terça-feira, setembro 06, 2011

Analise do CQC 154 - por Pedro Rech


Saudações, leitores incultos. A realidade é que o CQC desta segunda-feira, antes de ter sido uma completa decepção como havia o sendo nos últimos meses, foi uma agradável surpresa. Retomando sensações de indignação e vergonha alheia que tanto caracterizaram o CQC em suas origens, o programa teve coberturas políticas exemplares, crítica na medida certa e ainda teve direito à uma breve pancadaria. Não que pancadaria seja sinônimo de um programa de qualidade (na verdade, é sim), mas o fato é que essa desinteligência é indício de que, talvez, a ousadia esteja voltando às reuniões de pauta de nosso resumo semanal de notícias. Apesar de tudo, temo estar sendo otimista demais. Talvez essa bela edição tenha sido apenas um último suspiro antes da derradeira queda. Nos resta apenas esperar.

Pontos Altos: 

Abrindo o panteão de matérias da semana, nada mais apropriado do que o “Controle de Qualidade”, com Mônica Iozzi, dessa vez utilizando do interessante recurso de intercalar questionamentos ditos importantes com questionamentos fúteis da vida cotidiana. O nível das respostas, aliás, no que diz respeito ao índice de acerto em respostas sobre futebol ou televisão é um perfeito reflexo da população brasileira. O Brasil tem o governo que merece. Ainda sobre Mônica Iozzi, nada mais justo também do que figurar por aqui sua matéria da festa 101 anos do Corinthians. É notável como piadas sobre corinthianos nunca vão deixar de serem engraçadas, por mais batidas que sejam.

Em frente, é preciso mencionar aqui o “Documento da Semana” (cujo nome Tas novamente errou ao anunciá-lo, algo que, por sinal, configura em outro indício de elementos dos bons e velhos tempos que permearam o programa desta segunda-feira) sobre vício em celulares. Mas, não adianta, o verdadeiro ponto alto da semana ficou com a sensacional reportagem de Mônica Iozzi na absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF). A despeito do tom bem humorado da reportagem, pela primeira vez em todos os meus anos como entusiasta da cobertura política, fiquei sinceramente triste. Se algum brasileiro ingênuo ainda acreditava na justiça, essa crença foi despedaçada com a vitória de Roriz. Mas, afinal, temos deputados julgando deputados através de uma votação secreta. O que poderia se esperar disso? Se não bastasse toda a situação de Jaqueline Roriz, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) jogando paciência em plena votação, que mais parecia uma piada pronta, foi a cereja no topo do bolo de excrementos que é esse congresso. Sonho com o dia em que Brasília será destruída até suas fundações e dançaremos sobre os ossos de nossos supostos líderes. Sobre Roriz, Meurer e tantos outros tumores que estão lentamente a matar a pátria-mãe, nunca me cansarei de citar a máxima do escritor argeliano Albert Camus: “A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política”.

Em um breve interlúdio de matérias políticas, vale citar o “O Povo Quer Saber” com o grande Amaury Jr. E, ainda no pódio das matérias dessa segunda-feira, impossível não figurar aqui a fantástica matéria de Danilo Gentili sobre a inutilidade dos vereadores em São Paulo. Mas a situação não se restringe á São Paulo, imagino. O cargo de vereador é sinônimo de desperdício de dinheiro público em todo o território nacional. Gostaria de elaborar, além disso, alguns breves comentários sobre um dos projetos inúteis apresentados na matéria, o genial projeto de lei que institui o dia do “Orgulho Hétero”, proposto pelo excelentíssimo palhaço Carlos Apolinário (DEM). O Sr. Apolinário reclama do excesso de privilégio dos homossexuais. De fato, os homossexuais são seres humanos privilegiados. Afinal, quem não gostaria de ter a sua cabeça arrebentada por uma lâmpada fluorescente em plena Avenida Paulista? Se isso não é um privilégio, eu não sei o que a palavra “privilégio” significa. Sugiro aos vereadores um projeto de lei pelo dia do “Orgulho Branco” também, afinal, os negros são outros indivíduos extremamente privilegiados no Brasil, segundo a lógica do Sr. Apolinário. Nunca subestimem a estupidez do ser humano, estimados leitores.

Adiante, é preciso citar o “Resta Um” com Roger e mais uma matéria de cair o queixo de seu patrão, Danilo Gentili, dessa vez no aniversário de 80 anos de Paulo Maluf. Só mesmo em um lugar como o Brasil onde as pessoas não têm vergonha de ir para a festa de aniversário de um criminoso procurado pela INTERPOL. No mais, só me resta citar o apenas razoável “Top Five”, mais uma vez com um intervalo comercial safado, e, na ausência do “Proteste Já”, o sempre útil “#correndoatrás” (não passou).

Pontos Intermediários: 
Aqui entre as matérias requentadas, só me há que citar a verdadeira cena de luta de classes apresentada por Felipe Andreoli no “Athina Onassis Horse Show”, além da reportagem de meu grande amigo, Rafael Cortez, em um evento publicitário de uma marca de barbeadores com alguns jogadores famosos aí.

Pontos Baixos: 
Aqui, nenhuma surpresa: o bom e velho “CQTeste” em todo o seu horror, dessa vez com o proto-Marcelo Tas, Cazé.

No mais, é preciso fazer aquela observação que já é um verdadeiro clichê, mas que, ainda assim é sempre vital, sobre o fato de o CQC não ter exibido o “Proteste Já” nesta segunda-feira. CQC sem “Proteste Já” não é CQC.

Nota: 8

Audiência: O CQC marcou em média 6 pontos no Ibope

E vocês, leitores incultos? O que acharam do programa desta segunda-feira? Ainda há esperança, afinal? Ou este foi um típico caso de calmaria antes da tempestade? Deixe sua opinião ali nos comentários e vamos celebrar a democracia porque, pelo menos por enquanto, a internet ainda é um espaço livre do controle governamental. Até semana que vem!







Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr

Leia todas as análises do CQC escritas pelo Pedrohttp://www.cqcblog.com/analise do cqc


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2 comentários:

  1. diria sempre útil #CorrendoAtrás, se tivesse passado o quadro no programa, o q não aconteceu :'(

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  2. Estou aqui para manifestar minha profunda insatisfação com o programa, que já foi o melhor e mais "imparcial" e "implacável" da TV brasileira. Caros editores e diretores do programa CQC, há tempos o programa vem se repetindo e se tornando muito previsível. As piadas inteligentes estão fazendo muita falta, bem como o ímpeto destemido de fazer reportagens investigativas, doa em quem doer, quer dizer, custe o que custar. Lembro quando chegava em casa cansado, mas disposto a assistir até o final, um programa cheio de atitude. Hoje só consigo assistir o programa até a metade. Por favor, lembrem dos ideais do programa, pois o CQC foi um programa inovador no cenário robótico da nossa TV. Por causa desses ideais é que continuo assistindo o programa custe o que custar. Filipe Bianque

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