sábado, julho 09, 2011

Rafinha Bastos fala sobre investigacao do MP


Acusado de fazer apologia ao estupro pelo Ministério Público de São Paulo, humorista Rafinha Bastos tentou se defender do processo que está sendo movido contra ele por conta de uma piada.

“Descontextualizada, qualquer piada perde a graça e vira agressão”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo”. O “CQC” aproveitou para reclamar da repercussão do caso na imprensa. “O absurdo desta história é a exploração que a mídia está fazendo em cima do assunto e ainda mais absurdo é eu vir a público explicar uma piada”, desabafou.


Bastos disse ainda que estava no exercício do seu trabalho quando disse que mulher feia deveria agradecer quem quisesse estuprá-la.

“Eu sou comediante. Comediante faz piada. É simples assim. Nunca subi num palanque. Tudo foi dito no palco, um ambiente que por si só já carrega uma desconstrução”, explicou.


O humorista aconselhou aqueles que se sentem ofendidos com suas brincadeiras que não sigam seu trabalho.

“Não goste do que eu digo, não me siga, me odeie, mas não me impeça de falar, de brincar”, afirmou. O ator pediu que não lhe tirem o direito de ser livre no palco. “Espero continuar tendo liberdade pra dizer o que eu quero, por mais absurdo (e engraçado) que isto seja”, desabafou.

Fonte MSN

A piada do Rafinha Bastos foi sem graça, tosca, imbecil mesmo. Mas o Ministério Público instaurar investigação de piada é um exagero imensurável. Se começarmos a investigar humoristas por suas piadas, teremos que investigar autores de novelas, escritores e tantas outras pessoas que produzem conteúdos que poderiam nos  'incitar' a fazer milhares de coisas ruins no dia-a-dia.

Não acredito que uma piada, livro, novela incite alguém a cometer um crime e deixo aqui um trecho de uma reflexão de Gilberto Dimenstein para a Folha com a qual eu concordo:


Rafinha tem a liberdade de falar o que quiser ---e nós, claro, de criticarmos o que quisermos. Cada um que responda nos limites da lei.[...]

O Ministério Público está prestes a transformá-lo de agressor em vítima. Pediu abertura do inquérito policial para apurar incitação ao crime. Ou seja, o humor dele seria, em essência, um caso de polícia. Não vejo como aquele tipo de piada pode incitar alguém a cometer um estupro. É um óbvio exagero.

O jeito de combater a irresponsabilidade verbal do comediante é expondo-o à crítica para que ele veja que tudo tem limite, inclusive no humor.

Rafinha Bastos é um caso de falta de responsabilidade. Mas não de polícia. Tentar colocá-lo na cadeia ou constrangê-lo desse jeito não ajuda a causa da defesa da mulher nem da liberdade de expressão.

Posted By: Viviane Pereira

Rafinha Bastos fala sobre investigacao do MP

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2 comentários:

  1. Taí, não considero que a piada em nenhum momento foi imbecil. Concordo com o argumento do Rafinha. Tem que ter contextualização.

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  2. Certíssimo, caro Rafinha. Liberdade total para dizer o que quiser até que, contextualizada ou não, ela seja completamente imbecil e abusada e esteja sujeita às regras mínimas de civilidade. Você me parece um rei de um olho só em terra de cego.O que mais leva o sujeito ao teatro é gente como você, que faz comédia apelativa, quase escatológica. Minas tá cheia delas. Isso é cultura? Ou jeito fácil de ganhar dinheiro? Terra fértil! Sorte sua.

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