domingo, junho 05, 2011

CQC e o Mamaco


O último CQC 3.0 foi o estopim para uma discussão que ganhou a internet esta semana. Declarações de Rafinha Bastos e Marco Luque sobre amamentação em público fez com que muitas mães e pessoas favoráveis a amamentação ficassem indignados. Pipocaram postagens em repúdio as declarações dos humoristas do CQC e uma postagem do Blog da Lola (CQC vai para a PQP e Liberdade Relativa: Marcelo TAS quer me processar) que geraram a ameaça de processo de Marcelo TAS contra a blogueira.

Mamilos são muito polêmicos





Eu, como mãe e defensora da amamentação que sou, também não gostei das declarações do Rafinha Bastos e do Marco Luque. Não acho que uma mulher que amamenta em público queira exibir seus peitos. Também não acho que um bebê deve ser alimentado no banheiro. Ninguém aqui degusta seu almoço no banheiro, não é? Mas quem sou eu para censurar Rafinha Bastos, Marco Luque ou a Lola de falar o que querem e bem entendem?? Eles são cidadãos livres, assim como eu e você, que pagam seus impostos e tem seu direito de ir e vir, de pensar e de falar o que quiserem, desde que não firam o direito do outro.

Abaixo reproduzo o texto da Letícia do blog Escrivinhadora de Notícias que expressou com clareza o ocorrido e que tem um entendimento no qual me identifiquei sobre toda a discussão.


Até onde vai a liberdade de opinião

A mais recente polêmica midiática é a do mamaço, exibida no programa CQC 3.0, que vai "ao ar" na web após o da tv. Na última segunda-feira dois dos integrantes, "Rafinha"e Marco Luque, criticaram a "exibição dos mamilos" na amamentação, pregando que a mulher "pelo menos tape com um paninho" o seio. E encerraram falando de gravações de partos e exibição da genitália. Enquanto isso Marcelo Tas tentava contemporizar. Depois disso, choveram manifestações na web, inclusive mais mamaços (para os não iniciados, ato de dar de mamar coletivamente como forma de protesto). Bem, pessoalmente acho que o seio é para amamentar e se ele ganhou conotação sexual como o tempo deveria ser problema de quem vê seios assim. Tem gente que tem fetiche por pés e não vi ninguém sendo obrigado a usar coturnos. Daqui a pouco estaremos como os talibãs, obrigados a usar burcas, barbas, turbantes.


Entre proibir e manifestar que se sente incomodado, tem uma grande diferença, e proibir essa manifestação retorna ao problema inicial: qual opinião é a (mais) "certa"? Quem tem ou não direito de expressá-la? Francamente acredito que é melhor ter opiniões divergentes às claras do que fazer crescer monstros silenciosos. Melhor debater que sufocar assuntos.


Hoje, em Zero Hora (página 2), o colunista David Coimbra fez um lúcido embora como sempre um pouco exagerado texto sobre a vitimização e a intolerância à tolerância vigentes. É preciso lembrar que tanto ele quanto os humoristas acima citados costumam encarnar um certo personagem em seus programas. Mas as pessoas parecem ter dificuldade em fazer essa fina distinção, logo, pior fica quando encontram quem está falando definitivamente sério. A refletir:

03 de junho de 2011 | N° 16719
DAVID COIMBRA

* As vítimas do Brasil

OBrasil atingiu um nível de tolerância intolerável. Estamos sob a tirania dos mais fracos. Basta o sujeito ser de uma suposta minoria para oprimir a suposta maioria. Exemplo da hora: os ciclistas de Porto Alegre. São os oprimidos opressores do momento. Um psicopata engatou uma terceira e tocou o carro por cima de uma vintena deles, semanas atrás. Um crime, um absurdo e tudo mais. Mas por que os ciclistas estavam ocupando TODA a via PÚBLICA na hora do atropelamento? Por que os ciclistas de Porto Alegre, quando pedalam em grupo, continuam ocupando TODA a via pública?

Outro dia alguém se queixou por ter ficado 15 minutos preso atrás de um pelotão de ciclistas, numa sexta à noite. Disse assim, o queixoso:

– E se eu estivesse indo para o hospital? E se fosse uma emergência?

Ora, não é preciso haver uma emergência para censurar quem bloqueia a via pública sem permissão. Posso estar indo ao cinema, ou para a minha casa, ou posso estar simplesmente rodando à toa, não interessa, eles NÃO TÊM DIREITO de obstruir a rua. Só que o caso do atropelador psicopata lhes conferiu uma arrogância desafiadora. Já vi ciclista xingando motoristas, ameaçando chutar a lataria do carro. Eles agora são inimigos do motor à explosão, defensores intransigentes da tração animal. E ninguém pode dizer que prefere andar de carro. Por quê? Porque se transformaram em vítimas. A vítima pode tudo, no Brasil.

O cara fala nóis fumo, nóis vortemo, nóis pega os livro, mas num sabe lê? Não ouse corrigi-lo. Se o fizer, você revelará todo o seu preconceito linguístico, você será da classe dominante que oprime a classe dominada com a gramática. Pobre classe dominada, sufocada por mesóclises e concordâncias perfeitas. Há que se tolerar quem não fala a “norma culta”. Se o professor disser que quem fala nóis pega us livro está “falando errado”, o aluno vai se traumatizar, vai “se sentir entre dois mundos”. Mais uma vítima nesse país de vítimas.

As verdadeiras vítimas do Brasil são os poderosos. Ou os supostamente poderosos: os parlamentares. Você quer posar de revolucionário, de defensor dos mais fracos, de corajoso? Enxovalhe o parlamento. Fale que é tudo culpa dos políticos, inclusive daquela taipa que você elegeu. É sempre saudável desancar um político. Faz bem para a pressão, alivia o estresse, todo mundo concorda com você e você se sente... uma vítima. Todos somos vítimas dos políticos.

Agora mesmo, em meio à polêmica Bolsonaro-homofobia, ouvi gente boa defendendo publicamente o fim da imunidade parlamentar. Seria o mesmo que acabar com o Legislativo. Porque o deputado pode até ser uma besta, mas ele tem direito de dizer besteira. Ele é um parlamentar; o parlamentar parla. Bolsonaro está defendendo ideias retrógradas e tacanhas porque representa um eleitorado retrógrado e tacanho. Que tem direito à representação. Bolsonaro diz que não aceitaria que o filho dele fosse homossexual. O eleitorado dele também não aceitaria. Eu mesmo, eu aceitaria sem problemas que meu filho fosse homossexual, desde que não fosse corrupto ou vegetariano.

Pronto. Acabei de transformar os vegetarianos em vítimas.
Posted By: Viviane Pereira

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3 comentários:

  1. Acho rídiculo a "amamentação de um filho" ter conotação sexual, porém sabemos q existem tarados sim! É repugnante, mas existe! Assim como existe mães q não tem o mínimo de preocupação em ter cuidados na rua quando amamenta.
    Eu como uma mãe q amamentou a filha exclusivamente por 6 meses, sou contra a comentários maldosos a respeito. Eu amamentei minha filha diversas vezes na rua, buscava um lugar mais tranquilo, sem muito movimento, pois o momento da amamentaçã...o pra mim e minha filha era algo muito especial, porém na rua com um bebê vc não tem como prever quando a criança sentirá fome! Sempre usei a fraldinha ou paninho tb pra ter um pouquinho de privacidade nesses momentos. Isso pq? PQ EXISTE TARADOS SIM, OLHAM SIM E COMENTAM! É REPUGNANTE! MAS EXISTE! Na minha gravidez, com uma barriga imensa, eu recebia cantada na rua e só cantadinha obscena, é horrível, mas acontece. Sou a favor da amamentação sim, mas com cuidados! A gente ver tanta coisa pior na rua e as pessoas não criticam, o ato de amamentar o filho não tem que ser levado como polêmica e muito menos ser levado pelo lado sexual. Isso é ridículo!

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  2. Eu entendi q nem TAS, nem Rafinha e nem Marco Luque são contra a amamentação. Até pq os TRÊS SÃO PAIS e sabem o qto isso é (ou foi, no caso do TAS)importante para seus filhos.
    Eu acho q é um direito deles opinar se concordam ou não com o fato de uma mulher chegar e não colocar uma fralda ou pano em cima do seio ao amamentar.
    E oq eu NÃO acho direito foi o fato de eles disserem q mulher bonita pode expor o peito, agora mulheres q não tem corpinho de modelo não podem, ou dizer q mulher usa a amamentação como pretexto pra mostrar o peito em público. Aí sim eu achei desreipeitoso da parte deles essa conotação SEXUAL num gesto tão bonito q é a amamentação.
    Mas em NENHUM MOMENTO eu vi TAS concordando com essa conotação sexual que Rafinha e Marco Luque impuseram ao fato da mulher mostrar os mamilos ao amamentar. Eu vi como um ''sarcasmo'' da parte dele ao falar da Gisele Bündchen.

    Eu não sou mãe ainda mas o meu ponto de vista é q cada mãe tem q ter consciência. Se querem colocar um paninho em cima, ótimo! Mas se não querem, respeito é bom da parte dos expectadores.

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  3. Estou realmente decepcionada com o CQC. Quando do seu início, achei que seria um programa sério, interessante e diferente de tudo que temos hoje na tv aberta, mas com as últimas declarações que surgiram sobre amamentação e estupro, ficou mais do que claro que o CQC tornou-se (se já não foi desde sempre) um programa preconceituoso, discriminatório e que está voltado para pessoas deste perfil.

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