terça-feira, abril 12, 2011

Analise do CQC 133 - por Pedro Rech

Olá, olá, olá, adorados leitores. O CQC desta segunda-feira, dedicado às vítimas do massacre de Realengo, infelizmente não conseguiu fazer jus ao nível da homenagem, tendo sido possivelmente o mais fraco programa até o momento nesta precoce quarta temporada. Afinal, não tivemos nada de particularmente memorável ou histórico, e nem ao menos algo particularmente hilariante. Apesar disso, tivemos boas surpresas, como o retorno do “Controle de Qualidade” e do “Documento da Semana”. Sem mais, vamos às considerações.

Pontos Altos: 

Iniciando esta sessão, eis que nos deparamos com algo que só havia ocorrido duas vezes antes em todos estes anos de CQC (ambas no distante e saudoso 2009, a primeira vez na cobertura do esquecido “Caso Zoghbi” e a segunda na visita do presidente paraguaio Fernando Lugo ao Brasil). Estou falando, é claro, da saída de Felipe Andreoli dos gramados em direção à Brasília. Na matéria em questão, tivemos Andreoli magistralmente (quem diria) abordando os primeiros (de muitos, nos resta supor) escândalos envolvendo o segundo deputado mais votado na história da República, Tiririca.

Se faz necessário citar, em seguida, a mais esdrúxula (e isso não é de forma alguma uma crítica negativa) do quadro mais divisor de opiniões da temporada, o “Identidade Nacional”. Sobre o quadro em si, não há muito o que comentar, exceto o fato de que o que anda tornando a atração mais hilariante a cada semana são justamente os comentários depreciativos dos próprios participantes ao quadro.

Seguindo com a inesperada atuação de Felipe Andreoli na terra dos monstros, é preciso citar o seu “Controle de Qualidade”, o melhor quadro da história do CQC em sua primeira edição de 2011. Este “Controle de Qualidade”, assim como tantos outros antes dele, expôs um problema bastante interessante no sistema democrático mundial: o fato de elegermos políticos, e não técnicos, para resolverem problemas sociais que são, no final das contas, basicamente técnicos. Afinal, como pode um deputado federal sem formação nenhuma em bioquímica ou engenharia ambiental votar projetos voltados para a preservação do meio ambiente? Ou ainda, como pode um senador idoso, que nem ao menos sabe como ligar um computador, aprovar um projeto envolvendo leis a respeito do mundo virtual? Como esperar que pessoas cuja carreira consiste em permanecer no poder o máximo de tempo possível possam de fato resolver problemas importantes? Mais uma razão para crer que, quando se pensa adequadamente, as soluções não estão de forma alguma na política.

Indo em frente, é preciso citar também o (fraco, apesar de tudo) retorno “formal” de um de meus quadros favoritos, o “Documento da Semana”, dessa vez, sobre jogos de videogame. Provavelmente estaria sendo injusto se acusasse o CQC de ter sido “tendencioso” na matéria, pesando para a corrente defendida pelo tão questionável dito “senso comum”, de que os jogos de videogame violentos fazem, sim, mal para a juventude. Apesar das insinuações a este respeito, a reportagem conseguiu manter o equilíbrio ao mostrar, por exemplo, que simplesmente por ser bom em algo virtualmente, isso não faz o indivíduo ter um mesmo talento para este algo no chamado “mundo real” (e o que é a realidade, se não um conceito hipotético, afinal?). Claro, apesar de nesse tópico em especial ter sido abordada apenas a questão do tênis, boliche e kart, isso poderia também ter sido facilmente aplicado ao manuseio de armas, por exemplo. Jogos de videogame não formam assassinos em massa (como, aliás, defendeu com a mais pura ignorância essa semana o editorial “Que nos sirva de alerta”, do Estadãorelacionando o massacre em Realengo aos jogos de videogame, e, por outro lado, ignorando completamente todas as referencias religiosas do assassino). Aliás, pesquisem vocês próprios, leitores incultos, e verão que não existe um único estudo no mundo que comprove que jogos violentos influenciam o comportamento das pessoas (corre-se o risco, inclusive, de encontrarem um estudo provando que, ao contrário, os jogos estão relacionados ao decréscimo da violência juvenil).

Abordando também a questão do “isolamento” que o videogame provoca, estudos comprovam também que o videogame, ao contrário do que possa parecer, é uma eficaz ferramenta de socialização (afinal, é muito mais divertido uma partida entre duas ou mais pessoas do que entre apenas uma jogador solitário). Quanto à questão do sedentarismo, ao jogar a culpa nos videogames, devemos jogá-la também nos computadores, televisão, e em todo o estilo de vida do ser humano moderno. Mas, muito além de todas essas questões pontuais sobre os malefícios e benefícios dos videogames, algo bastante aterrador e preocupante foi mais do que superficialmente apresentado na matéria. Afinal, tivemos o senador Valdir Raupp (PMDB/RO) falando abertamente em censura, como se fosse a coisa mais natural deste mundo (não que não o seja, é claro). Os que apóiam essa “censura” aos jogos de videogame parecem não compreender que, a partir do momento que se pode censurar uma coisa, torna-se possível censurar qualquer outra. Agora, vamos proibir jogos “violentos”. Depois, que tal proibirmos filmes e livros “violentos”? Já que proibimos filmes e livros violentos, que tal proibirmos todos os filmes e livros de uma vez? Pais mais atentos funcionam melhor do que qualquer intervenção do estado.

Também é preciso citar a dobradinha entre Rafael Cortez e Felipe Andreoli na cobertura do show do U2 no Brasil, além de, é claro, o “Proteste Já”, em sua melhor fase desde que Danilo Gentili andou apanhando ano passado, dessa vez sobre a queda de uma ponte que serve de acesso ao Campus da USP na cidade de Lorena, além de, é claro, o sempre delicioso “Top Five”.


Pontos Intermediários: 
Aqui, é preciso citar, solitariamente, a matéria de Mônica Iozzi (que andava sumida) na estréia do filme “Amor?”, de João Jardim, reportagem esta que tinha tudo para ser ruim, mas que acabou sendo leve e divertida.


Pontos Baixos:

Infelizmente, aqui neste verdadeiro fundo do poço analítico, preciso, contra a minha vontade pessoal, citar duas matérias de meu querido amigo, e quem sabe talvez mais do que issoRafael Cortez. Me dói o coração fazer isto, mas, entenda, Cortez, eu preciso deixar meus sentimentos de lado nestas análises e ser um verdadeiro profissional. No caso, as matérias em questão seriam, em primeiro lugar, a cobertura do desfile em homenagem aos 25 anos de carreira do estilista Ricardo Almeida no MASP e que, surpreendentemente, seguindo a tradição iniciada este ano de uma polêmica por programa, está sendo desde já a matéria mais comentada da semana, graças a cusparada que o pobre Cortez levou do verdadeiro cavalheiro que é Paulinho Vilhena.

A matéria seguinte trata-se, essencialmente, de mais uma das malditas matérias inúteis com celebridades, dessa vez na festa de estréia da novela global “Cordel Encantado”, que foi, além de inútil, simplesmente chata.

Nota 7

Audiência: O CQC marcou média de 6 pontos no Ibope com picos de 8


Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr


Leia todas as análises do CQC   http://www.cqcblog.com/analisecqc


Veja também:
http://www.cqcblog.com/2011/04/videos-do-cqc-133.html

http://www.cqcblog.com/2011/04/paulinho-vilhena-cospe-em-rafael-cortez.html
Posted By: CQC Blog

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