terça-feira, abril 05, 2011

Analise do CQC 132 - por Pedro Rech


Boa dia, boa tarde, boa noite, admiráveis leitores (e Rafael Cortez, que provavelmente não resistiu e deve estar me lendo neste instante). Sem muita enrolação, o CQC desta segunda-feira foi, até o momento, o mais fraco da temporada. Ainda assim, apesar de a maioria do que nos foi mostrado ter sido médio ou simplesmente ruim, tivemos alguns pontos altos que já valeram o ano inteiro. Além disso, parece que alguém da produção andou atendendo minhas preces, já que estivemos diante de uma completa reformulação dos intervalos comerciais, que beirou a perfeição (ignorando, é claro, o ocorrido no último bloco). Não tendo nada de mais relevante para comentar aqui, vamos aos apontamentos.


Pontos Altos: 

Inaugurando o panteão de matérias desta semana, temos ele, o mais hilário “Identidade Nacional” até o presente momento, que, aliás, a cada semana que é rasgada do calendário se assemelha mais com uma cria do Ivo Holanda do que com um “teste sociológico”, como aparentemente manda os arautos do quadro. Ainda assim, o quadro está conseguindo, e muito bem, manter a sobriedade, já que essa semana, como contrapeso à primeira situação esdrúxula (no caso, provar camisinhas antes de compra-las), tivemos uma situação de extrema gravidade (no caso, também, a violência doméstica). Outro ponto que vale mencionar aqui é que nesta edição em especial, tivemos, finalmente, uma quebra no eixo São Paulo – Bahia, que estava sendo lei até então. E, é claro, um destaque mais do que especial para a dobradinha Gentili/Cortez, cuja química flui como uma linda cascata na primavera. E, por fim, falando em Rafael Cortez, vale ressaltar que sua atuação como marido violento na segunda situação me causou um arrepio na espinha (no bom sentido). Palmas a ele.

Seguindo, vale citar aqui mais uma vez o “Grupo Escolar CQC”, dessa vez, sobre o racismo. A sutileza do quadro ainda está sendo sua salvação, afinal, abordar problemas complexos das sociedades contemporâneas através da mentalidade direta e “simples” de uma criança para expor hipocrisias latentes está sendo uma idéia brilhante. Só nos resta, é claro, saber até quando a fórmula irá funcionar.

Em frente, é óbvio que figura aqui mais um sensacional “Proteste Já”, sobre problemas com o transporte escolar na cidade de Cotia – SP (aliás, a mesma cidade dos funcionários públicos fantasmas, no épico “Proteste Já” de 2008, alguém lembra?), com um Oscar Filho cada vez mais enraizando seu nome nos anais da história do jornalismo investigativo internacional.

E eis que chegamos ao verdadeiro (entre tão poucos, convenhamos) ponto alto desta segunda-feira, o, segundo Marcelo Tas, “Documento Especial CQC” mas, segundo o querido analista que vos fala, retorno triunfal do “Documento da Semana”, em sua primeira aparição do ano, revirando o chamado “Caso Bolsonaro”. A situação toda já foi exaustivamente debatida por todos nós no decorrer dessa semana, então, não cabe aqui mais uma análise política e ideológica do que representa Jair Bolsonaro. Ele já está devidamente demonizado e, tenho esperança, sua carreira política já está vendo o seu fim. Mas, o mais aterrador nessa história toda é que Bolsonaro não é um monstro vindo das profundezas do inferno para assolar a humanidade. Ele foi colocado na posição em que está hoje por mais de cem mil eleitores.

É claro que, destruindo Bolsonaro, todos nós nos sentiremos melhores, e poderemos dormir sem peso na consciência. Mas se cem mil pessoas, em um estado tão supostamente liberal como deveria ser o Rio de Janeiro, elegeram esta verdadeira abominação, é claro que o problema não acaba aqui. Ainda teremos que encarar muitos Bolsonaros até o horizonte da vida. E, é claro, perdoem-me se isso destoa do tom lírico deste parágrafo até aqui, mas eu devo mencionar que a defesa de Bolsonaro na matéria, apresentando o seu “cunhado negro”, foi provavelmente uma das coisas mais vergonhosas que já tive que ver em toda a minha vida (e olha que eu estou acostumado a ver coisas vergonhosas, já que eu leio todos os comentários que vocês fazem neste lindo blog).

Finalizando a questão, é preciso mencionar aqui também a subseqüente apresentação dos vídeos do eterno “O Povo Quer Saber”, sem qualquer edição, para demonstrar, se alguém ainda tinha alguma dúvida, que Bolsonaro não sofreu de nenhuma “confusão mental momentânea” ao responder o que respondeu. E, é claro, também me vejo obrigado a comentar acerca do momento mais brilhante de toda esta quarta temporada até aqui, o toque de perfeita genialidade que foi a exposição pessoal de Marcelo Tas sobre sua filha homossexual. Se foi visível que Tas quase fez escorrer suas lágrimas ao vivo, digo que lágrimas minhas pingaram sobre o caderno de rascunhos onde esquematizo estas brilhantes análises. Expondo o lado pessoal da questão, Tas, com a maestria que só ele poderia ter conquistado, colocou um definitivo ponto final na situação.

Ademais, só me resta mencionar aqui o até o momento melhor “Top Five” da temporada.



Pontos Intermediários: 

Talvez esta sessão, apenas por essa semana, deveria mudar seu nome para “Pontos Rafael Cortez”, afinal, é basicamente da sua pessoa que esse segmento será formado hoje. Primeiramente, começamos com sua matéria no Prêmio APCA, matéria esta que poderia ter sido a matéria de “celebridades genéricas padrão”, mas que, graças a um inspirado Cortez e a todo um clima caótico e metalingüístico (expondo a falsidade das situações, como no momento em que Cortez supostamente prendeu o representante do “Comédia MTV” atrás de uma porta, que foi um delicioso eco do saudoso “Em Foco”, do eterno oitavo elemento Warley Santana) conseguiram garantir com que esta fosse uma matéria leve e divertida, mas nada além disso, é claro.

Seguindo, eis que temos o único ponto meia boca da semana não protagonizado por Cortez. Estou a falar da matéria de Felipe Andreoli a respeito da importação de jogadores brasileiros, matéria esta que foi simplesmente metade boa (no que diz respeito ao humor jornalístico) e metade ruim (no que diz respeito ao futebol).

Agora, contrariando todas as leis básicas da natureza, é ele que figura aqui, o maldito “CQTeste” com Dr. Rey! Muitos podem estar chocados por estarem vendo o odiado “CQTeste” aqui nos pontos intermediários, e não nos baixos como de costume, mas uma união tão horrenda e monstruosa, e por isso mesmo, hipnótica, como a que foi feita entre Rafael Cortez e Dr. Rey, de tão abominável, merece alguma consideração. Aliás, quero aproveitar o espaço para confessar que eu ainda não entendi como funciona o sistema de pontuação dessa nova temporada do “CQTeste”, que está, como um todo, bastante confuso. E quero aproveitar para confessar também, que eu sinceramente não me importo tanto assim por não compreender isso. Está, de fato, muito além da minha capacidade cerebral.

E, finalmente, só me resta citar a matéria de Rafael Cortez no lançamento do livro “Cinco Contra Um”, do ex-casseta Beto Silva. Foi uma matéria bastante curta, bem como bastante inútil. Porém, toda ela valeu pela piada interna final envolvendo o livro “Politicamente Incorreto”, do amado Danilo Gentili. Aliás, todo esse clima de provocação entre Cortez e Gentili ficou, mais do que nunca, evidente no programa desta segunda-feira. A Band, e a humanidade, poderiam muito bem aproveitar esse filão e fazer uma espécie de sitcom abrasileirado com Rafael Cortez e Danilo Gentili dividindo um apartamento, ou qualquer enredo padronizado desses. Eu assistiria, tenham certeza absoluta.



Pontos Baixos: 
Solitariamente se apresenta aqui esta semana a matéria de Felipe Andreoli no jogo Palmeiras x Santos, mais uma matéria futebolística completamente nula e ordinária. Até quando as teremos, os pergunto?


Nota: 7
Audiência: O CQC teve média de 6 pontos no Ibope com picos de 7,5


E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Ainda resta algo a dizermos sobre Jair Bolsonaro? E quanto a ausência de Mônica Iozzi esta semana? Terá a piada de primeiro de abril deste amado blog se tornado verdade? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!


Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr



Leia todas as análises do CQC   http://www.cqcblog.com/analisecqc


Veja também:
http://www.cqcblog.com/2011/04/videos-do-cqc-132.html

http://www.cqcblog.com/2011/04/marcelo-tas-fala-sobre-filha-gay-no-cqc.htm

Update:

Vídeo do Rafael Cortez falando sobre o colunista do CQC Blog, Pedro Rech


Posted By: CQC Blog

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3 comentários:

  1. Discordei de praticamente tudo. hehehe... Essa semana.

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  2. "Até quando as teremos, os pergunto?"

    Até que o futebol, sexo e carnaval não sejam mais coisas básicas da vida dos brasileiros. Pão e circo.

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  3. No geral eu concordei com a análise Pedro. Colocaria o livro do casseta nos pontos baixos tb.
    Quanto toda a discussão do caso Bolsonaro, acho que é uma boa oportunidade para discussões sobre políticas públicas eficientes. Não sou a favor de cotas, mas acredito que seja uma forma de amenizar a deficiência do nosso sistema de uma forma provisória.

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