terça-feira, agosto 09, 2011

Analise do #CQC150 - por Pedro Rech


Saudações, leitores incultos. Nesta segunda-feira, tivemos a histórica marca, tão sólida e intrigante quanto qualquer obelisco instalado nas praças públicas ocidente afora, de 150 edições do nosso resumo semanal de notícias. Ao longo desses 150 programas, nós, como meros espectadores, dedicamos, no mínimo, 300 horas de nosso escasso tempo neste mundo material exclusivamente para o CQC. Em outras medidas, foram exatamente 12 dias inteiros onde processamos o ar em nossos pulmões apenas para continuarmos vendo a esse programa que, verdade seja dita, já é bem mais do que apenas um programa: é um marco definitivo na história da televisão brasileira.

Que era uma ocasião especial, todos nós já estamos com a cabeça tão lustra quanto à de Marcelo Tas de saber. A grande questão aqui é: essa edição comemorativa ficou, de fato, à altura do marco que estava sendo comemorado? O clima de comemoração, inegavelmente, ficou bastante aquém das duas únicas edições comemorativas passadas: a do programa de número 50, onde se destacou a simplicidade da comemoração com uma série de pequenas “biografias” de cada um dos integrantes do CQC, e a do programa de número 100, essa sim, com um clima verdadeiramente especial, com direito à apresentadores de smoking, letreiro atrás da bancada trocado pelo número 100 e tantos outros detalhes que realmente fizeram valer a ocasião.

Já nessa edição 150, a comemoração se destacou pela miscelânea, que não foi, digo desde já, positiva. Afinal, por um lado, tivemos algumas matérias retrospectivas disputando espaço com matérias normais. Tivemos convidados especiais na bancada que, verdade seja dita, ocuparam o lugar de pessoas realmente envolvidas com a história do CQC que poderiam ter estado lá. Por exemplo, no caso de Eduardo Suplicy e de Preta Gil, ambas são personalidades que, de fato, protagonizaram matérias e situações desde o primeiro programa (infelizmente no caso da Preta Gil). Porém, o que Luciana Gimenez e Maurício de Sousa tinham a ver com qualquer coisa? A justificativa de que Luciana Gimenez é a padroeira do “Top Five” (quadro que apresentou), por ter inaugurado todo um mundo de podridão televisiva com o seu “Superpop” pode parecer coerente. Mas, digam-me, não seria uma pérola se, ao invés de Luciana, que apareceu relativamente poucas vezes no “Top Five”, tivéssemos tido a participação de um Dr. Pellini da vida? E quanto à Maurício de Sousa? É claro que tivemos a história em quadrinhos em homenagem ao CQC, mas não haviam outras figuras já mitológicas dentro da linha do tempo do CQC para merecerem uma cadeira na bancada?

No final das contas, entre momentos vergonhosos, como fã-clube de Preta Gil lhe esmagando uma torta na cara ou ainda a lentidão insuportável de Eduardo Suplicy, e momentos de glória, como um dia de sinceridade na vida de Rafinha Bastos, a sensação final é de que a edição comemorativa de 150 edições do CQC foi um reflexo dos novos tempos: uma temporada marcada, não pela falta de qualidade, mas pela falta, simplesmente, de ousadia.

Pontos Altos: 

É preciso começar o panteão da semana com ela, Mônica Iozzi, na sua reportagem a respeito do pedido do pagamento de salário retroativo por parte da escória do congresso, os fichas-sujas, que graças ao nosso louvável sistema jurídico, estão de volta à Terra dos Monstros.

Adiante, se faz necessário mencionar o, possivelmente, verdadeiro ponto alto da semana: o “Documento da Semana” sobre “sinceridade”. É claro que era um tema vagabundo, e é claro que a abordagem superficial fez jus ao adjetivo presente antes da vírgula, mas tudo foi válido com o segmento onde foi filmado um dia inteiro de Rafinha Bastos sendo, basicamente, sincero.

Em frente, é mais do que honroso figurar aqui o misto de retrospectiva com sátira, na medida certa, que foi o “CQC - É tudo Mentira”. A falta de Rafinha Bastos e Marco Luque, porém, foi mais do que sentida.

Por fim, só me resta citar a matéria de Mônica Iozzi e a crise nos ministérios e, mais do que óbvio, mais um sensacional “Top Five”.

Pontos Intermediários:

Aqui, começaremos pelo óbvio: a matéria de meu grande amigo, Rafael Cortez, na estréia da comédia-com-cara-de-especial-da-globo-meia-boca da vez, o filme “Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”. O desempenho de Cortez estava de grande dignidade, todavia, uma pauta medíocre dessas não poderia render nada de tão incrível.

Seguindo, é preciso citar o “Resta Um” chapa-branca da vez, agora com abertura reduzida, protagonizado por Ronaldo. Na mesma linha, é necessário mencionar o “O Povo Quer Saber”, com Maurício de Sousa, simpático, porém, simplório.

Por fim, só me resta citar o “Proteste Já” de retrospectiva, que figura aqui por diversas razões que elencarei na seqüência. Em primeiro lugar, se já não bastasse a completa ausência do “Proteste Já” semana passada, novamente, ficamos a ver navios, considerando que há duas semanas já não temos uma edição inédita do, de longe, melhor quadro do CQC, e o único que, diga-se de passagem, manteve um altíssimo padrão de qualidade ao longo desses quatro anos. Além disso, em termos de retrospectiva, o quadro também foi ineficiente, afinal, posso de cara citar momentos antológicos que simplesmente foram deixados de lado. Afinal, tivemos menções ao caso da televisão desviada em Barueri, porém, não tivemos aquela obra-prima audiovisual que foi o ilustríssimo Rubens Furlan chamando a tudo e a todos de babacas. Ou seja, por um lado, essa retrospectiva era inútil, e por outro, ela não cobriu de fato os grandes momentos do quadro. Uma pena.

Pontos Baixos: 

Se, por um lado, essa edição comemorativa não teve grandes pontos altos, ao menos, não tivemos grandes pontos baixos também. Afinal, graças ao grande Jahbulon (e os conspiracionistas de plantão certamente vão apreciar essa breve referência), não tivemos o anunciado “CQTeste” com Ed Motta. Menos mal.


Nota: 7
Audiência: O CQC marcou 6 pontos no Ibope


 E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Sentiram falta de algo nessa edição histórica? O que acharam das participações especiais? Foram tão despropositadas quanto eu as achei ou estarei sendo um velho rabugento novamente? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!



Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

Leia todas as análises do CQC escritas pelo Pedro http://www.cqcblog.com/analise do cqc


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4 comentários:

  1. "O clima de comemoração, inegavelmente, ficou bastante aquém das duas únicas edições comemorativas passadas"

    Assino embaixo! Entre a do CQC 50, 100 e agora 150, ainda fico com a do 100.

    E não... não está sendo um velho rabugento! hahahhahahaha

    Detalhe: Também está fazendo uma falta o "Proteste Já".

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  2. Concordo 100% com a análise acima!!!
    Realmente, para uma edição comemorativa, o CQC ficou a desejar. Sei lá, passou a sensação que estava faltando algo no programa. Não sei se eram os convidados, ou as matérias, ou a platéia (que para uma comemoração não estava muito empoldada).
    Poxa, o proteste já para mim é um dos pilares do CQC. Como já disseram: CQC em Proteste Já não é CQC.

    Uma observação: o que aconteceu com o quadro Identidade Nacional e com o Grupo Escolar CQC? Será que um dia veremos os dois de novo? ou eles apenas farão parte das lembranças dos quadros extintos do Programa?

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  3. *empolgada, desculpe!

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  4. na verdade teve um ponto fraco sim; o Top Five com a Luciana Gimenez.na verdade teve um ponto fraco sim; o Top Five com a Luciana Gimenez.

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