terça-feira, junho 14, 2011

Analise do CQC especial Mentira por Pedro Rech


Saudações, leitores incultos. Após minha lamentável ausência semana passada, eis que para o gozo de alguns e a desgraça de tantos outros, como de meu grande amigo Rafael Cortez, estou de volta (e espero que vocês tenham sentido tanta falta de ler este lindo espaço da blogosfera brasileira quanto eu tive de escrevê-lo). Vocês, leitores tradicionais e inexistentes, sabem que eu sempre faço o possível para poupar o CQC no geral de duras críticas (com exceção do bom e velho “CQTeste”, que eu sempre fiz questão de maldizer). Porém, nesta semana, não me será possível ser tão eufêmico como sempre. A grande verdade é que o CQC “especial” sobre a mentira foi, de fato, especial. Afinal, foi provavelmente uma das piores edições até a presente data.

Inicialmente, superada a estranheza de termos tido um especial do tipo, assim, pela primeira vez, e sem absolutamente nenhuma data ou ocasião que justificasse o tema do especial (ainda se tivesse sido no primeiro de abril, e não em idos de junho), foi possível observar que, se por um lado todo o clima do especial fez o CQC sair do lugar-comum, por outro, o tema gerador do programa limitou, e muito, as matérias. Entenda a seguir.


Pontos Altos: 

Começando literalmente pelo princípio, é necessário citar o início do programa, com os membros da bancada “trocados”. Foi um momento deveras pastelão, é claro, todavia, devo dar o braço a torcer: foi divertido.

Sempre em frente, é preciso citar também o “Documento da Semana” sobre a previsão do futuro em suas mais diversas formas. Aqui, onde normalmente caberia meu comentário crítico da semana, não tenho tanto a dizer, afinal, a matéria sintetizou muito bem todas as possíveis linhas argumentativas que eu poderia vir a utilizar aqui. Não que prever o futuro seja impossível (ao menos, não é impossível se aceitarmos a estrutura do tempo como uma circunferência, e não como uma linha reta), pelo contrário, mas jamais será através de uma cebola (sério?!) ou de borra de café, e sinto sincera vontade de chorar ao constatar que existe gente que de fato compra esse lixo.

Também é vital figurar aqui o “O Povo Quer Saber” (que de “povo” aparentemente não teve nada), de novo com o senador Eduardo Suplicy, que já havia participado do quadro (respondendo a questões semelhantes, inclusive), porém, dessa vez, regido por um polígrafo. O quadro foi sensacional, claro, mas cabe aqui algumas pequenas considerações sobre o exame do polígrafo que muitos podem desconhecer. A realidade é que o polígrafo tem tantas chances de dizer se alguém está falando a verdade ou mentindo do que apostar a resposta correta no cara ou coroa. Afinal, o exame inteiro se baseia no preceito secular de que quando alguém mente, seus batimentos cardíacos (e por consequência, a pressão sanguínea) aumentem. Assim, havendo alteração nos registros cardíacos, a pessoa estará mentindo. Porém, os batimentos cardíacos podem ser acelerados simplesmente pelo próprio nervosismo de se estar sendo submetido ao teste. Da mesma forma, existem inúmeros casos registrados de pessoas que desenvolveram formas de “controlar” seus batimentos durante o exame. Vocês nunca se perguntaram porque o detector de mentiras não é utilizado em casos jurídicos, se é uma máquina tão milagrosa quanto aparenta? Ele simplesmente não é válido pois não se trata de ciência de verdade. Claro, há também a questão de que o réu tem o direito de não produzir evidências contra si próprio, mas isso não vem ao caso.

Ademais, tenho que mencionar o espetacular “Proteste Já” (que, verdade seja dita, não foi um “Proteste Já” de verdade). Esse formato do especialista em linguagem corporal analisando discursos de grandes figuras públicas, se me permitem, deveria virar quadro fixo. Uma idéia tão simples, como tudo o que é genial.

Por fim, só me resta citar o sensacionalTop Five”, que não foi exatamente engraçado, mas só por ter trazido de volta à superfície o caso do Gugu entrevistando os “membros do PCC”, que foi facilmente o momento mais cretino da história da televisão brasileira.



Pontos Intermediários: 
Aqui, um apanhado de matérias com as mesmas características: bem feitinhas, mas sem a menor graça ou relevância. Sendo elas, a reportagem de Felipe Andreoli e as mentiras no futebol, a reportagem de Mônica Iozzi e as mentiras no mundo das celebridades e, novamente mencionando Andreoli, sua cobertura à despedida de Ronaldo.

No mais, tenho que citar aqui a manteria de Mônica Iozzi e a fraude dos mapas astrais. Teria sido uma grande matéria, se o americano James Randi, pessoalmente, um dos meus grandes heróis, não tivesse feito exatamente há mesma coisa anos atrás (e de forma muito mais eficiente, diga-se). Vejam com seus próprios olhos aqui: http://www.youtube.com/watch?v=3Dp2Zqk8vHw (está sem legendas, portanto, o leitor monoglota terá que confiar em mim).

Por fim, me resta apenas citar a edição mais meia-boca de toda a história do “Identidade Nacional”, nem tanto pela falta de inventividade das situações apresentadas, mas por elas não terem tido a menor graça.



Pontos Baixos: 
Alguém ainda tem alguma dúvida? É claro que eu ia colocar aqui o adorável “CQTeste”, dessa vez, com Kleber Bambam. Ok, ok, a idéia de fazer o Bambam parecer um gênio foi interessante, mas não adiantou: a obviedade da coisa toda (em pensar que existe gente que acha que foi um teste “sério”) só fez com que o quadro ficasse ainda mais constrangedor que o normal. Sinto muito, Cortez. Ainda espero receber uma cópia autografada de seu álbum.

Para contrabalancear minhas críticas ao Sr. Cortez, devo acrescentar que outra grande defecada do programa desta segunda-feira foi a ausência da anunciada, e aguardada, matéria de Rafael Cortez em Brasília, algo que não víamos desde a crise das passagens aéreas, lá em 2009, salvo engano. Com tantas matérias nulas que poderiam ter sido retiradas no lugar desta, vocês deveriam se envergonhar, produção do CQC.

Nota: 6,5
Audiência: O CQC teve 5,3 de média no ibope, alcançando picos de 8,1.

E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Estarei eu sendo um chato ou o CQC desta segunda-feira terá sido realmente essa porcaria que eu tentei expressar aqui? Que outros especiais estariam por vir? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!



Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr


Leia todas as análises do CQC escritas pelo Pedro http://www.cqcblog.com/analise do cqc
Leia outros posts do CQC 142 http://www.cqcblog.com/CQC142

Posted By: CQC Blog

Analise do CQC especial Mentira por Pedro Rech

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11 comentários:

  1. Você se leva tão a sério que chega a ser engraçado. Continue tentando, quem sabe um dia você convence.

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  2. Tenho que dizer que o CQC quase não teve pontos pontos positivos. No geral o programa foi bastante sem graça. Também não entendi esse "especial" sem nenhuma data especial que justificasse o tema, já que 1º de abril passou faz tempo!! A ideia poderia até ser divertida, mas o tema não permitiu isso!! Se a média para passar de ano fosse 6,0 eu daria 5,0 e, reprovaria o CQC dessa segunda!

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  3. Achei o programa da semana passada muito fraco e esse compensou o anterior. Gostei bastante.

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  4. Adoro o CQC e sempre tive problemas em manifestar minha opnião quando negativa. O programa de ontem na minha opnião foi fraco. Eu daria como pontos altos o top five (muito bem sacado) e o #CQTeste. Sim, o #CQTeste. Pensei que seria bem pior (devido o entrevistado, mas até que ficou legal! :D

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  5. Pedro... Não sei o que quis dizer com "Rafael Cortez em Brasília", mas ele esteve lá na cobertura da visita do Barack Obama ao Brasil.

    Bom... matéria política ele não faz já tem tempo...

    []'s Gustavo Pamplona - @MonicaIozziNews

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  6. Sempre leio esas análises, e concordo com (quase) tudo que nela é escrito. São mto boas.

    Tbm achei o CQC desta segunda mto fraco, pois não vi a necessidade de se ter esse "Especial Mentiras", a não ser que fosse 1° de abril...

    Por incrível que pareça as únicas coisas que salvaram o programa, na minha opinião, foram o "Top Five"(que estava bom como sempre) e, o destaque foi para(sei que o Pedro não concordará mas, fazer o quê?)o "CQTeste", pois a ideia foi mto bem sacada.

    Tbm achei que a matéria mais importante e que chegou a ser anunciada no programa, como disse a análise acima, foi a do Rafael Cortez. Tinha tudo a ver com o contexto, mas ao invés de exibi-lá, a ignoraram como se fosse um mero detalhe. Acho que no lugar do CqTeste, poderiam ter exibido essa matéria.

    Tenho tbm uma observação a fazer: O que aconteceu com o quadro do Tas, o "Grupo Escolar CQC"? Nunca mais apareceu, ninguém mais falou dele. No programa de ontem ele poderia ter sido exibido, pois no contexto, cairia mto bem, esa relação das crianças com a mentira.

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  7. é... Pedro! esqueceu de analisar o #CorrendoAtrás

    se não viu, veja amanhã no blog da Megaliga CQC o post "especial #CorrendoAtras - 2ª edição"

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  8. Porra, eu esqueci do Correndo Atrás mesmo, hahahaha. Mil perdões a todos. Não voltará a se repetir.

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  9. o cqc especial mentira foi especial que aconteceu em todos os paises que possuem o cqc na argentina foi ao ar no final de abril ,e chegou atrasado aqui,e só uma correção o cqc marcou 6,5 de média,e não 5,3

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  10. Olha só! A galera estava com saudades de vc Pedro. Ou algum famoso deu RT na sua mensagem. Tô achando que o 1º comentário é do Cortez, hein? hehehehe

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  11. Não tenho nada oq reclamar do CQC desta segunda-feira. As pessoas estão tão ligadas a datas e feriados q ficam indignadas por haver um CQC especial assim de repente. Qual é problema? Foi ótimo e muito engraçado! xD

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