, só não tenho mais paciência para estas materias de futebol.

    Tb fui surpreendida positivamente com a adaptação do Oscar Filho ao Proteste Já. Que assim continue.

    A Monica arrasou!! Rafa Cortez é o Rei da Vergonha Alheia, e o ano só está começando.

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  8. A Mônica arrasa no congresso, ela e o Danilo definitivamente fazem uma ótima dupla naquele lugar.

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