terça-feira, março 29, 2011

Analise do CQC 131 - por Pedro Rech

Saudações, lindos leitores. Em seu terceiro programa de 2011, o CQC já começa a restabelecer a rotina e desacelerar nas novidades (que, no final das contas, nem foram tantas assim), fazendo com que seja possível a nós, meros espectadores mortais, analisarmos com mais calma e tranqüilidade o tom dessa nova temporada. No caso, o programa desta segunda-feira foi, sem maiores eufemismo, médio. Ainda assim, tivemos um tom mais “politizado”, uma bancada em seu auge (inclusive, ainda ironizando a “conspiração illuminati”) e algumas pérolas para serem emolduraras e guardadas com carinho. Por outro lado, também tivemos o verdadeiro horror do retorno do “CQTeste”. Mas não cabem aqui maiores considerações sobre tal. Assim sendo, vamos para a análise em toda sua pompa e circunstância a seguir.


Pontos Altos: 

Começo esta nobre sessão com todas as honras possíveis para o nosso amado Rafael Cortez (ele merece, já que eu novamente voltarei a incluí-lo nos pontos baixos logo mais) na sua cobertura do Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus. O que posso dizer de tamanha obra-prima? A única coisa que vale uma menção especial é o fato de que Cortez está literalmente sendo devorado pelo próprio monstro que ele criou, que é esse “personagem” mestrado em vergonha alheia. E isso não é de forma alguma algo negativo.

Indo em frente, eis que novamente figura aqui o “Identidade Nacional”, em sua mais fraca edição até o momento (em termos de conteúdo, já que, de tudo o que foi mostrado até aqui, uma alimentação baseada em animais de estimação não é nem de longe o maior dos problemas sociais que enfrentamos), mas, ainda assim, uma edição hilária de qualquer forma.


Seguindo, mais do que necessário citar mais um sensacional “Proteste Já” com Oscar Filho, dessa vez sobre os problemas de habitação em Embu das Artes. Eu poderia enrolar aqui nesta breve análise, dizendo coisas como “o Oscar Filho está se estabelecendo com maestria no quadro”, ou ainda repetir o que eu já disse inúmeras vezes sobre ele “estar aproveitando o melhor dos dois mundos criados por Rafinha Bastos e Danilo Gentili”, mas a verdade é que não há mais a necessidade desses comentários desnecessariamente rebuscados. A verdade final, estimados leitores, é que Oscar Filho nasceu para o “Proteste Já”. E isso nunca deixará de me surpreender. É preciso mencionar também, é claro, o uso extremado dos recursos cênicos, como toda a situação da mágica, recursos estes que sempre deixam um largo sorriso na boca do analista que vos fala.

Ainda vale citar um inspiradíssimo Felipe Andreoli na 2ª edição do Risadaria, que, além das divertidas entrevistas de sempre, contou com uma bela reflexão sobre o (fraco) humor brasileiro da atualidade. Também é mais do que válido mencionar a chamada “Operação Dilma”, que contou com a participação de um fraco Rafael Cortez (com todo o respeito) e uma fantástica Mônica Iozzi. A entrevista com Dilma Rousseff em si comentarei a seguir, apesar de não ter sido algo tão impressionante assim, mas o que verdadeiramente fez a matéria mostrar ao que veio foram as entrevistas secundárias com grandes personalidades como José Dirceu, Fernando Collor, e aí afora.

Sobre a entrevista “exclusiva” com Dilma, podemos ponderar a respeito de duas asserções. Primeiro, isso significa claramente que o CQC ao menos já possui tanta credibilidade quanto Hebe ou Ana Maria Braga, já que apenas nesses programas de formato “não tradicional” Dilma deu o ar da graça, se bem que, é claro, pensando bem, isso não é exatamente motivo de orgulho. Em segundo lugar, pode significar também algo de muito positivo a respeito do perfil da nossa presidenta. Afinal, ao contrário do “aposentado” Luís Inácio, Dilma, até onde podemos perceber, nunca se negou a dar a cara a tapa para a imprensa. É claro que a Dilma não representa grandes mudanças para a política nacional (afinal, o esdrúxulo e maligno Edison Lobão ainda é Ministro de Minas e Energia, José Sarney ainda é a sombra de horror que paira sobre toda a política nacional, e Fernando Collor ainda esta em plena ascensão nos cargos de mamata do poder público), mas, ao menos, ela pode muito bem estar representando o início de, não diria uma nova era, mas sim de uma era de, ao menos, mais seriedade.

Ainda é preciso citar um “Top Five” apenas morno, mas sempre divertido. Mas, eis que chegamos agora à grande polêmica dessa semana, já que, ao que pudemos notar até aqui, a cada semana o CQC se torna motivo de exaustivas discussões por algum motivo ou outro. Por exemplo, logo na primeira semana, foi a simbologia maçônica da nova arte gráfica. Na segunda semana, foi o falso ataque nuclear à Argentina. E, nessa semana, talvez tenhamos tido a mais relevante de todas essas polêmicas até aqui: o “O Povo Quer Saber” com o homem que será rejeitado pelo diabos, meu arqui-inimigo, a representação de tudo o que há de pior no ser humano, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ). Em primeiro lugar, sobre essas “polêmicas” todas, é interessante observar o quanto o CQC se tornou influente e, no mínimo, como ele ainda está se mantendo fresco, afinal, ele ainda é o centro das discussões mesmo após quatro longas temporadas.

Sobre a questão de Jair Bolsonaro em si, há muito a se dizer. Em primeiro lugar, quem é leitor assíduo dessas minhas humildes análises (se é que existe alguém que de fato as leia), sabe que não é de agora que eu retrato Bolsonaro aqui como um monstro. Em meio a tudo o que se está dizendo agora, contudo, a opinião geral parece estar convergindo para culpar não Bolsonaro por ser um crápula, mas sim o CQC por ter lhe dado espaço livre para defecar pela boca em plena televisão aberta, assim o expondo em sua totalidade para as massas. Ora, esse raciocínio é equivalente a se culpar um detetive por ter descoberto um crime. O CQC não só não agiu mal em convidar Bolsonaro para o “O Povo Quer Saber” como ele também deveria ser amplamente elogiado pelos espectadores por ter exposto, de forma tão simples, e por isso mesmo, à prova de defesa, o meliante em toda a sua loucura.

Dito isto, há outro ponto que gostaria de desenvolver aqui. Provavelmente todos já devem estar cientes que Bolsonaro será processado por Preta Gil (Preta Gil processando alguém, vejam só que novidade). E aqui está uma das questões mais indigestas e delicadas dentro de um sistema democrático. A rigor, Bolsonaro não fez nada de errado ao dizer o que ele disse. Em uma democracia que garante a liberdade de expressão, Bolsonaro estava apenas fazendo valer seus direitos. É claro que isso soa incômodo, mas este é o grande paradoxo da democracia, tão bem explorado por Carl Sagan em seu “O Mundo Assombrado Pelos Demônios” e por I. F. Stone em seu “O Julgamento de Sócrates”. E este paradoxo consiste simplesmente no fato de que a democracia deve proteger a liberdade até mesmo daqueles que querem limitar as nossas liberdades. Se, por exemplo, eu tenho todo o direito de dizer nesta análise que Jair Bolsonaro é a personificação de tudo o que há de pior no ser humano, por sua vez, ele também tem o direito de dizer que a “cura” para o homossexualismo é uma boa surra. Pode parecer um insulto à constituição, mas esse é simplesmente o ônus da liberdade plena. E só viveremos em uma democracia madura quando entendermos isto. Afinal, o poder para destruir gente como Bolsonaro não está em um processo judicial, mas sim, no voto.

Concluído este raciocínio, só me resta citar aqui a memorável comemoração dos cinco anos da dita “dança da pizza”. Se Bolsonaro representa tudo aquilo que há de pior no ser humano, esse fragmento audiovisual representa tudo aquilo que há de pior na política nacional. Não devemos esquecer esse momento jamais.


Pontos Intermediários: 

É preciso enquadrar aqui a matéria de Mônica Iozzi no jogo Corinthians x São Paulo. É claro que a mudança de ares ocasionada pelo fato de Mônica, e não Andreoli, como sempre, ter coberto esse jogo foi benéfica (inclusive, essa mudança é responsável por essa matéria estar aqui e não nos “pontos baixos”), mas não adianta. Tais eventos esportivos já se desgastaram completamente.



Pontos Baixos: 
Pois é, caros amigos, não tem jeito. Eu não estaria sendo eu mesmo se eu não citasse aqui a primeira edição da nova temporada do “CQTeste”, com Eduardo Suplicy. Se a idéia por trás de todas as mudanças presentes no quadro era dar uma “renovada” no quadro, isso simplesmente não funcionou. Mudou-se o formato, a substância maligna, porém, permaneceu a mesma. Eu tenho um sonho. De um dia viver em um mundo sem o “CQTeste”. E cada vez mais eu temo que este sonho nunca se tornará realidade.

E, me resta citar também, finalmente, o retorno das matérias inúteis com celebridades, outro dos vários tumores dentro do CQC, como as matérias futebolísticas e o bom e velho “CQTeste”. No caso, se alguém realmente se importa, era uma matéria de Rafael Cortez cobrindo a estréia da peça “Mais Respeito Que Sou Tua Mãe!”. O que verdadeiramente lamentável aqui não meramente o fato de esses dois pontos baixos terem sido exibidos. O que é triste é o fato de ter havido tempo de exibir coisas tão desnecessárias e enfadonhas e não ter havido tempo de exibir, por exemplo, a matéria de Mônica Iozzi no lançamento da biografia de José Sarney, matéria esta a qual todos estávamos esperando. Os anos passam, mas as prioridades do CQC ainda são passíveis de questionamento.



Sobre o CQC 3.0: Sobre a empreitada virtual do “CQC 3.0” não há muito a comentar, afinal, foi mais do mesmo. E isso, é claro, não é de forma alguma algo ruim. O recurso da webcam continua interessante, apesar de não ter sido épico como o da semana anterior. E a bancada continua em seu auge. Sem mais.



Nota: 7,5

Audiência: O CQC marcou 5.5 de média, pico de 7.6 e 10% de share


E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Que diabos estará acontecendo com a escolha do nono elemento, já que há tempos não se fala nisso, ainda mais considerando que o processo de seleção deve chegar ao fim em breve? E, estando o programa já na sua terceira semana da nova temporada, é certo dar ótimos quadros do passado, o “Documento da Semana”, principalmente, seu atestado de óbito? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!



Rech,    nasceu na primavera de 1992 em  Caxias do Sul, RS. Após  concluir o    ensino fundamental e médio sem  grandes destaques, cursa  jornalismo na    Universidade de Caxias do Sul,  igualmente sem grandes  destaques.  Quando   criança gostava muito de  assistir Chapolin e hoje  considera o  bacon a   oitava maravilha do mundo.  Twitter pessoal: @pedroffr


Leia todas as análises do CQC http://www.cqcblog.com/analisecqc

Posted By: Viviane Pereira

Analise do CQC 131 - por Pedro Rech

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5 comentários:

  1. No geral concordo com você Pedro. Também achei a pauta do Rafa Cortez na peça totalmente dispensável. O povo quer saber do Bolsonaro realmente foi algo surpreendente. Como uma pessoa nem ouve o que outra fala e já vomita qq coisa assiim?? Acho que nesta ele se ferrou de verde e amarelo.

    Já o CQTeste, tenho que confessar que estava com saudades, e é sempre bom ver o Senador Suplicy dando as caras no programa.

    Quanto ao Oscar no Proteste Já só posso dizer: queimei minha língua.

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  2. Tbm sonho com um mundo sem CQTeste, mas devo confessar que achei que o dessa semana não foi tão ruim como os anteriores...
    Quanto ao Oscar sempre acreditei em seu potencial, a questão era as pautas que a produção dava pra ele geralmente péssimas... O potencial do Oscar foi posto a prova agora no Proteste Já e ele tem feito por merecer estar a frente desse quadro..
    Aguardo ansiosamente o dia em que a produção do CQC mude as pautas que são destinada ao Rafa Cortez pois assim como o Oscar tbm acredito nele, mas suas pautas geralmente são muito fracas...
    Jo

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  3. Vamos aos fatos: "Ainda assim, tivemos um tom mais “politizado”, uma bancada em seu auge (inclusive, ainda ironizando a “conspiração illuminati”)".
    Vocês dizem, ironizando os illuminatis. Vocês querem enganar a quem? Olha eu tenho certeza absoluta que os apresentadores do programa estão tendo que engolir isso pois não é possivel que eles estejam a favor de ver tantas críticas sobre as piscadas na tela e vocês simplesmente não respeitarem o pedido dos telesptadores da retirada daquilo. Como informei a vocês a minha reclamação que estou levando agora mais do que nunca pra frente não é por causa de ïlluminatis" e sim questionando as drogas das piscadas na tela. Vocês fizerram no programa passado 109 vezes. ISSO É CONTRA A LEI BRASILEIRA e vocês estão forçando a barra. Bom como ja estou com o manifesto e pessoas que estão junto a mim para levar isso a frente, nós iremos conseguir fazer vocês retirarem na MARRA. Como vocês dizem e nos ensinou "CUSTE O QUE CUSTAR".

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  4. Mimimimi. Cara, nas temporadas anteriores, ficava piscando, exatamente da mesma forma, o logo do CQC. Agora, porque é um símbolo ao qual vocês atribuem tantos significados, é ilegal? Se ninguém processou o CQC por esse motivo anos atrás, não faz sentido processá-los agora (se é que a isso que você se referia).

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  5. Na realidade eu não quero e nem vou processar o CQC de forma alguma. Eu gosto do CQC por isso mesmo que estou fazendo isso. Eu não muita gente.

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